Quinta-feira (28/08/2025) – A Receita Federal, em cooperação com órgãos federais e estaduais, deflagrou a Operação Carbono Oculto, considerada a maior ação institucional já realizada no país contra o crime organizado no setor de combustíveis. A operação investiga fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e práticas de ocultação de patrimônio envolvendo centenas de empresas e pessoas físicas.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, destacou que a operação comprova que o enfrentamento ao crime precisa ser conduzido com inteligência e investigação, e não com a lógica da repressão armada. Segundo ele, a ação foi conduzida de forma planejada e legal, sem colocar em risco a vida de agentes ou de comunidades.
Estrutura do esquema investigado
As apurações revelam que o crime organizado controla diferentes elos da cadeia de combustíveis, desde a importação e produção até a distribuição e venda ao consumidor final. A lavagem de dinheiro seria viabilizada por meio de fintechs e fundos de investimento, com o objetivo de blindar patrimônios ilícitos e dificultar a rastreabilidade dos recursos.
Foram mais de 350 alvos identificados em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Os crimes apurados incluem fraude fiscal, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, estelionato e lavagem de dinheiro.
Cooperação institucional inédita
A ação mobilizou diversos órgãos, entre eles:
- Receita Federal do Brasil (RFB)
- Polícia Federal (PF)
- Polícias Civil e Militar de diferentes estados
- Agência Nacional do Petróleo (ANP)
- Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP), por meio do Gaerfis (Grupo de Atuação Especial para Recuperação Fiscal)
De acordo com os investigadores, essa integração institucional permitiu atingir com precisão o núcleo financeiro e logístico do esquema, atingindo empresários que, até então, operavam com relativa impunidade.
Repercussão política e institucional
O secretário Felipe Freitas reforçou que os recursos ilícitos movimentados pelo crime organizado não estão restritos às periferias urbanas, mas circulam entre grandes grupos empresariais que exploram brechas fiscais e regulatórias. Ele parabenizou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela condução de uma política que busca restringir privilégios tributários e fortalecer o combate à sonegação.
Freitas também criticou o discurso que reduz a segurança pública ao lema de que “bandido bom é bandido morto”, defendendo que operações estruturadas, como a Carbono Oculto, representam avanços concretos na construção de um país mais seguro, dentro do marco da legalidade e do respeito aos direitos fundamentais.
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