Na quarta-feira (20/08/2025), a Polícia Civil da Bahia afastou por 90 dias o delegado JMBS, investigado por solicitar vantagens indevidas a garimpeiros da região de Cansanção e Nordestina, no norte do estado. A operação “Ouro de Tolo” identificou movimentações financeiras de mais de R$ 12 milhões em suas contas pessoais, valor considerado incompatível com a renda declarada.
A ação policial, realizada nas primeiras horas da manhã, cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do delegado. Foram apreendidos R$ 90 mil em espécie, uma pistola, uma espingarda calibre 12 com registro vencido e um celular.
O relatório de inteligência financeira juntado ao inquérito revelou indícios de recebimento de recursos de mineradoras, comerciantes e postos de combustíveis da região. Além disso, a Justiça determinou a suspensão do porte e da posse de armas de fogo pelo servidor durante o período de afastamento.
Indícios de corrupção e falsificação de documentos
As investigações começaram após áudios encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil, nos quais o delegado teria solicitado vantagens de forma velada.
De acordo com os autos, também foram encontrados áudios e mensagens em que ele orientava um advogado a falsificar documentos para liberar valores apreendidos. Há ainda denúncias de que a delegacia sob seu comando mantinha relações próximas com criminosos locais, incluindo traficantes de drogas.
Desdobramentos e posição da defesa
Até a última atualização, o delegado não havia se pronunciado. O g1 informou que tentou contato com sua defesa, mas não obteve retorno. O afastamento de 90 dias poderá ser prorrogado, a depender do avanço do inquérito.
A Polícia Civil informou que o caso seguirá sob investigação e que, se comprovadas as irregularidades, o delegado poderá responder por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos públicos.
Possível rede de corrupção
O caso expõe a fragilidade das instituições policiais em áreas estratégicas da Bahia, marcadas por conflitos em torno da mineração e do garimpo ilegal. A magnitude dos valores movimentados — superiores a R$ 12 milhões — indica possível rede de corrupção estruturada, que ultrapassa a atuação isolada de um agente público. A ausência de explicações convincentes sobre a origem dos recursos reforça a necessidade de maior rigor na fiscalização interna da corporação, evitando que estruturas do Estado sejam capturadas por interesses ilícitos.
*Com informações do G1.








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