FIMUCBA promove Festival Internacional de Música de Câmara em Feira de Santana e transforma o Casarão Fróes da Motta em palco da música clássica

O 1º Festival Internacional de Música de Câmara da Bahia (FIMUCBA), realizado entre os dias 02 e 04 de agosto de 2025 no Casarão Fróes da Motta, em Feira de Santana, reuniu músicos de diversos países em concertos gratuitos e oficinas. Com o objetivo de democratizar o acesso à música clássica e valorizar o patrimônio histórico, o festival atraiu grande público e projetou o município no cenário cultural nacional.
Casa cheia no Casarão Fróes da Motta durante concerto do FIMUCBA, em Feira de Santana, no domingo (03/08/2025). Evento reuniu músicos nacionais e internacionais em programação gratuita.

O município de Feira de Santana, no interior da Bahia, sediou neste fim de semana a abertura do 1º Festival Internacional de Música de Câmara da Bahia (FIMUCBA), promovido pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com foco na democratização do acesso à música erudita, o evento propõe um modelo de concertos gratuitos e itinerantes, realizados em espaços simbólicos do estado, como o Casarão Fróes da Motta, onde se concentrou a programação inaugural.

O FIMUCBA surge como iniciativa pioneira de descentralização da cultura, buscando estabelecer um circuito anual de música de câmara na Bahia. Entre os dias 2 e 4 de agosto de 2025, o festival reuniu músicos brasileiros e estrangeiros, além de promover oficinas, masterclasses e atividades educativas. A proposta da curadoria é aproximar a música clássica do grande público, especialmente em cidades fora do eixo tradicional das grandes capitais.

Concerto inaugural une tradição e inovação

No sábado (03), às 11h, o Casarão recebeu a Orquestra de Violões da UFBA, a Filarmônica de Câmara da UFBA e o grupo Choro da Feira, em uma apresentação conjunta que mesclou o choro brasileiro à música erudita. O concerto, marcado pela alta qualidade interpretativa e pela resposta calorosa do público, consolidou o objetivo do festival de unir tradição popular e formação acadêmica.

Programação internacional e repertório diversificado

A programação do FIMUCBA incluiu repertórios de Mozart, Beethoven, Villa-Lobos e compositores contemporâneos, além da apresentação de grupos e solistas renomados. Entre os destaques:

  • Quarteto Bahia, grupo residente do festival, com arranjos inéditos de compositores baianos;

  • Recital da violinista francesa Claire Duvier, em duo com o violoncelista argentino Tomás Varela;

  • Oficina de interpretação barroca com o maestro e cravista Rafael Moreno.

Estreia nacional do chalumeau barroco emociona o público

Um dos momentos mais esperados foi a performance do professor e clarinetista Dr. Joel Barbosa, que apresentou o Concerto para Chalumeau e Orquestra de Johann Friedrich Fasch. A peça foi executada em uma adaptação inédita para chalumeau e orquestra de violões, evidenciando o compromisso do festival com repertórios pouco explorados e a formação de público para a música erudita.

O chalumeau, instrumento de sopro do período barroco e precursor do clarinete moderno, teve rara exibição no Brasil, despertando atenção e curiosidade da plateia.

Casarão Fróes da Motta como palco de excelência musical

A sede principal do festival foi o Casarão Fróes da Motta, um dos mais importantes imóveis históricos de Feira de Santana. Localizado na Rua General Câmara, o prédio do século XIX foi recentemente restaurado e adaptado com acústica refinada, ideal para a apreciação da música de câmara. O espaço foi palco de apresentações que aliaram qualidade artística, valorização patrimonial e acesso gratuito à cultura.

Segundo o professor Carlos Alberto Oliveira Brito, docente da UEFS e secretário municipal, “o festival consolida o casarão como equipamento cultural estratégico, articulando memória, arte e cidadania”.

Formação de plateia e articulação institucional

O FIMUCBA também se propõe como projeto de formação cultural, com ações voltadas a jovens e estudantes da rede pública. A previsão para as próximas edições inclui concertos didáticos em escolas e apresentações em comunidades periféricas, fortalecendo a dimensão social e pedagógica da iniciativa.

O festival conta com o apoio da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, da própria UFBA e de instituições internacionais de fomento à arte. A permanência do evento depende da continuidade do apoio institucional e da mobilização de patrocinadores privados.

Segundo o curador Ricardo Camponogara, “o festival visa ocupar espaços históricos e simbólicos, como o Casarão Fróes da Motta, proporcionando uma experiência cultural única para o público e estimulando novas gerações de músicos e apreciadores da música clássica”.

Expansão para Salvador e interiorização da música erudita

Além de Feira de Santana, o festival estende sua programação à capital baiana. No dia 5 de agosto, o grupo Choro da Feira apresenta-se no Auditório 2 de Julho do IFBA, em Salvador, às 19h. A itinerância simboliza a conexão entre o interior e a capital, reafirmando o espírito integrador e educativo do evento.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.