A Bahia foi o estado com maior número de propostas na Chamada Nordeste, iniciativa inédita do Consórcio Nordeste, realizada em parceria com BNDES, FINEP, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal. O programa prevê a disponibilização de R$ 10 bilhões em crédito para apoiar negócios estratégicos na região.
O estado apresentou 63 projetos, que somam R$ 39 bilhões em demanda por financiamento, superando sozinha em mais de três vezes o valor total disponibilizado para os nove estados nordestinos. As propostas contemplam áreas como transição energética, bioeconomia e inovação tecnológica.
Encontro regional prepara terreno para a COP 30 no Pará
Os projetos foram apresentados durante a COP Nordeste, realizada em Fortaleza (CE) como reunião preparatória para a COP 30, marcada para novembro, em Belém (PA). O encontro teve como objetivo articular medidas regionais que dialoguem com as metas globais de desenvolvimento sustentável e combate às mudanças climáticas.
Segundo o governador Jerônimo Rodrigues (PT-BA), o desempenho da Bahia evidencia a maturidade do setor produtivo local.
“Temos projetos robustos e inovadores que vão gerar empregos, renda e acelerar a transição energética. O protagonismo baiano é fruto de planejamento e diálogo com investidores”, afirmou.
Interesse nacional e competitividade regional
No total, a Chamada Nordeste recebeu 246 projetos oriundos de empresas, cooperativas e consórcios. Embora voltada para a região, a chamada atraiu interesse de companhias sediadas em outros estados, que representaram um terço das propostas apresentadas.
Mesmo em cenário competitivo, a Bahia liderou o ranking, confirmando-se como polo de investimentos regionais e ampliando sua relevância em setores estratégicos para a economia brasileira.
Setores prioritários e linhas de financiamento
O edital prevê apoio a cinco áreas prioritárias:
- Energias renováveis, com ênfase em armazenamento;
- Bioeconomia;
- Hidrogênio verde;
- Implantação de data centers verdes;
- Indústria automotiva e de máquinas agrícolas.
Os projetos inscritos apresentaram orçamento mínimo de R$ 10 milhões, contemplando infraestrutura, equipamentos, pesquisa e inovação tecnológica.
Protagonismo da Bahia
O protagonismo da Bahia no número de propostas evidencia a força de seu setor produtivo e a capacidade de mobilização junto ao Consórcio Nordeste. Entretanto, o descompasso entre a demanda (R$ 39 bilhões) e a oferta (R$ 10 bilhões) de crédito indica que apenas uma parcela dos projetos poderá ser contemplada, o que pode gerar frustrações ou disputas políticas entre os estados. O desafio será transformar esse capital de planejamento em execução prática, garantindo que os investimentos se convertam em impacto econômico e social efetivo.








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