A psicóloga Gilma Almeida dos Reis analisa o tema “Prejuízos psicológicos e emocionais da adultização de crianças e adolescentes”, na qual aponta os riscos da exposição precoce de menores nas redes sociais. A autora alerta que a adultização digital pode comprometer autoestima, memória afetiva e saúde mental, com reflexos graves na vida adulta.
Em sua análise, Gilma Reis observa que, embora as redes sociais promovam comunicação e aprendizado, também abrem espaço para ansiedade, depressão e violência cibernética. A psicóloga enfatiza que crianças e adolescentes “não estão preparados psicologicamente e emocionalmente para situações de críticas, julgamentos e até mesmo elogios excessivos”, o que pode gerar traumas e surtos emocionais.
Ela destaca que esse ambiente funciona como uma “terra de ninguém”, marcada por padrões irreais e exposição a conteúdos que não contribuem para o desenvolvimento saudável. Segundo Reis, tanto as críticas destrutivas quanto os elogios vazios podem comprometer o equilíbrio emocional.
Impactos na autoestima e na vida adulta
A psicóloga alerta que experiências negativas nas redes podem afetar a autoestima e a formação identitária dos jovens. “Se tivermos memórias e lembranças indesejáveis, não seremos pessoas saudáveis e teremos dificuldades em realizar atividades com qualidade”, afirma.
Gilma defende que memórias positivas da infância — como proteção, carinho e pertencimento — são fundamentais para construir adultos mais seguros, resilientes e capazes de enfrentar desafios emocionais. Ao contrário, vivências nocivas fragilizam a capacidade de lidar com frustrações.
O papel da sociedade dos “contravalores”
Na análise, Reis cita o psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que alertou para o risco de uma sociedade reducionista, orientada por instintos e desprovida de espiritualidade. Ela critica o uso irresponsável dos meios de comunicação por indivíduos que “não se importam em barganhar valores éticos em troca de lucro, prazer e poder”.
Segundo a autora, vivemos em uma “sociedade dos contravalores”, que negligencia a proteção de crianças e adolescentes, mesmo sendo estes dependentes da responsabilidade adulta.
Memórias da infância e desenvolvimento emocional
Gilma Almeida dos Reis explica que a infância é determinante para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social. As lembranças formadas nesse período moldam a identidade, fortalecem vínculos familiares e contribuem para o senso de pertencimento.
Ela ressalta que memórias afetivas positivas funcionam como “tesouros que acompanham a pessoa ao longo da vida”, enquanto vivências negativas podem fragilizar a formação de adultos confiantes e saudáveis.
O chamado à responsabilidade social e institucional
A análise também repercute a denúncia feita pelo influenciador Felca (Felipe Bressanim Pereira) sobre a exploração de crianças em redes sociais. A psicóloga propõe a criação de novas leis e políticas públicas voltadas para a proteção da infância, destacando que a qualidade de uma sociedade se mede pela forma como cuida de seus jovens.
Ela defende o envolvimento de famílias, governos e instituições na construção de valores como educação, cuidado, proteção e participação comunitária. Para Reis, “essa temática é urgente em todos os cantos e precisa ser ouvida”.
Dilema contemporâneo
A reflexão apresentada por Gilma Almeida dos Reis expõe um dilema contemporâneo: a convivência entre os benefícios tecnológicos e seus riscos para o desenvolvimento humano. A análise revela a carência de regulação sobre a adultização digital e a fragilidade das instituições diante da exploração midiática da infância.








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