FIMUCBA promove Festival Internacional de Música de Câmara em Feira de Santana e transforma o Casarão Fróes da Motta em palco da música clássica

O município de Feira de Santana, no interior da Bahia, sediou neste fim de semana a abertura do 1º Festival Internacional de Música de Câmara da Bahia (FIMUCBA), promovido pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com foco na democratização do acesso à música erudita, o evento propõe um modelo de concertos gratuitos e itinerantes, realizados em espaços simbólicos do estado, como o Casarão Fróes da Motta, onde se concentrou a programação inaugural.

O FIMUCBA surge como iniciativa pioneira de descentralização da cultura, buscando estabelecer um circuito anual de música de câmara na Bahia. Entre os dias 2 e 4 de agosto de 2025, o festival reuniu músicos brasileiros e estrangeiros, além de promover oficinas, masterclasses e atividades educativas. A proposta da curadoria é aproximar a música clássica do grande público, especialmente em cidades fora do eixo tradicional das grandes capitais.

Concerto inaugural une tradição e inovação

No sábado (03), às 11h, o Casarão recebeu a Orquestra de Violões da UFBA, a Filarmônica de Câmara da UFBA e o grupo Choro da Feira, em uma apresentação conjunta que mesclou o choro brasileiro à música erudita. O concerto, marcado pela alta qualidade interpretativa e pela resposta calorosa do público, consolidou o objetivo do festival de unir tradição popular e formação acadêmica.

Programação internacional e repertório diversificado

A programação do FIMUCBA incluiu repertórios de Mozart, Beethoven, Villa-Lobos e compositores contemporâneos, além da apresentação de grupos e solistas renomados. Entre os destaques:

  • Quarteto Bahia, grupo residente do festival, com arranjos inéditos de compositores baianos;

  • Recital da violinista francesa Claire Duvier, em duo com o violoncelista argentino Tomás Varela;

  • Oficina de interpretação barroca com o maestro e cravista Rafael Moreno.

Estreia nacional do chalumeau barroco emociona o público

Um dos momentos mais esperados foi a performance do professor e clarinetista Dr. Joel Barbosa, que apresentou o Concerto para Chalumeau e Orquestra de Johann Friedrich Fasch. A peça foi executada em uma adaptação inédita para chalumeau e orquestra de violões, evidenciando o compromisso do festival com repertórios pouco explorados e a formação de público para a música erudita.

O chalumeau, instrumento de sopro do período barroco e precursor do clarinete moderno, teve rara exibição no Brasil, despertando atenção e curiosidade da plateia.

Casarão Fróes da Motta como palco de excelência musical

A sede principal do festival foi o Casarão Fróes da Motta, um dos mais importantes imóveis históricos de Feira de Santana. Localizado na Rua General Câmara, o prédio do século XIX foi recentemente restaurado e adaptado com acústica refinada, ideal para a apreciação da música de câmara. O espaço foi palco de apresentações que aliaram qualidade artística, valorização patrimonial e acesso gratuito à cultura.

Segundo o professor Carlos Alberto Oliveira Brito, docente da UEFS e secretário municipal, “o festival consolida o casarão como equipamento cultural estratégico, articulando memória, arte e cidadania”.

Formação de plateia e articulação institucional

O FIMUCBA também se propõe como projeto de formação cultural, com ações voltadas a jovens e estudantes da rede pública. A previsão para as próximas edições inclui concertos didáticos em escolas e apresentações em comunidades periféricas, fortalecendo a dimensão social e pedagógica da iniciativa.

O festival conta com o apoio da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, da própria UFBA e de instituições internacionais de fomento à arte. A permanência do evento depende da continuidade do apoio institucional e da mobilização de patrocinadores privados.

Segundo o curador Ricardo Camponogara, “o festival visa ocupar espaços históricos e simbólicos, como o Casarão Fróes da Motta, proporcionando uma experiência cultural única para o público e estimulando novas gerações de músicos e apreciadores da música clássica”.

Expansão para Salvador e interiorização da música erudita

Além de Feira de Santana, o festival estende sua programação à capital baiana. No dia 5 de agosto, o grupo Choro da Feira apresenta-se no Auditório 2 de Julho do IFBA, em Salvador, às 19h. A itinerância simboliza a conexão entre o interior e a capital, reafirmando o espírito integrador e educativo do evento.


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