Na quarta-feira (20/08/2025), o deputado federal Leur Lomanto Jr. (União) utilizou a tribuna da Câmara dos Deputados para criticar duramente a decisão do Governo da Bahia de interditar a ponte de Mar Grande, localizada no município de Vera Cruz. A medida, determinada pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), foi tomada sem diálogo prévio com a prefeitura ou a comunidade local, segundo o parlamentar.
Leur classificou a decisão como arbitrária e desrespeitosa, afirmando que, além de comprometer a mobilidade, agrava a sensação de abandono enfrentada pelos moradores da Ilha, que há mais de 15 anos aguardam a promessa não cumprida da ponte Salvador–Itaparica.
O deputado destacou que a prefeitura de Vera Cruz e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) emitiram notas oficiais contrárias ao fechamento. De acordo com os comerciantes, a interdição ameaça gerar prejuízos significativos para o comércio local, além de dificultar o deslocamento diário de estudantes e trabalhadores que utilizam a ponte como via de acesso fundamental.
“Além de enganar a população com a promessa da ponte Salvador–Itaparica, o Governo ainda prejudica os moradores ao fechar a ponte de Mar Grande sem apresentar alternativas”, declarou o parlamentar em discurso.
Transporte marítimo sob pressão e risco de colapso econômico
A decisão reforça a dependência da travessia marítima entre Mar Grande e Salvador, já considerada sobrecarregada nos horários de pico. A CDL e autoridades locais alertaram que a medida pode levar a um colapso do comércio regional, já que a ponte de Mar Grande é um elo estratégico para a circulação de mercadorias e para o transporte alternativo.
O prefeito Igor Pinho (União) se somou às críticas, alegando que a decisão da Agerba careceu de planejamento e de um plano de contingência. “O transporte marítimo que liga Mar Grande a Salvador é essencial para movimentar a economia e manter a dinâmica do município. Sem essa alternativa, o comércio entra em colapso”, afirmou em nota conjunta com a CDL.
Promessas não cumpridas e desgaste político
Durante o pronunciamento, Leur Lomanto Jr. reforçou que a interdição expõe uma contradição do governo estadual: “O mesmo Governo do PT que há mais de 15 anos promete a ponte Salvador–Itaparica, agora, de forma arbitrária, fecha a ponte de Mar Grande, impondo mais dificuldades ao povo da Ilha. É mais uma demonstração de desrespeito de um governo que pouco tem contribuído com a região”.
A crítica retoma um dos temas mais sensíveis da política baiana. O projeto da ponte Salvador–Itaparica, anunciado ainda nos governos anteriores, já passou por diversos adiamentos, disputas contratuais e mudanças de cronograma. A ausência de resultados concretos transformou a promessa em símbolo de frustração para a população da Ilha de Itaparica e de cidades do entorno.
Desorganização e falta de planejamento
A decisão do governo estadual de interditar a ponte de Mar Grande sem apresentar alternativas imediatas acentua o desgaste político em torno da histórica promessa da Salvador–Itaparica. Ao mesmo tempo em que reforça a percepção de desorganização e falta de planejamento, abre espaço para que a oposição capitalize o descontentamento popular. A ausência de diálogo institucional, somada ao impacto direto sobre o comércio, os trabalhadores e estudantes, cria um cenário de fragilidade administrativa e descrédito que poderá repercutir nas próximas disputas eleitorais e nos debates sobre infraestrutura na Bahia.











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