Presidente Donald Trump impõe tarifa de 50% sobre exportações brasileiras e Governo Lula anuncia retaliação com Lei de Reciprocidade Econômica; Crise diplomática afeta relação bilateral e comércio exterior 

Medida do presidente dos EUA, Donald Trump, afeta todos os produtos brasileiros exportados ao país e amplia a crise diplomática entre Washington e Brasília, com impactos econômicos, políticos e institucionais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou na quarta-feira, (09/07/2025) a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para o mercado norte-americano, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025. A medida foi comunicada em carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que repudiou a ação e convocou reunião de emergência com ministros para definir a resposta brasileira.

A decisão norte-americana ocorre em meio à crescente tensão entre os dois governos, intensificada após a realização da 17ª Cúpula do BRICS, no Rio de Janeiro, e por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentativa de golpe de Estado.

Justificativas de Trump: julgamento de Bolsonaro, redes sociais e comércio

Na carta, Trump alegou que a imposição da tarifa se deve a “ataques insidiosos contra eleições livres” e à “violação da liberdade de expressão de cidadãos americanos”. Ele destacou ordens judiciais do STF contra plataformas digitais dos EUA e classificou o julgamento de Bolsonaro como uma “caça às bruxas que deve terminar imediatamente”.

Trump também acusou o Brasil de manter uma relação comercial injusta com os Estados Unidos, afirmando que as tarifas são necessárias para corrigir desequilíbrios históricos. Ele ameaçou elevar ainda mais a taxa caso o Brasil adote medidas de retaliação.

Resposta de Lula: soberania nacional e uso da Lei de Reciprocidade

O presidente Lula reagiu duramente ao anúncio e declarou que a medida será combatida com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em abril de 2025 pelo Congresso Nacional. A legislação autoriza o governo a aplicar contramedidas como suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de direitos de propriedade intelectual.

Em pronunciamento, Lula afirmou: “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. Ele também rebateu a alegação de déficit comercial dos EUA com o Brasil, informando que os norte-americanos acumulam superávit de US$ 410 bilhões nos últimos 15 anos.

A reunião de emergência convocada pelo presidente contou com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secom) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Setores afetados e impacto econômico

Especialistas apontam que a tarifa de 50% poderá inviabilizar exportações brasileiras e impactar setores estratégicos, como:

  • Petróleo e combustíveis (Petrobras)
  • Aeronáutico (Embraer)
  • Minério de ferro e aço
  • Máquinas e eletrônicos
  • Carnes, suco de laranja, café e açúcar

Segundo o professor Roberto Goulart Menezes (UnB), a medida representa uma “chantagem política” e um bloqueio comercial disfarçado. O economista Alexandre Pires (Ibmec-SP) destacou os efeitos políticos da decisão: “A tarifa combina efeito STF, efeito BRICS, efeito redes sociais e retaliação à liderança internacional do Brasil”.

Estudos indicam que a medida pode causar desemprego, queda na entrada de dólares e desvalorização de commodities agrícolas no mercado interno.

Reações do Congresso e do setor produtivo

A medida foi duramente criticada por entidades empresariais e parlamentares:

  • A Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que não há justificativa econômica e alertou para prejuízos à indústria integrada aos EUA.
  • A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a medida compromete a segurança alimentar global.
  • A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) classificou a tarifa como uma das maiores já impostas na história do comércio internacional.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu uma resposta diplomática e estratégica, ressaltando os riscos cambiais e a perda de competitividade. O Congresso Nacional, por meio de nota assinada por Davi Alcolumbre e Hugo Motta, reforçou o uso da Lei da Reciprocidade.

Repercussão internacional e imprensa estrangeira

A decisão foi amplamente repercutida por grandes jornais internacionais:

  • The New York Times: “Guerra comercial repentina entre EUA e Brasil”.
  • Washington Post: “Escalada diplomática entre Trump e Lula”.
  • The Guardian: alerta sobre aumento da inflação nos EUA.
  • Clarín: “Aumento drástico de tarifas gera crise continental”.
  • Le Monde: “Trump usa tarifas para proteger Bolsonaro”.
  • Deutsche Welle: “Reação brasileira afirma soberania nacional”.
Reações políticas no Brasil

Parlamentares da base aliada acusaram a extrema-direita de conspirar contra o país:

  • Lindbergh Farias (PT-RJ): “Ataque às instituições e à soberania”.
  • Jandira Feghali (PCdoB-RJ): pediu reciprocidade tarifária.
  • Duda Salabert (PDT-MG): denunciou submissão da direita ao estrangeiro.

