Em um jogo decidido nos acréscimos, desta quinta-feira (21/08/2025), o Bahia derrotou o Ceará por 1×0, na Arena Fonte Nova, em Salvador, e garantiu vaga na final da Copa do Nordeste 2025. O triunfo levou o Tricolor a uma decisão inédita contra o Confiança de Sergipe, que pela primeira vez chega à disputa pelo título regional.
A semifinal entre Bahia e Ceará foi marcada por equilíbrio, forte marcação e poucas chances de gol. A emoção ficou para os minutos finais: aos 47 do segundo tempo, Tiago aproveitou cruzamento de Everton Ribeiro e marcou o gol que definiu a classificação. A torcida tricolor explodiu em festa, celebrando a vaga na sétima final do clube no torneio.
Com o resultado, o Bahia manteve a escrita de ser um dos clubes mais regulares do Nordestão. A equipe, já campeã em quatro edições, agora busca o quinto título da história, consolidando-se como uma das maiores forças do futebol regional.
Final inédita contra o Confiança
O adversário será o Confiança, sensação da edição 2025 da Copa do Nordeste. A equipe sergipana eliminou o Sport Recife e surpreendeu ao alcançar sua primeira final. O confronto promete ser histórico: nunca antes um time de Sergipe havia chegado tão longe na competição.
As partidas da decisão já têm datas definidas:
- Jogo de ida: quarta-feira, 03/09/2025, em Aracaju, no estádio Batistão.
- Jogo de volta: domingo, 07/09/2025, em Salvador, na Arena Fonte Nova.
Expectativas e cenários para a decisão
O Bahia entra como favorito pela tradição e pelo elenco mais experiente. No entanto, a campanha consistente do Confiança inspira respeito. Para o time sergipano, a final representa a chance de conquistar um título inédito e projetar o futebol local em cenário nacional.
Já o Bahia vê na final a oportunidade de reafirmar sua hegemonia no Nordeste e ampliar a galeria de conquistas. O técnico Rogério Ceni destacou, após a vitória sobre o Ceará, a importância de manter a concentração:
“Não podemos achar que já vencemos. A final será difícil e precisamos ter a mesma postura de entrega até o último minuto”, afirmou o treinador.
Estatísticas da Semifinal e Caminho para a Final Inédita contra o Confiança
Dados Estatísticos do Duelo
- Posse de bola:
- Bahia dominou com 63%, deixando o Ceará com apenas 37% de controle da bola.
- Finalizações:
- Total: Bahia 5 × 9 Ceará.
- No alvo: Bahia 3 × 2 Ceará.
Esses números revelam um panorama pouco intuitivo. Apesar de ser dominado em finalizações e sob pressão, o Bahia usou a posse territorial com estratégia — trocando passes com paciência, esperando o momento certo para furar a defesa adversária. O Ceará, embora mais ativo em campo ofensivo, teve dificuldade em traduzir chances em ameaças constantes à meta tricolor.
Dinâmica da Partida e Intervenções Táticas
A análise do ge complementa esse retrato: o Bahia propôs o jogo, explorando os flancos com Ademir e Kayky, ainda que sem converter esse domínio em muitas finalizações claras. A saída de Caio Alexandre por lesão, aos 23 minutos do primeiro tempo, exigiu ajustes internos, mas o time reagiu bem à mudança.
Everton Ribeiro, que não costuma ficar até o fim das partidas, assumiu a orquestração ofensiva e originou o cruzamento para o gol de Tiago — o terceiro do jovem atacante na temporada, sendo o terceiro na competição.
Resumo Aprofundado
- Posse: Bahia 63%, Ceará 37%.
- Finalizações: Total — Bahia 5, Ceará 9; No alvo — Bahia 3, Ceará 2.
- Chave tática: Bahia explorou flancos com calma; Ceará foi mais efetivo em volume, mas não ameaçou constantemente.
- Lesão relevante: Saída de Caio Alexandre, sem derrubar o plano de jogo tricolor.
- Autor do gol: Tiago, completando sua terceira finalização convertida no Nordestão.
- Finais: 3 de setembro (ida em Aracaju) e 7 de setembro (volta em Salvador).
