O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu alterar sua estratégia política em relação ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Após meses de cautela, a sigla avalia que o momento exige ampliar os ataques ao adversário, mas com a determinação de preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fora da linha de frente dos embates para evitar a projeção nacional de Tarcísio.
Até agosto, lideranças do PT defendiam que Tarcísio fosse poupado de críticas diretas. O receio era de que uma ofensiva precoce fortalecesse a imagem do governador como alternativa eleitoral, especialmente diante da indefinição sobre quem representaria o bolsonarismo em 2026. Entre os nomes cogitados, estavam Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Michelle Bolsonaro (PL).
No entanto, o cenário mudou após movimentações recentes do governador. Ao se envolver na articulação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e intensificar sua retórica contra o Supremo Tribunal Federal (STF) – chamando o ministro Alexandre de Moraes de “ditador” durante o 7 de Setembro –, Tarcísio se colocou no centro do debate nacional. A cúpula petista avaliou que era hora de explorá-lo como alvo.
Inserções em rádio, TV e redes sociais
A nova postura já se reflete nas inserções do PT em rádio e TV. Diferentemente da estratégia nacionalizada, em São Paulo as peças publicitárias foram direcionadas para criticar diretamente a gestão estadual. Os vídeos destacam a privatização da Sabesp, o aumento nos preços de pedágios e afirmam que o governo paulista estaria alinhado a interesses de “Trump e bilionários”.
Nas redes sociais, houve intensificação de campanhas negativas contra Tarcísio, explorando episódios como a investigação do Ministério Público de São Paulo sobre supostas fraudes na liberação de créditos de ICMS pela Secretaria da Fazenda.
Reação do entorno de Tarcísio
Aliados de Tarcísio interpretam o movimento do PT como tentativa de dividir o bolsonarismo e desgastar o governador junto à base mais fiel de Jair Bolsonaro. O deputado estadual Lucas Bove (PL) afirmou que a oposição “endureceu o tom” na Assembleia Legislativa, dificultando até pautas administrativas sem caráter ideológico.
Segundo Bove, a esquerda age porque reconhece que, caso Bolsonaro não seja candidato, Tarcísio desponta como forte concorrente em 2026.
O fim da “lua de mel” entre Lula e Tarcísio
No início do governo, Lula e Tarcísio mantiveram relação cordial. Em fevereiro de 2024, chegaram a assinar juntos um termo de cooperação técnica para a construção do túnel Santos–Guarujá. Entretanto, divergências se acumularam.
Lula passou a interpretar o governador como adversário direto em 2026, sobretudo após declarações de Tarcísio em eventos como o do BTG Pactual, quando afirmou que o Brasil não precisa mais de uma “mentalidade atrasada” representada por lideranças do passado. O presidente também se irritou com disputas de autoria em obras federais e estaduais.
Ofensiva parlamentar e pedido de impeachment
A direção nacional do PT deu aval para o diretório paulista intensificar a ofensiva. Deputados estaduais da legenda, em parceria com o PSOL, protocolaram pedido de impeachment contra Tarcísio, alegando violações a “pactos constitucionais” e uso de recursos públicos para atacar o Judiciário.
Paralelamente, sob a liderança da deputada Thainara Faria (PT), a bancada tem coordenado reuniões semanais para organizar conteúdos digitais contra o governo paulista, priorizando temas sensíveis como pedágios free flow e os impactos da privatização da Sabesp.
Lógica pragmática
A mudança de postura do PT reflete uma lógica pragmática: ao perceber que Tarcísio consolidou protagonismo nacional, a sigla decidiu antecipar o confronto. A escolha de poupar Lula da linha de frente indica cautela estratégica, mas abre espaço para parlamentares e dirigentes assumirem desgaste. O desafio será equilibrar críticas sem fortalecer ainda mais o governador como candidato viável em 2026. Nesse jogo, ambos os lados correm o risco de transformar embates regionais em catalisadores de disputa presidencial.
*Com informações do Estadão.








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