Governo Milei enfrenta crise política e econômica após escândalo de corrupção e derrota eleitoral

Derrota nas eleições regionais e denúncias envolvendo irmã do presidente aumentam instabilidade na Argentina.
Derrota nas eleições regionais e denúncias envolvendo irmã do presidente aumentam instabilidade na Argentina.

O governo do presidente argentino Javier Milei enfrenta o momento mais delicado de sua gestão, após a derrota nas eleições legislativas da província de Buenos Aires, denúncias de corrupção envolvendo sua irmã Karina Milei e sinais de fragilidade na política econômica. Especialistas ouvidos nesta terça-feira (16/09/2025) apontam que a combinação de fatores pode comprometer a governabilidade e o desempenho do governo nas próximas eleições nacionais, previstas para 26 de outubro.

Resultados eleitorais e impacto político

Nas eleições regionais da semana passada, a aliança peronista Força Pátria, liderada pelo governador Axel Kicillof, venceu com 46,93% dos votos, enquanto a coalizão La Libertad Avanza (LLA), de Milei, obteve 33%. A disputa serviu como termômetro para as eleições nacionais e revelou queda de popularidade, principalmente entre a população de menor renda, setor que inicialmente apoiava o presidente.

Análise de especialistas

A pesquisadora Beatriz Bandeira de Mello, da UERJ, observa que o desgaste se deve aos cortes de benefícios e políticas sociais, afetando a base popular de Milei. O professor Matheus Oliveira, do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, destaca que o escândalo de corrupção envolvendo Karina Milei, apontada em denúncias de desvio de recursos da Agência Nacional de Deficiência, impacta o núcleo do governo e prejudica a narrativa anticorrupção adotada pelo presidente.

Crise econômica e instabilidade

A política econômica do governo, voltada para setores de renda média e alta, enfrenta desconfiança do mercado após queda das bolsas e aumento do risco país. O manejo da inflação e a recente liberalização do mercado de câmbio, seguida de intervenções governamentais, demonstram a dificuldade do Executivo em manter metas consistentes, prejudicando a confiança de investidores e empresários.

Pressão sobre negociações políticas

Com minoria no Congresso, o governo Milei terá dificuldade para implementar reformas e cortes adicionais, aumentando o tensionamento entre política econômica e políticas sociais. Especialistas ressaltam que a postura confrontadora do presidente, aliada à falta de conciliação com outros atores políticos, exigirá ajustes estratégicos para evitar o colapso institucional.

Perspectivas para eleições nacionais

As eleições de 26 de outubro serão termômetro para a viabilidade do governo, podendo redefinir a força da direita no país. O apoio dos jovens e setores mais alinhados à política econômica pode não ser suficiente, caso os escândalos e a insatisfação popular persistam. A tendência, segundo especialistas, é que eleitores busquem alternativas dentro da direita, questionando a capacidade de Milei de conciliar interesses internos e externos.

*Com informações da Sputnik News.


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