O Caribe registra aumento de tensão com a presença de uma força aeronaval dos Estados Unidos próxima à costa da Venezuela, desde quarta-feira (03/09/2025). Oficialmente, a missão visa combater o tráfico de drogas, mas especialistas e analistas de segurança internacional apontam possíveis objetivos geopolíticos, incluindo pressão sobre o governo de Nicolás Maduro e demonstração de poder militar.
Operação e primeiras ações
A ofensiva começou com um ataque a um barco no sul do Caribe, que, segundo o presidente Donald Trump, transportava 11 traficantes. Caracas denunciou execuções extrajudiciais, enquanto analistas destacam que o método viola o direito internacional, incluindo a Carta da ONU e convenções sobre drogas de 1988.
Dimensão da força militar
A força aeronaval norte-americana inclui sete navios militares, um submarino nuclear, dezenas de aviões e helicópteros, mísseis e milhares de militares. O contingente é considerado desproporcional para o combate ao tráfico, mas insuficiente para uma invasão completa. A Venezuela, país de trânsito da cocaína colombiana, não é produtora relevante da droga, e a maior parte do tráfico segue pelo Pacífico.
Motivações e cenários possíveis
Analistas sugerem que a operação pode ter objetivos variados: ação militar cirúrgica, estratégia de intimidação, desgaste do tráfico ou estímulo a rebelião interna contra Maduro. A Justiça americana também investiga o presidente venezuelano e aliados, reforçando a combinação de medidas militares e judiciais.
Narcoterrorismo e acusações legais
Desde a posse de Trump, a Ordem Executiva 14157 classificou cartéis venezuelanos como grupos terroristas. Maduro é acusado de usar empresas estatais e estruturas militares para traficar drogas e lavar dinheiro, sendo alvo de recompensas nos Estados Unidos que chegaram a US$ 50 milhões.
Preparação da Venezuela e riscos regionais
Em resposta à ofensiva, Caracas mobilizou navios e drones para patrulhar águas territoriais e convocou 4,5 milhões de milicianos, medida considerada simbolicamente expressiva, mas de eficácia questionável. As Forças Armadas venezuelanas mantêm lealdade ao regime e estão treinadas para conflitos assimétricos.
Cenários futuros
Especialistas destacam quatro possibilidades: ação cirúrgica limitada, operação de desgaste do tráfico, intimidação geopolítica prolongada ou ausência de ação militar efetiva. Caso não haja intervenção, a ofensiva poderia resultar em fortalecimento de Maduro e desgaste simbólico para Trump.
*Com informações da RFI.
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