Comparativos Históricos: Bahia em Finais do Nordestão
Histórico do Bahia na Copa do Nordeste
- Títulos: 2001, 2002, 2017 e 2021
- Finais disputadas: 7 (incluindo 2025)
- Maior rivalidade: Sport Recife e Ceará, adversários frequentes em fases decisivas
- 2001 e 2002 (bicampeonato consecutivo): Bahia construiu vitórias com forte ataque, média de 12 finalizações por jogo, dominando rivais como Sport e Vitória.
- 2017: título sobre o Sport com placar magro (1×0 na finalíssima), marcado pelo mesmo estilo da semifinal contra o Ceará em 2025 — posse paciente, poucas chances, mas máxima eficiência.
- 2021: contra o Ceará, repetiu o roteiro de equilíbrio: nos dois jogos da final, finalizou menos, mas compensou com superioridade defensiva e efetividade nas bolas paradas.
- 2025 (semifinal): repete o padrão pragmático de 2017 e 2021: menor volume ofensivo, mas concentração máxima e aproveitamento em momentos decisivos.
Próxima Etapa: Confronto com o Confiança
O adversário na final será o Confiança de Sergipe, que eliminou o CSA por 1×0.
As decisões ocorrem em sistema de jogos de ida e volta:
- Jogo de ida: 3 de setembro de 2025, em Aracaju.
- Jogo de volta: 7 de setembro de 2025, em Salvador.
O Desafio contra o Confiança
O Confiança chega à final pela primeira vez com média de 10 finalizações por jogo no torneio, apostando na coletividade e no vigor físico. A equipe sergipana tem menor posse (média de 42%), mas alta intensidade na marcação e aproveitamento ofensivo superior ao Ceará.
Isso cria um cenário desafiador: o Bahia, acostumado a cadenciar e controlar, encontrará um adversário que joga sem o peso da tradição e que sabe ser letal quando tem oportunidades.
Veia Tradicionalista
O jogo deixou claro que dominar as estatísticas não garante a vitória. O Bahia é mestre em transformar paciência e organização tática em momentos decisivos — e fez isso com frieza nos acréscimos. O Confiança, por sua vez, representa a ignição de uma narrativa nova no futebol nordestino: é o encontro entre uma tradição consolidada e uma estreia audaciosa.
Esse duelo final, afinal, será mais que uma disputa por troféus: será batalha simbólica entre a solidez histórica do Bahia e a audácia emergente do Confiança. A história já pressagia: tradição versus novidade — com ressonância para todo o futebol regional.
Tradição consolidada contra a novidade insurgente
A classificação do Bahia reforça o peso das instituições consolidadas no futebol nordestino, mas ao mesmo tempo ilumina o surgimento de novos protagonistas, como o Confiança. A decisão será um confronto emblemático entre tradição e novidade, sinalizando a maturidade da Copa do Nordeste como torneio competitivo e plural, em que potências consagradas já não caminham sozinhas rumo ao título. O valor esportivo é inegável, mas a dimensão simbólica é ainda maior: para Sergipe, a presença do Confiança na final significa romper fronteiras históricas; para o Bahia, trata-se de defender seu estatuto de potência regional diante de um desafiante inesperado.
Historicamente, o Bahia encarna o espírito do futebol nordestino: equipes formadas por elencos estrelados em certos momentos, e em outros, por esquemas pragmáticos que apostaram na disciplina e na frieza. A semifinal contra o Ceará, decidida nos acréscimos, reafirma esse modelo de eficiência — o triunfo pela paciência, não pelo espetáculo. Em 2025, o Bahia demonstra, mais uma vez, que volume não é sinônimo de vitória, mas terá de se preparar para um adversário que joga sem o peso da tradição e que pode ousar onde outros hesitaram.
O duelo final adquire, assim, um caráter de metáfora esportiva: a tradição consolidada contra a novidade insurgente. Se o Bahia confirmar sua supremacia, ampliará sua hegemonia e reafirmará o papel histórico de guardião da identidade regional. Caso o Confiança surpreenda, poderá inaugurar um novo ciclo, em que a geografia da grandeza nordestina não se limitará mais aos centros tradicionais, mas se expandirá para novos polos de afirmação esportiva.
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