Brasil detém cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, aponta SGB

País é líder global em nióbio e ocupa posição de destaque em grafita, terras raras e níquel segundo estudo do SGB.
País é líder global em nióbio e ocupa posição de destaque em grafita, terras raras e níquel segundo estudo do SGB.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou que o país possui aproximadamente 23% das reservas mundiais de terras raras, com um total estimado de 21 milhões de toneladas. O Brasil também detém 94% das reservas globais de nióbio (16 milhões de toneladas), sendo líder absoluto nesse segmento, e ocupa a segunda posição em reservas de grafita (74 milhões de toneladas, 26%). Em relação ao níquel, o país possui a terceira maior reserva mundial, com 16 milhões de toneladas (12%). Os dados constam na publicação “Uma Visão Geral do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil”, divulgada pelo SGB.

Apesar do potencial expressivo, a produção nacional de terras raras em 2024 foi de apenas 20 toneladas, o que representa menos de 1% da produção global, estimada em 390 mil toneladas. O diretor-presidente do SGB, Inácio Melo, destacou que o principal desafio é transformar o potencial geológico em reservas minerais economicamente exploráveis, por meio da descoberta de novas ocorrências e da superação de limitações tecnológicas e logísticas.

Atualmente, a China lidera a produção e o processamento tecnológico das terras raras, especialmente na cadeia de separação e refino dos óxidos de alta pureza (REO). Melo ressaltou que a cooperação entre o SGB, instituições de ciência e tecnologia (ICTs) e o setor privado será fundamental para o desenvolvimento tecnológico que viabilize a exploração econômica desses recursos no Brasil.

As maiores concentrações de elementos terras raras (ETRs) no país estão nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, conforme levantamentos do SGB, Agência Nacional de Mineração (ANM) e estudos técnicos. Esses estados concentram os principais depósitos com potencial econômico para exploração.

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos, que incluem os 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio. Destacam-se os elementos utilizados na fabricação de ímãs magnéticos, como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. Os minerais com maior potencial econômico para extração desses elementos são bastnaesita, monazita, xenotímio e loparita. Embora não sejam escassos na natureza, os ETRs são considerados minerais críticos devido à complexidade dos processos de extração e beneficiamento.

Os elementos terras raras têm aplicação significativa na indústria de alta tecnologia e energia limpa, sendo usados em turbinas eólicas, motores elétricos, além de equipamentos aeroespaciais, incluindo satélites, foguetes e mísseis. Suas propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas e luminescentes tornam esses minerais estratégicos para o desenvolvimento tecnológico.

O SGB desenvolve o Projeto de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, vinculado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, com foco em estados como Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. O órgão também realiza pesquisas em áreas potenciais nos estados do Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Piauí.

Em Minas Gerais, regiões como Araxá, Poços de Caldas e Tapira concentram depósitos relevantes, incluindo recursos estimados de 950 milhões de toneladas com teor de 0,25% de TREO (óxidos de terras raras). Em Goiás, o município de Minaçu destaca-se pela exploração da primeira mina fora da Ásia que opera um depósito de argila iônica, principal fonte de terras raras pesadas do mundo, com cerca de 22 milhões de toneladas de recursos medidos na mina de Serra Verde.

No Amazonas, depósitos como Seis Lagos e Pitinga apresentam ocorrências importantes, embora restrições legais impeçam a exploração em áreas indígenas. Na Bahia, o Complexo de Jequié e a região de Prado possuem depósitos com alta concentração de terras raras, associados a minerais como nióbio, urânio, tântalo, escândio e bauxita. Em Sergipe, depósitos em cordões litorâneos do delta do Rio São Francisco apresentam recursos estimados de 196 milhões de toneladas com 0,4% de concentrado de monazita.

A produção industrial de terras raras envolve processos físicos, químicos e metalúrgicos para transformar minérios em produtos comercializáveis, principalmente os óxidos de terras raras (REO), que possuem alto valor agregado. Empresas como a Mineração Serra Verde (Minaçu, GO) comercializam concentrados mistos de REO, com destaque para os elementos magnéticos críticos.


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