O presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Fabiano Silva dos Santos, entregou, na noite de sexta-feira (04/07/2025), sua carta de demissão ao Palácio do Planalto. A saída ocorre após a estatal registrar prejuízo de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2025, configurando o pior déficit entre todas as estatais federais no exercício de 2024.
De acordo com fontes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende se reunir com Silva dos Santos na próxima semana para tratar pessoalmente do assunto. A saída do executivo antecede articulações políticas envolvendo o comando dos Correios, subordinado ao Ministério das Comunicações.
Segundo reportagens publicadas pelo jornal O Globo, o cargo estaria sendo disputado por lideranças do partido União Brasil, legenda que já ocupa o Ministério das Comunicações, sob a liderança do ministro Frederico de Siqueira Filho. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria à frente das indicações da sigla junto ao Executivo federal.
Correios ampliam atuação digital com lançamento do “Mais Correios”
Apesar da crise financeira, os Correios anunciaram na quarta-feira (02/07) o lançamento da plataforma Mais Correios, novo marketplace com mais de 500 mil produtos distribuídos em 25 categorias. A iniciativa busca expandir a atuação da estatal no comércio eletrônico, promovendo a inclusão digital de consumidores e pequenos empreendedores.
O ministro das Comunicações declarou que o lançamento é parte do esforço do governo federal para modernizar os Correios e reafirmar seu caráter público. “É um compromisso nosso manter os Correios como uma estatal, modernizando-a de modo que possa cumprir seu papel de atender a todos os brasileiros sendo uma empresa pública”, afirmou Frederico de Siqueira Filho.
Além da plataforma digital, o governo planeja implantar um sistema próprio de pagamento eletrônico ainda em 2025, como parte das ações de reestruturação e sustentabilidade econômica da empresa.
Correios fora da lista de privatizações desde 2023
Em linha com a orientação política do governo Lula, os Correios foram retirados oficialmente do Programa Nacional de Desestatização (PND) em abril de 2023, por meio de decreto presidencial. A medida alcançou outras seis estatais, como EBC, Dataprev, Serpro e Ceitec.
Conforme o decreto, a decisão teve como objetivo reforçar o papel social e estratégico das empresas públicas, interrompendo o processo de privatização iniciado na gestão anterior, sob Jair Bolsonaro. À época, o governo anterior havia aprovado na Câmara dos Deputados o projeto de privatização dos Correios, mas o Senado Federal interrompeu a tramitação.
Fragilidade da gestão e conflito político-partidário
A saída de Fabiano Silva dos Santos do comando dos Correios revela não apenas a fragilidade da gestão financeira da estatal, mas também um cenário de disputa política intensa por posições estratégicas no governo federal. A pressão por resultados econômicos, combinada à necessidade de preservar o controle público sobre a empresa, expõe as contradições internas da coalizão governista.
Ao mesmo tempo em que reafirma o compromisso com o fortalecimento do setor estatal, o governo Lula abre espaço para negociações partidárias que podem comprometer a eficácia técnica das nomeações. O episódio indica que, para além da modernização tecnológica, a sobrevivência dos Correios depende de uma governança eficiente, isenta de pressões políticas imediatistas.
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