O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta quinta-feira (04/09/2025) o programa Gás do Povo, iniciativa que garante a gratuidade do botijão de gás para famílias de baixa renda em todo o país. A Bahia será contemplada com 1,84 milhão de famílias beneficiadas, dentro de um universo nacional de 15,5 milhões de famílias, somando cerca de 50 milhões de pessoas atendidas.
Legenda: Presidente Lula lança o programa Gás do Povo em Belo Horizonte, quinta-feira (04/09/2025), que vai atender 15,5 milhões de famílias em todo o país. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O governo estima que até março de 2026 o programa atinja 100% do público-alvo, com distribuição anual de 65 milhões de botijões. Em 2025, a fase de transição substituirá o Auxílio Gás, que atualmente repassa valores em dinheiro, pelo fornecimento direto do botijão nas revendas credenciadas.
Segundo o presidente Lula, a medida busca reduzir desigualdades sociais e assegurar dignidade às famílias:
“Uma pessoa não pode gastar 10% do salário mínimo para comprar gás. Vamos assumir a responsabilidade de que os mais pobres recebam o gás de graça”, afirmou.
Impacto social e segurança alimentar
O programa pretende fortalecer o acesso ao gás de cozinha, reduzindo a dependência da lenha, que ainda é utilizada por cerca de 12,7 milhões de famílias brasileiras, de acordo com o IBGE (2022). O uso da lenha está associado a doenças respiratórias e afeta especialmente mulheres e crianças, principais responsáveis pela coleta e preparo dos alimentos.
Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a queima de lenha pode gerar concentrações de poluentes até 33 vezes superiores aos limites recomendados, aumentando em até três vezes o risco de infecções respiratórias graves em crianças.
Regiões e estados contemplados
O Nordeste será a região mais beneficiada, com 7,1 milhões de famílias atendidas. Em seguida vêm o Sudeste (4,4 milhões), o Norte (2,1 milhões), o Sul (1,1 milhão) e o Centro-Oeste (889 mil).
Oito estados terão mais de 1 milhão de famílias contempladas:
- Bahia (1,84 milhão)
- São Paulo (1,87 milhão)
- Minas Gerais (1,20 milhão)
- Rio de Janeiro (1,12 milhão)
- Pernambuco (1,14 milhão)
- Ceará (1,13 milhão)
- Pará (1,11 milhão)
- Maranhão (1,01 milhão)
Quem terá direito ao benefício
O programa atenderá famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 759), com prioridade para beneficiários do Bolsa Família.
A quantidade de botijões distribuídos varia conforme o tamanho da família:
- 2 integrantes → até 3 botijões por ano
- 3 integrantes → até 4 botijões por ano
- 4 ou mais integrantes → até 6 botijões por ano
A retirada será feita diretamente nas revendas credenciadas, mediante vale digital validado eletronicamente.
Investimentos e gestão do programa
Para 2025, o governo prevê R$ 3,57 bilhões em investimentos. Já em 2026, quando o programa estará em plena execução, o valor deve atingir R$ 5,1 bilhões.
A gestão será feita pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que também administra o Bolsa Família. O Ministério de Minas e Energia será responsável pela articulação com a rede de distribuição de GLP.
Saúde pública e redução da pobreza energética
Segundo o ministro Alexandre Silveira, o programa é estratégico para combater a pobreza energética e ampliar a segurança alimentar:
“O Gás do Povo garante alívio no orçamento, protege a saúde e oferece dignidade. É uma das políticas sociais mais importantes do nosso governo.”
Além de reduzir riscos de saúde, o programa deve também liberar tempo das famílias, já que o uso da lenha exige, em média, 18 horas semanais de coleta, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE, 2023). Esse tempo poderá ser destinado a estudo e atividades produtivas.
GLP como item essencial
O Gás do Povo reforça a agenda social do governo Lula e consolida o GLP como item essencial de cidadania. A substituição do modelo de repasse em dinheiro por entrega direta busca maior eficiência administrativa e redução de fraudes, mas também coloca desafios logísticos diante da necessidade de capilaridade da rede de revendas. Ao priorizar a saúde e a dignidade, o programa dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas dependerá de gestão rigorosa e coordenação federativa para evitar atrasos e desigualdades regionais na execução.
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