Julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e violência na Bahia dominam sessões da Câmara Municipal de Salvador

Na terça-feira (02/09/2025), o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus no Supremo Tribunal Federal (STF), acusados de tentativa de golpe relacionada aos ataques de 8 de janeiro de 2023, foi o tema central da 54ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Salvador.

A oposição, representada pelas vereadoras Aladilce Souza (PCdoB), Marta Rodrigues (PT) e pelo vereador Sílvio Humberto (PSB), destacou que “o 2 de setembro será histórico para a democracia brasileira”. Marta ressaltou que o processo é resultado da resistência das instituições:

“Bolsonaro tentou desmontar a democracia, atacar instituições e ameaçar o funcionamento do Estado de Direito. Este é um dia que ficará marcado na história”. Sílvio reforçou, mencionando a existência de um suposto “plano de assassinato de autoridades”.

Segurança pública e críticas ao governo estadual

Enquanto a oposição focava no julgamento, a base governista concentrou-se na violência em Salvador e na Bahia. O vereador Duda Sanches (União) defendeu projeto que obriga a instalação de câmeras em veículos de aplicativos, citando o Anuário Brasileiro de Segurança Pública: Salvador foi a capital mais violenta do Brasil em 2024, com taxa de mortes violentas de 52%.

Já o vereador Alexandre Aleluia (PL) criticou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) pelo envio de projeto à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) propondo penas alternativas à prisão.

“É um tapa na cara do baiano que convive com tanta violência. Crime se enfrenta com lei e ordem”, afirmou. Ele destacou que nove cidades baianas figuraram entre as 20 mais violentas do país no último levantamento nacional.

Réplica da oposição e debate sobre desigualdades

A líder da oposição, Aladilce Souza, rebateu os argumentos, lembrando que Salvador é a terceira pior capital em qualidade de vida no Brasil. Para a vereadora, o enfrentamento à violência não deve se restringir ao policiamento:

“Precisamos de um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano que combata desigualdades e faça a economia alavancar novamente”, afirmou.

O embate expôs visões distintas: de um lado, a ênfase na repressão criminal; de outro, a defesa de políticas sociais e estruturais para reduzir a violência.

Segundo dia de julgamento repercute na Câmara

Na quarta-feira (03/09/2025), o julgamento voltou a pautar a sessão. O vereador Cezar Leite (PL) acusou o STF de promover uma condenação política: “Querem condenar Bolsonaro com verniz de justiça”. Ele citou denúncias de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no TSE, sobre suposta manipulação de informações.

Em contraponto, Marta Rodrigues (PT) reiterou que o julgamento é aguardado pela população como resposta às ameaças à democracia e relembrou a postura de Bolsonaro durante a pandemia. Já Aladilce Souza (PCdoB) destacou que testemunhas confirmaram a participação direta do ex-presidente na minuta do golpe e em reuniões de articulação.

Próximos passos do julgamento no STF

O julgamento prossegue na Primeira Turma do STF, composta por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. São necessários três votos para definir condenação ou absolvição dos réus. O parecer do relator, Moraes, será seguido dos votos dos demais ministros, o que deve se estender até a próxima semana.

Professores pressionam por votação de projeto

Além do tema político, a sessão incluiu reivindicações da área de educação. O vereador Hamilton Assis (PSOL) pediu a retomada do Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 03/2025, que altera a carreira e a remuneração dos professores e servidores da Educação de Salvador. A proposta atualiza gratificações e permite converter licenças-prêmio em valores financeiros.

Segundo Assis, o projeto é essencial para consolidar o acordo que encerrou a greve de mais de 70 dias dos professores municipais, mas sua retirada da pauta gerou apreensão entre os servidores.

Crise institucional nacional e violência urbana local

Os debates na Câmara Municipal de Salvador evidenciam a intersecção entre crise institucional nacional e realidade local de violência urbana. O julgamento de Bolsonaro divide narrativas: para a oposição, é marco democrático; para aliados, perseguição política. Ao mesmo tempo, a violência na Bahia aparece como pano de fundo para disputas ideológicas, em que projetos de segurança pública são contrapostos a políticas de desenvolvimento urbano. A inclusão do tema educacional reforça a complexidade da pauta municipal, que reflete tanto a crise nacional quanto os desafios locais de governança.


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