Salvador: Exposição destaca protagonismo feminino negro na arte brasileira no MUNCAB durante o Julho das Pretas

A exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira”, em cartaz no MUNCAB até 31/08/2025, destaca a presença de 32 artistas negras cujas obras abordam temas como ancestralidade, identidade e memória. A mostra integra a agenda do Julho das Pretas e propõe uma nova narrativa para a arte brasileira, reforçando o protagonismo feminino negro no cenário cultural contemporâneo.
No mês dedicado à luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas, a exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira” ocupa o MUNCAB, em Salvador, com obras de 69 artistas, sendo 32 mulheres negras.

Salvador, sábado, 26/07/2025 — Em meio às celebrações do Julho das Pretas, a exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira” reafirma a centralidade da produção artística de mulheres negras no Brasil. A mostra, em cartaz no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) até 31 de agosto, reúne obras de 69 artistas, das quais 32 são mulheres negras, cujas criações transitam entre memória, identidade e ancestralidade.

Idealizada pelo curador Deri Andrade, a exposição integra o calendário do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Salvador e é fruto do Projeto Afro, plataforma dedicada ao mapeamento e difusão da arte afro-brasileira. De acordo com o curador, a iniciativa representa um esforço de reescrita da história da arte nacional, incorporando vozes historicamente marginalizadas.

“No mês de julho, isso se intensifica com a potência das mulheres negras presentes em cada núcleo da mostra”, afirma Deri Andrade.

Percurso curatorial e eixos temáticos

A mostra ocupa dois andares do MUNCAB, com um trajeto não linear estruturado em cinco eixos curatoriais:

  • Tornar-se

  • Linguagens

  • Cosmovisão

  • Orum

  • Cotidianos

Cada eixo propõe uma reflexão sobre a complexidade e diversidade da experiência negra no Brasil e sua expressão artística.

Destaque para artistas mulheres e suas narrativas

Entre os destaques da mostra está a artista mineira Massuelen Cristina, que parte de fotografias de arquivo familiar para questionar a presença e o reconhecimento de mulheres negras em instituições artísticas.

“Quando essas fotos saem do álbum doméstico e ocupam a parede de um museu, elas passam a dizer outras coisas. Mulheres negras comuns, como as da minha família, passam a ocupar espaços de grandiosidade e reconhecimento”, pontua Massuelen.

Segundo ela, o espaço coletivo da mostra simboliza o fortalecimento mútuo entre artistas:

“Cada obra ali está de mãos dadas com outra, contando histórias que se atravessam, se provocam e se fortalecem.”

Lista de artistas e diversidade de suportes

Além de Massuelen Cristina, a mostra conta com obras de Maria Auxiliadora, Gê Viana, Panmela Castro, Rafa Bqueer, Lia Letícia, Priscila Rezende, Lita Cerqueira, Milena Ferreira, Renata Felinto, Castiel Vitorino Brasileiro, Elidayana Alexandre, Nay Jinknss, Ros4 Luz, entre outras. Suas criações abrangem diferentes suportes, como:

  • Pintura

  • Instalação

  • Escultura

  • Vídeo

  • Fotografia

Os temas abordam desde espiritualidade até sexualidade, política, cotidiano urbano e memória afetiva.

Julho das Pretas e o papel da arte na reparação histórica

A presença feminina negra na exposição ganha ainda mais relevo no contexto do Julho das Pretas, mês marcado por ações em todo o país alusivas ao 25 de julho – Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela. A campanha de 2025, com o lema “Por um Brasil que repare e Bem Viver para as Mulheres Negras”, é coordenada pelo Instituto Odara.

Itinerância e produção cultural colaborativa

A exposição é produzida pela Tatu Cult, empresa especializada em inteligência cultural, responsável pela itinerância nacional da mostra, que já passou pelos CCBBs de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, sempre com alto público.

Instituições envolvidas

Sobre o CCBB Salvador

O Centro Cultural Banco do Brasil está em fase de implantação em Salvador e ocupará o Palácio da Aclamação, edifício histórico que serviu como residência oficial de governadores da Bahia por mais de cinco décadas. Antes da abertura oficial da sede, o CCBB já promove iniciativas culturais na capital baiana, como a presente exposição em parceria com o MUNCAB.

Sobre o MUNCAB

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira é gerido pela Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO) e se destaca como espaço de referência para a preservação e valorização da arte afro-brasileira e da diáspora africana nas Américas.

Sobre o Projeto Afro

A plataforma Projeto Afro tem como missão mapear e difundir artistas negros no Brasil, promovendo igualdade racial, visibilidade e acesso a espaços legitimadores da arte.

Sobre a Tatu Cult

A Tatu Cult atua com foco em cultura, equidade e transformação estrutural, com um histórico de projetos voltados para o bem-viver e a justiça social, sendo reconhecida como empresa-filha da Unicamp.

Serviço

  • Exposição: Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira

  • Local: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) – Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico, Salvador

  • Período: Até 31 de agosto de 2025

  • Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 17h (entrada permitida até 16h30)

  • Ingressos: R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia), à venda online ou na bilheteria

A exposição “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira”, em cartaz no MUNCAB até 31/08/2025, destaca a presença de 32 artistas negras cujas obras abordam temas como ancestralidade, identidade e memória. A mostra integra a agenda do Julho das Pretas e propõe uma nova narrativa para a arte brasileira, reforçando o protagonismo feminino negro no cenário cultural contemporâneo.
Artista mineira Massuelen Cristina.


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