Na sexta-feira (18/07/2025), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de nova operação da Polícia Federal (PF), autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Ação Penal 2.668/DF, que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. As medidas cautelares impostas incluem uso de tornozeleira eletrônica, restrições de comunicação com diplomatas e com o filho Eduardo Bolsonaro, proibição de uso de redes sociais e recolhimento domiciliar noturno, inclusive integral nos fins de semana. A decisão foi fundamentada em suposta articulação de Bolsonaro com o governo dos Estados Unidos para pressionar o STF, o que, segundo a Corte, configuraria ameaça à soberania nacional e obstrução de Justiça.
A operação foi deflagrada nas primeiras horas do dia e incluiu buscas na residência de Bolsonaro, no Jardim Botânico (DF), e na sede do Partido Liberal, em Brasília. A Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 14 mil em espécie, um pen drive localizado no banheiro da residência, além de dispositivos eletrônicos e documentos.
Medidas cautelares impostas pelo STF
Com base nas manifestações da PF e da PGR, Moraes determinou as seguintes medidas:
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Uso de tornozeleira eletrônica;
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Recolhimento domiciliar noturno e integral nos fins de semana e feriados;
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Proibição de uso de redes sociais, inclusive por terceiros;
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Proibição de contato com outros investigados, incluindo Eduardo Bolsonaro;
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Proibição de aproximação de embaixadas e de comunicação com diplomatas estrangeiros.
A Primeira Turma do STF já formou maioria para manter as restrições, com os votos dos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e do próprio relator, Alexandre de Moraes.
Justificativas da PGR e da PF
A Procuradoria-Geral da República afirmou haver “necessidade urgente” de impedir possível fuga do ex-presidente e apontou indícios de que Bolsonaro e Eduardo atuaram para provocar ações hostis do governo norte-americano contra o Brasil. Já a Polícia Federal relatou que o ex-presidente teria “confessado” tentativa de extorsão contra o Estado brasileiro, ao condicionar a retirada das sanções comerciais dos EUA à concessão de anistia judicial.
Reação de Bolsonaro e da defesa
Após a instalação da tornozeleira eletrônica no Centro Integrado de Monitoração Eletrônica, Bolsonaro classificou a medida como “suprema humilhação” e negou qualquer intenção de deixar o país ou buscar asilo diplomático. Em entrevista à imprensa, afirmou não haver provas contra ele e reforçou que o processo tem natureza política. Sobre o pen drive encontrado, disse desconhecer sua existência e que questionaria a esposa Michelle Bolsonaro sobre o objeto.
A defesa divulgou nota considerando as medidas como “severas” e desproporcionais, e reiterou que Bolsonaro sempre cumpriu as decisões judiciais. Os advogados aguardam acesso integral à decisão de Moraes para manifestação formal.
Reações políticas e críticas da oposição
A operação gerou manifestações entre aliados e opositores:
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Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que Michelle Bolsonaro foi abordada de pijama e submetida a “constrangimento”;
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Deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) sugeriu que as Forças Armadas “estejam ao lado da democracia”, insinuando críticas veladas ao STF;
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Carlos Bolsonaro classificou a situação como perseguição de um “sistema podre”;
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Eduardo Bolsonaro, nos EUA, atua como interlocutor com aliados do ex-presidente Donald Trump.
Escalada da crise diplomática com os EUA
A crise entre Brasil e Estados Unidos foi agravada após o anúncio de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, feito por Donald Trump. O ex-presidente americano condicionou, em carta enviada a Lula, a retirada das sanções a um acordo favorável a Bolsonaro.
No dia 15/07, a Casa Branca abriu investigação formal contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais, incluindo alegações de censura contra plataformas americanas. O governo brasileiro respondeu com veemência, e o presidente Lula afirmou, em 17/07, que não aceitará “chantagens inaceitáveis”. A imprensa internacional destacou o risco de pedido de asilo por parte de Bolsonaro e os possíveis impactos econômicos da crise diplomática.
Fundamentos legais das medidas
Juristas como Davi Tangerino (UERJ) e Aury Lopes Jr. (PUC-RS) consideraram as medidas juridicamente fundamentadas, diante do risco de fuga e da suposta tentativa de interferência internacional. Ambos reconheceram o caráter inédito do caso, com potencial uso de tarifas comerciais como instrumento de coação sobre o Judiciário brasileiro.
Votação no STF e previsão de julgamento
A 1ª Turma do STF confirmou a manutenção das cautelares por maioria. O ministro Flávio Dino destacou que as ações de Bolsonaro vão além da liberdade de expressão, caracterizando “sequestro da economia nacional como instrumento de coação institucional”.
O ex-presidente responde formalmente por:
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Organização criminosa armada;
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Tentativa de golpe de Estado;
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Ato de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
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Dano qualificado ao patrimônio público;
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Obstrução de Justiça.
Se condenado por todos os crimes, poderá enfrentar pena superior a 40 anos de prisão. O julgamento final está previsto para setembro de 2025.
Reações do governo Lula e do Congresso
Em tom de ironia, o governo federal respondeu à investigação dos EUA sobre o Pix com a frase: “O Pix é nosso, my friend”. No Congresso, líderes se manifestaram em defesa da soberania nacional. Davi Alcolumbre chamou as tarifas de “agressão comercial injustificável”, e Hugo Motta declarou que o Legislativo apoiará o Executivo contra ataques externos ao país.
