Julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e violência na Bahia dominam sessões da Câmara Municipal de Salvador

Nos dias 2 e 3 de setembro de 2025, as sessões da Câmara de Salvador foram dominadas pelo julgamento de Jair Bolsonaro no STF e pelos debates sobre a violência na Bahia. A oposição celebrou o processo como marco democrático, enquanto governistas criticaram políticas estaduais de segurança. O julgamento segue no STF, enquanto professores pressionam pela retomada de projeto que altera suas carreiras e gratificações.
Vereadores da capital baiana debatem julgamento de Jair Bolsonaro no STF e a escalada da violência no estado. Sessões ordinárias ficaram marcadas por embates entre oposição e governistas.

Na terça-feira (02/09/2025), o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus no Supremo Tribunal Federal (STF), acusados de tentativa de golpe relacionada aos ataques de 8 de janeiro de 2023, foi o tema central da 54ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Salvador.

A oposição, representada pelas vereadoras Aladilce Souza (PCdoB), Marta Rodrigues (PT) e pelo vereador Sílvio Humberto (PSB), destacou que “o 2 de setembro será histórico para a democracia brasileira”. Marta ressaltou que o processo é resultado da resistência das instituições:

“Bolsonaro tentou desmontar a democracia, atacar instituições e ameaçar o funcionamento do Estado de Direito. Este é um dia que ficará marcado na história”. Sílvio reforçou, mencionando a existência de um suposto “plano de assassinato de autoridades”.

Segurança pública e críticas ao governo estadual

Enquanto a oposição focava no julgamento, a base governista concentrou-se na violência em Salvador e na Bahia. O vereador Duda Sanches (União) defendeu projeto que obriga a instalação de câmeras em veículos de aplicativos, citando o Anuário Brasileiro de Segurança Pública: Salvador foi a capital mais violenta do Brasil em 2024, com taxa de mortes violentas de 52%.

Já o vereador Alexandre Aleluia (PL) criticou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) pelo envio de projeto à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) propondo penas alternativas à prisão.

“É um tapa na cara do baiano que convive com tanta violência. Crime se enfrenta com lei e ordem”, afirmou. Ele destacou que nove cidades baianas figuraram entre as 20 mais violentas do país no último levantamento nacional.

Réplica da oposição e debate sobre desigualdades

A líder da oposição, Aladilce Souza, rebateu os argumentos, lembrando que Salvador é a terceira pior capital em qualidade de vida no Brasil. Para a vereadora, o enfrentamento à violência não deve se restringir ao policiamento:

“Precisamos de um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano que combata desigualdades e faça a economia alavancar novamente”, afirmou.

O embate expôs visões distintas: de um lado, a ênfase na repressão criminal; de outro, a defesa de políticas sociais e estruturais para reduzir a violência.

Segundo dia de julgamento repercute na Câmara

Na quarta-feira (03/09/2025), o julgamento voltou a pautar a sessão. O vereador Cezar Leite (PL) acusou o STF de promover uma condenação política: “Querem condenar Bolsonaro com verniz de justiça”. Ele citou denúncias de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no TSE, sobre suposta manipulação de informações.

Em contraponto, Marta Rodrigues (PT) reiterou que o julgamento é aguardado pela população como resposta às ameaças à democracia e relembrou a postura de Bolsonaro durante a pandemia. Já Aladilce Souza (PCdoB) destacou que testemunhas confirmaram a participação direta do ex-presidente na minuta do golpe e em reuniões de articulação.

Próximos passos do julgamento no STF

O julgamento prossegue na Primeira Turma do STF, composta por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. São necessários três votos para definir condenação ou absolvição dos réus. O parecer do relator, Moraes, será seguido dos votos dos demais ministros, o que deve se estender até a próxima semana.

Professores pressionam por votação de projeto

Além do tema político, a sessão incluiu reivindicações da área de educação. O vereador Hamilton Assis (PSOL) pediu a retomada do Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 03/2025, que altera a carreira e a remuneração dos professores e servidores da Educação de Salvador. A proposta atualiza gratificações e permite converter licenças-prêmio em valores financeiros.

Segundo Assis, o projeto é essencial para consolidar o acordo que encerrou a greve de mais de 70 dias dos professores municipais, mas sua retirada da pauta gerou apreensão entre os servidores.

Crise institucional nacional e violência urbana local

Os debates na Câmara Municipal de Salvador evidenciam a intersecção entre crise institucional nacional e realidade local de violência urbana. O julgamento de Bolsonaro divide narrativas: para a oposição, é marco democrático; para aliados, perseguição política. Ao mesmo tempo, a violência na Bahia aparece como pano de fundo para disputas ideológicas, em que projetos de segurança pública são contrapostos a políticas de desenvolvimento urbano. A inclusão do tema educacional reforça a complexidade da pauta municipal, que reflete tanto a crise nacional quanto os desafios locais de governança.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.