Nesta segunda-feira (29/09/2025), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), permaneceu em silêncio diante das críticas feitas pelo presidente estadual do PT, Tássio Brito, que questionou a ausência de explicações sobre uma denúncia de superfaturamento em compras de equipamentos escolares. O caso envolve a aquisição de projetores multimídia no valor de quase R$ 7 milhões pela Secretaria Municipal de Educação.
O episódio ocorre em meio à polêmica nacional em torno da PEC da Blindagem, proposta apoiada pelo ex-prefeito ACM Neto, padrinho político de Bruno Reis. Para o PT, enquanto tenta defender a imagem do aliado, o prefeito negligencia esclarecer pontos sensíveis sobre a gestão municipal.
Investigação do Ministério Público Federal
As suspeitas de irregularidades nos processos licitatórios chamaram a atenção do Ministério Público Federal (MPF), que avalia a abertura de inquérito civil público para investigar os contratos e adotar eventuais medidas judiciais. A análise gira em torno da legalidade dos pregões e da compatibilidade dos valores pagos com os preços de mercado.
Fontes jurídicas apontam que, caso sejam confirmadas as irregularidades, os responsáveis podem responder por improbidade administrativa e dano ao erário, o que impactaria diretamente a imagem da atual gestão municipal.
Antecedentes de escândalos na Secretaria de Educação
A denúncia resgata lembranças da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal em anos anteriores. Na ocasião, foi descoberto um amplo esquema de fraude em licitações e no pagamento de fornecedores da educação, com participação de servidores e empresários ligados ao chamado “Rei do Lixo”, figura conhecida por influência em contratos públicos na capital baiana.
Para o PT, a reincidência de denúncias reforça a necessidade de maior transparência na condução das políticas educacionais em Salvador.
Críticas ao alinhamento político com ACM Neto
Além do tema da licitação, Tássio Brito direcionou críticas ao comportamento político do prefeito. Ele classificou como “vergonhosa” a postura de ACM Neto durante a votação da PEC da Blindagem, que limita investigações contra parlamentares e autoridades. Segundo Brito, o ex-prefeito teria se distanciado da população baiana, majoritariamente contrária à proposta.
Nesse contexto, o presidente estadual do PT acusa Bruno Reis de se esquivar de debates relevantes e de manter uma relação de dependência política com seu antecessor, ao invés de enfrentar diretamente as denúncias que surgem em sua administração.
Superfaturamento em contratos educacionais
O caso expõe duas frentes de fragilidade para a gestão municipal. De um lado, há a suspeita de superfaturamento em contratos educacionais, que pode reacender a memória de escândalos anteriores e desgastar a imagem administrativa de Bruno Reis. De outro, evidencia-se a dificuldade do prefeito em se desvincular da influência política de ACM Neto, o que o torna alvo de críticas tanto da oposição quanto de parte da opinião pública que cobra mais independência e clareza na condução dos assuntos municipais.
A ausência de respostas claras tende a alimentar narrativas de opacidade e continuidade de práticas questionáveis na máquina pública. Caso as investigações avancem, a pressão política e institucional sobre a prefeitura de Salvador deverá se intensificar, especialmente em um cenário de polarização nacional.
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