Do lado bolsonarista, houve apoio à decisão de Trump:

  • Flávio Bolsonaro disse que Lula “ferrou o Brasil”.
  • Eduardo Bolsonaro, em nota com Paulo Figueiredo, celebrou a ação como fruto de suas articulações nos EUA.

Outras lideranças políticas, como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, atribuíram responsabilidade ao governo federal.

Investigação e julgamento de Bolsonaro no STF

O julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus pela tentativa de golpe está em fase final no STF. Todos foram denunciados por cinco crimes, com penas que podem ultrapassar 40 anos:

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado
  • Deterioração de patrimônio tombado

O STF é presidido por Alexandre de Moraes, que também conduz inquéritos envolvendo Eduardo Bolsonaro, inclusive por suspeita de obstrução e incitação antidemocrática.

Análise geopolítica: hegemonia, multipolaridade e pressões internacionais

Especialistas em relações internacionais destacam que a tarifa de Trump é uma resposta direta à liderança crescente do Brasil no BRICS, à proposta de desdolarização global e à tentativa de regulação de big techs. O cientista político Ian Bremmer apontou “interferência direta dos EUA na política interna brasileira”. O economista Paul Krugman qualificou a ação como “programa de proteção a ditadores”.

A escalada da retórica antibrasileira nos EUA também inclui ameaças de sanções ao ministro Alexandre de Moraes. A diplomacia brasileira convocou o representante norte-americano, Gabriel Escobar, para esclarecimentos.

Íntegra da carta do presidente Trump dirigida ao presidente Lula

À sua excelência,

Luiz Inácio Lula da Silva,

Presidente da República Federativa do Brasil

Brasília,

Prezado Senhor Presidente:

Conheci e lidei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros Líderes de Países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Este julgamento não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!

Devido em parte aos ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos (conforme recentemente ilustrado pela Suprema Corte brasileira, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS às plataformas de mídia social dos Estados Unidos, ameaçando-as com milhões de dólares em multas e suspensão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todo e qualquer Produtos brasileiros enviados para os Estados Unidos, desvinculados de todas as Tarifas Setoriais. As mercadorias transbordadas para fugir desta tarifa de 50% estarão sujeitas a essa Tarifa mais elevada.

Além disso, tivemos anos para discutir nossa relação comercial com o Brasil e concluímos que devemos nos afastar da relação comercial de longa data e muito injusta gerada pelas políticas tarifárias e não-tarifárias e pelas barreiras comerciais do Brasil. Nosso relacionamento tem estado, infelizmente, longe de ser recíproco.

Por favor, entenda que o número de 50% é muito menor do que o necessário para termos condições de concorrência equitativas que devemos ter com o seu país. E isso é necessário para retificar as graves injustiças do atual regime. Como você sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas de seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de fato, faremos todo o possível para obter aprovações de forma rápida, profissional e rotineira – em outras palavras, em questão de semanas.

Se por algum motivo você decidir aumentar suas tarifas, então, qualquer que seja o número que você escolher para aumentá-las, será adicionado aos 50% que cobramos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de políticas tarifárias e não-tarifárias e barreiras comerciais do Brasil, causando esses déficits comerciais insustentáveis ​​contra os Estados Unidos. Este déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional! Além disso, devido aos contínuos ataques do Brasil às atividades de comércio digital de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais injustas, estou instruindo o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 do Brasil.

Se você deseja abrir seus mercados comerciais até então fechados para os Estados Unidos e eliminar suas políticas e barreiras comerciais tarifárias e não-tarifárias, talvez consideraremos um ajuste nesta carta.

Estas Tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo da nossa relação com o seu País. Você nunca ficará desapontado com os Estados Unidos da América.

Obrigado por sua atenção a este assunto!

Com os melhores votos,

Sinceramente,

Donald J. Trump

Presidente dos Estados Unidos da América


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