Neste domingo (03/08/2025), manifestantes alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tomaram as ruas em ao menos 20 capitais brasileiras e cidades do interior, em protestos convocados sob o lema “Reaja Brasil”, marcando a mais ampla mobilização da direita desde as medidas restritivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-mandatário.
O ato na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu 57.600 pessoas, segundo o jornal Poder360, que utilizou fotos aéreas de alta resolução com sobreposição via Google Earth e análise de densidade populacional por metro quadrado. Já o Monitor do Debate Político no Meio Digital da USP, em parceria com a ONG More in Common, estimou 37.600 pessoas, com margem de erro de 12%.
Protestos em resposta às sanções dos EUA e à crise do tarifaço
Sanções a Moraes e tarifa de 50% contra o Brasil ampliam engajamento da direita
Os protestos ocorrem quatro dias após o governo Donald Trump aplicar sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Global Magnitsky, destinada a punir autoridades estrangeiras envolvidas em corrupção ou violações de direitos humanos. As medidas incluem bloqueio de bens e restrições bancárias.
Simultaneamente, Trump impôs um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, acirrando tensões diplomáticas e criando um novo elemento de pressão sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esses dois fatos catalisaram os protestos, que ganharam contornos geopolíticos, com manifestantes ostentando bandeiras dos EUA e Israel e exibindo faixas com dizeres como “Thank you, Trump” e “Fora Moraes”.
Pauta do impeachment e da anistia domina manifestações
Parlamentares e líderes religiosos pedem ação do Congresso
Os discursos nos carros de som focaram na defesa da anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro de 2023, acusados de tentativa de golpe de Estado, e na pressão por abertura de processo de impeachment contra Moraes e Lula.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), diretamente dos EUA, afirmou que está em curso articulação com parlamentares europeus para expandir sanções contra membros do STF. “Em breve, nem Paris haverá mais para eles”, disse em tom de ameaça, durante transmissão ao vivo em Belo Horizonte.
O pastor Silas Malafaia, em São Paulo, criticou os presidenciáveis de direita ausentes:
“Cadê aqueles que dizem ser a opção no lugar de Bolsonaro? Estão com medo do STF? Por isso, minha gente, que 2026 é Bolsonaro”.
Ausência de Bolsonaro não impede engajamento
Ex-presidente participa por vídeo e fortalece base política
Mesmo proibido de sair de casa aos fins de semana, Jair Bolsonaro participou de forma remota das manifestações em Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, por meio de videoconferências transmitidas por aliados como os filhos Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro, que também marcaram presença em diferentes cidades.
Bolsonaro está sob medidas cautelares determinadas por Moraes, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais e de visitas a embaixadas, em decorrência de suspeitas de colaboração com autoridades estrangeiras para interferir em assuntos internos do Brasil. O julgamento sobre sua suposta tentativa de golpe está previsto para setembro.
Atos se espalham por capitais e interior
Salvador, Brasília, Rio, Belém, Goiânia e Curitiba registram atos simultâneos
Em Salvador (BA), o protesto reuniu centenas de pessoas na orla da Barra, com percurso até o Cristo da Barra. Faixas pediam anistia, a saída de Lula e apoio a Trump. Também ocorreram manifestações em Feira de Santana, Barreiras, São José do Rio Preto, Araçatuba, Joinville, Curitiba, Florianópolis e Criciúma, com a presença do vereador Carlos Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, o ato ocupou dois quarteirões da orla de Copacabana. O senador Flávio Bolsonaro e o governador Cláudio Castro (PL) participaram e defenderam o ex-presidente como “única opção viável” para 2026.
Em Brasília, cerca de 4 mil manifestantes se reuniram em frente ao Banco Central. Parlamentares como os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Márcio Bittar (União-AC), e as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Caroline de Toni (PL-SC) discursaram pedindo o fim do foro privilegiado e a aprovação imediata da anistia.
Imprensa internacional acompanha com atenção
Al-Jazeera, Reuters e France Press destacam apoio a Trump e crítica ao STF
A manifestação teve ampla cobertura internacional. A rede Al-Jazeera observou que os manifestantes agradeceram a Trump e levantaram faixas com fotos do ex-presidente americano. A agência Reuters destacou os gritos de “Magnitsky” e insultos a Moraes e Lula. Já a France Press lembrou que Bolsonaro, aos 70 anos, não pôde participar por ordem judicial e enfrenta julgamento por tentativa de golpe.
Mobilização nacional
A onda de manifestações do dia 03/08/2025 demonstra que, mesmo sob restrições judiciais e diante de um contexto jurídico hostil, o bolsonarismo mantém capacidade de mobilização nacional. A conexão com a pauta internacional – sobretudo as sanções dos EUA – oferece novo fôlego político ao ex-presidente, ao mesmo tempo em que a ausência de nomes alternativos sólidos à direita fragiliza a sucessão de Bolsonaro.
Contudo, o esvaziamento progressivo dos atos em relação a 2023 e 2024 evidencia fadiga no engajamento popular e uma possível erosão do entusiasmo espontâneo da base conservadora. A insistência em pautas repetitivas – anistia, impeachment, ataque ao STF – reforça a polarização, mas pouco contribui para a construção de um projeto viável de poder em 2026.
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Estimativas de público em São Paulo:
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Poder360: 57.600 pessoas
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USP/More in Common: 37.600 (margem de erro: ±12%)
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Outras estimativas de público:
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Brasília: 4.000
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Copacabana (RJ): duas quadras ocupadas
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Salvador: sem estimativa oficial; ato percorreu Barra até o Cristo
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Feira de Santana e Barreiras (BA): carreatas e concentração pacífica
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