Detalhes sobre a tornozeleira eletrônica
O equipamento instalado possui 156 gramas, bateria de 24 horas e conexão via GPS e fibra óptica. O dispositivo deve permanecer ligado e ativo. O descumprimento das obrigações impostas poderá acarretar conversão da cautelar em prisão preventiva.
Linha do tempo dos principais eventos
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14/07/2025 – PGR apresenta parecer final e solicita condenação de Bolsonaro
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15/07/2025 – Governo Trump anuncia investigação comercial contra o Brasil
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17/07/2025 – Bolsonaro sugere anistia em troca da suspensão das tarifas
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18/07/2025 – Polícia Federal cumpre mandados e instala tornozeleira
Repercussões significativas
A operação da Polícia Federal contra Jair Bolsonaro representa um marco no enfrentamento institucional à tentativa de golpe de Estado e às articulações internacionais que visam pressionar o STF. As medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, sustentadas por fundamentos jurídicos e respaldadas pela PGR, revelam a gravidade do contexto político e diplomático. O desfecho do caso, previsto para o segundo semestre de 2025, poderá ter repercussões significativas para a estabilidade democrática, a soberania jurídica e as relações internacionais do Brasil.
Linha do Tempo: Caso Bolsonaro, STF e Crise com os EUA
21/05/2025
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Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirma no Congresso americano que avalia aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky.
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Eduardo Bolsonaro articula com parlamentares republicanos e denuncia suposta perseguição política ao pai.
28/05/2025
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EUA anunciam restrições de visto a autoridades estrangeiras por “censura a americanos”. A medida é interpretada no Brasil como indireta a Moraes.
07/07/2025
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Donald Trump acusa o Brasil de promover “caça às bruxas” contra Bolsonaro e declara apoio público ao ex-presidente brasileiro.
09/07/2025
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Trump envia carta a Lula anunciando tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, condicionando eventual suspensão ao fim do julgamento de Bolsonaro no STF.
10/07/2025
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Em entrevistas ao Jornal Nacional e Jornal da Record, Lula critica Trump e defende o Judiciário brasileiro: “Não aceitamos ingerência estrangeira”.
11/07/2025
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Trump afirma estar disposto a negociar tarifas com Lula, mas “não agora”, e volta a elogiar Bolsonaro.
14/07/2025
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresenta alegações finais e pede a condenação de Jair Bolsonaro na AP 2.668/DF por tentativa de golpe de Estado, com possível pena superior a 40 anos.
15/07/2025
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Governo Trump abre investigação comercial formal contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, por “práticas comerciais desleais” e “ataques a big techs americanas”.
16/07/2025
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Governo brasileiro reage com campanha em defesa do Pix. Publicações nas redes ironizam Trump: “O Pix é nosso, my friend”.
17/07/2025
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Bolsonaro afirma que uma anistia traria paz à economia, em clara referência às sanções americanas.
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Lula faz pronunciamento nacional chamando as ações de Trump de “chantagem inaceitável” e critica políticos brasileiros que apoiam a tarifa.
18/07/2025 — Sexta-feira
🔹 06h00:
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A Polícia Federal deflagra operação contra Jair Bolsonaro, autorizada por Alexandre de Moraes.
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São cumpridos mandados de busca e apreensão na residência do ex-presidente e na sede do PL.
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PF apreende US$ 14 mil, pen drive no banheiro e dispositivos eletrônicos.
🔹 08h30:
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Bolsonaro se dirige à Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) para instalação da tornozeleira eletrônica.
🔹 09h00–12h00:
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Moraes impõe medidas cautelares:
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tornozeleira eletrônica;
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recolhimento domiciliar noturno e integral aos fins de semana;
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proibição de uso de redes sociais;
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proibição de contato com Eduardo Bolsonaro, embaixadores e réus.
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🔹 13h00:
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Moraes publica decisão afirmando que Bolsonaro e Eduardo tentaram submeter o STF ao crivo dos EUA, com apoio de Trump.
🔹 14h00:
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Bolsonaro concede entrevista e diz viver “suprema humilhação”, nega golpe e acusa Moraes de ser quem “comanda o Brasil”.
🔹 15h00:
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A 1ª Turma do STF começa julgamento virtual da decisão de Moraes. Votos de Moraes, Dino e Zanin já formam maioria pela manutenção das restrições.
🔹 16h00:
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Senadora Damares Alves denuncia constrangimento à ex-primeira-dama Michelle, que foi surpreendida de pijama durante a ação da PF.
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Deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) sugere ação das Forças Armadas após operação contra Bolsonaro.
🔹 17h00:
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PF e PGR sustentam que Bolsonaro confessou extorsão contra o Judiciário ao condicionar fim da tarifa à anistia.
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Moraes afirma que as ações do ex-presidente e do filho foram “atos hostis contra a soberania nacional”.
Previsões e desdobramentos
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21/07/2025: Finaliza o julgamento virtual da 1ª Turma do STF sobre as cautelares impostas.
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Agosto/2025: Trump ameaça novas retaliações se não houver acordo comercial com o Brasil.
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Setembro/2025: Está previsto o julgamento de mérito da AP 2.668/DF, que pode definir o futuro penal de Jair Bolsonaro.









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