Na sexta-feira (19/09/2025), ganhou repercussão a revelação de que Paulo Boudens, advogado e homem de confiança de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recebeu R$ 3 milhões da empresa Arpar Participação e Empreendimentos, investigada pela Polícia Federal por participação no esquema de fraudes no INSS.
O caso integra as apurações da CPMI das Aposentadorias, que busca esclarecer como um esquema estruturado por sindicatos, associações corporativas e servidores desviou aproximadamente R$ 4 bilhões dos contracheques de aposentados. O principal operador seria o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”.
Esquema de fraudes e o papel da Arpar
De acordo com relatório da PF, a Arpar atuava como empresa de passagem, movimentando valores rapidamente para terceiros e dificultando o rastreamento do dinheiro. Entre 2023 e 2024, a companhia recebeu R$ 49 milhões de empresas ligadas a Antunes. Parte desse montante foi destinada a Paulo Boudens, exatamente no período em que as fraudes atingiram o auge.
A polícia aponta que os recursos eram repassados sem justificativa aparente e depois redistribuídos em circuitos financeiros que incluíam pagamentos a terceiros, entre eles Boudens. A suspeita é de lavagem de dinheiro e ocultação de pagamentos políticos.
Resistência no Senado e sigilo de 100 anos
A CPMI tentou acessar registros de circulação de Antunes em gabinetes parlamentares, mas o Senado, sob comando de Alcolumbre, impôs sigilo de 100 anos. Parlamentares pressionam pela revisão da medida, sob alegação de que o bloqueio fere o princípio da transparência em investigações de interesse público.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que pretende convocar todos os beneficiários dos repasses da Arpar para depoimento. Já a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) defendeu a quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos como “indispensável para a completa elucidação do esquema”.
O histórico de Paulo Boudens
Não é a primeira vez que o nome de Boudens surge em escândalos relacionados a Alcolumbre. Em 2021, ele assumiu a responsabilidade por um caso de rachadinha em que servidores fantasmas devolviam parte dos salários ao gabinete do senador. Na época, firmou acordo com a Justiça e devolveu os valores desviados.
Mesmo após o episódio, Boudens permaneceu próximo de Alcolumbre, ocupando cargos de assessor no Senado até 2024. Atualmente, atua no conselho de assuntos políticos da Casa. Procurado pela imprensa, não se manifestou sobre as novas acusações.
O silêncio do “Careca do INSS”
A expectativa da CPMI era ouvir o depoimento de Antunes, mas o lobista foi preso dias antes da sessão marcada para 15 de setembro. Conhecido por frequentar diversos gabinetes, ele poderia detalhar as conexões políticas do esquema. Com a prisão, a estratégia dos parlamentares se concentra em seguir o rastro financeiro dos repasses.
Vulnerabilidade institucional
O escândalo do INSS expõe duas camadas de vulnerabilidade institucional: de um lado, a fragilidade no controle de cadastros e descontos em aposentadorias; de outro, a resistência do Senado em dar transparência às relações políticas envolvidas. A permanência de sigilos centenários alimenta desconfiança e compromete a credibilidade do Legislativo. Caso se confirmem os indícios de lavagem de dinheiro, o episódio pode aprofundar a crise de confiança na gestão de recursos públicos e reforçar o debate sobre blindagens políticas e accountability no Congresso Nacional.
*Com informações da Revista Veja.











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