A Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) teve início neste domingo (31/08/2025), na cidade portuária de Tianjin, no norte da China, com a presença de líderes de mais de 20 países e representantes de dez organizações internacionais. Na abertura, o presidente Xi Jinping criticou a chamada “mentalidade de Guerra Fria” e os “atos de intimidação”, em referência aos Estados Unidos, defendendo um novo modelo de governança global baseado no multilateralismo.
Críticas a Washington e defesa da ONU
Segundo Xi, os países membros da OCX devem resistir ao confronto entre blocos e reforçar a centralidade da Organização das Nações Unidas (ONU) na estrutura internacional. Ele defendeu ainda a Organização Mundial do Comércio (OMC) como pilar de um sistema mais justo. A China, que ocupa a presidência rotativa da organização desde julho de 2024, propôs medidas para fortalecer a resiliência financeira da OCX, incluindo o aumento de transações em moedas nacionais e a expansão do comércio eletrônico como resposta às sanções impostas pelo Ocidente.
Participação da Rússia e posicionamentos sobre a Ucrânia
O presidente Vladimir Putin também discursou, apoiando a iniciativa chinesa de uma nova governança global e reiterando a posição russa em relação ao conflito na Ucrânia. Segundo ele, a guerra teve origem em um golpe de Estado em Kiev, supostamente apoiado por países ocidentais. O líder russo afirmou que Moscou está disposta a aprofundar o diálogo sobre as propostas apresentadas por Pequim.
Diversidade de líderes presentes
Entre os participantes, estiveram o presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, além dos primeiros-ministros da Índia, Narendra Modi, e do Paquistão, Shehbaz Sharif. O encontro foi considerado o maior da história da organização em termos de número de chefes de Estado presentes.
Repercussão internacional
A cúpula recebeu destaque na imprensa internacional. O Le Monde observou o desconforto da Índia após a imposição de tarifas alfandegárias pelos Estados Unidos devido às compras de petróleo russo. O Les Echos questionou se tais medidas podem, na prática, fortalecer a posição da China. Já o Le Figaro apontou que a reunião representa sinais de uma “outra globalização”, com a Ásia no centro das articulações.
O jornal turco Aydinlik classificou o encontro como um marco na formação de uma nova ordem mundial multipolar, destacando a intenção dos países de resolver internamente seus impasses, sem depender de nações do Ocidente.
Encerramento previsto
A programação da cúpula inclui um desfile militar na quarta-feira (03/09/2025) em comemoração aos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e da rendição japonesa. Após o término do encontro, a presidência da OCX será transferida para o Quirguistão.
*Com informações da RFI e Sputnik News.
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