O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, na terça-feira (02/09/2025), o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete ex-assessores próximos por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. O relator, ministro Alexandre de Moraes, apresentou o relatório final da ação penal, detalhando cronologicamente a tramitação do processo e resumindo as versões da Procuradoria-Geral da República (PGR) e das defesas. O julgamento deve ser concluído até 12 de setembro (2025).
Resumo do julgamento e réus envolvidos
A leitura do relatório marcou o início do julgamento, que ocorre na Primeira Turma do STF, em Brasília, e é transmitido ao vivo pela TV e Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. Os réus compõem o chamado núcleo crucial da trama golpista:
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Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
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Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;
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Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
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Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do DF;
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Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
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Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
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Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato à vice em 2022;
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Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Acusações apresentadas pela PGR
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que há provas documentais, testemunhos e registros que demonstram que Bolsonaro liderou uma tentativa de golpe após a derrota eleitoral de 2022. Entre as acusações estão:
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liderar ou integrar organização criminosa armada;
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atentar violentamente contra o Estado Democrático de Direito;
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tentar um golpe de Estado;
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praticar dano qualificado por violência e grave ameaça;
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deteriorar patrimônio público tombado.
O ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, responde apenas aos três primeiros crimes devido a imunidade parlamentar temporária prevista na Constituição.
Plano de golpe detalhado
Segundo Gonet, o golpe incluía:
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reuniões ministeriais em julho de 2021, em que Bolsonaro conclamava seus auxiliares a atacar o sistema eletrônico de votação;
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elaboração de decretos golpistas discutidos no Palácio do Alvorada;
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captura de instituições como PRF e Abin para execução do plano;
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impressões do plano denominado Punhal Verde e Amarelo, incluindo operação Copa 2022, que previa sequestro ou assassinato de autoridades, como Moraes, Lula e Alckmin.
O plano não foi executado devido à falta de adesão dos comandantes do Exército e da Aeronáutica, mas culminou nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes.
Defesas dos réus
As defesas alegam que não houve conhecimento ou participação dos réus em qualquer plano golpista. Argumentam que a acusação busca criminalizar atos rotineiros do governo e contestam a credibilidade da delação premiada de Mauro Cid. Além disso, destacam a ausência de provas que vinculem diretamente os réus aos ataques de 8 de janeiro, exigindo que a PGR especifique atos individuais para cada crime.
Sustentação oral e provas apresentadas
Na sustentação, Gonet enfatizou que documentos, agendas e minutas de decretos demonstram planejamento detalhado da tentativa de golpe, incluindo operações com nomes como Operação 142 e Punhal Verde e Amarelo. O procurador destacou que o ex-presidente utilizou discursos e reuniões ministeriais para mobilizar a militância e criar desconfiança no processo eleitoral.
Reações e acompanhamento do julgamento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o julgamento, ressaltando a expectativa de que seja feita justiça com base nos autos e no respeito à presunção de inocência. Lula também mencionou que não há razão para temer interferência externa, como declarações de autoridades dos Estados Unidos.
O julgamento seguirá até 12 de setembro (2025), com oito sessões previstas, sendo que cada defesa terá uma hora para apresentar sua versão dos fatos após a fala da PGR. Caso haja condenação, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão, dependendo do envolvimento de cada réu.
*Com informações da Agência Brasil.








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