A crise causada pela presença de metanol em bebidas adulteradas completou um mês nesta terça-feira (28/10/2025), mobilizando ações conjuntas entre órgãos de segurança, saúde e vigilância sanitária em todo o país. Desde o alerta inicial, divulgado em (26/09/2025), 58 casos foram confirmados e 15 mortes registradas, concentradas principalmente no estado de São Paulo. As investigações apontam que a contaminação está relacionada à falsificação de bebidas utilizando álcool combustível adulterado.
Investigações apontam falsificação e origem do metanol
As apurações tiveram início após o Ciatox de Campinas (SP) identificar um padrão atípico de intoxicações. A partir do alerta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), coordenou a investigação que revelou o envolvimento de postos de combustível e distribuidores clandestinos.
Entre os dias (26/09/2025) e (17/10/2025), os órgãos estaduais confirmaram que o metanol foi adicionado de forma proposital em bebidas destiladas falsificadas, com concentrações acima das encontradas em processos de destilação natural. Em (08/10/2025), o Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo confirmou a adulteração.
Governo cria comitê e acelera resposta hospitalar
Diante do aumento de casos, o governo federal criou em (07/10/2025) um comitê interinstitucional para coordenar as ações emergenciais. Foram enviadas remessas de etanol farmacêutico e do composto fomepizol, utilizados como antídotos, aos hospitais de referência em estados das regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo o Ministério da Saúde, a testagem laboratorial passou a ser realizada em ritmo acelerado, permitindo confirmação e descarte rápido de casos suspeitos. Os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) assumiram papel central na detecção e monitoramento.
Tecnologia e integração entre universidades e órgãos públicos
A resposta à crise também envolveu o meio acadêmico. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram o “nariz eletrônico”, equipamento capaz de identificar a presença de metanol em bebidas por meio da análise de odores. O dispositivo utiliza inteligência artificial para reconhecer a assinatura química das amostras, ampliando a capacidade de fiscalização preventiva.
O estado de São Paulo, que concentra a maior parte das ocorrências, conta com dois centros de referência: o Ciatox de Campinas e o Laboratório de Toxicologia Analítica Forense (Latof), da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto.
Medidas legislativas e novos protocolos de controle
As ações de combate ao problema se estenderam ao poder legislativo. Na Câmara Municipal de São Paulo, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) será aberta nesta quarta-feira (29/10/2025) para apurar responsabilidades. Em nível federal, o Projeto de Lei 2307/07, que propõe transformar a adulteração de bebidas e alimentos em crime hediondo, deve entrar em votação ainda nesta semana.
A Polícia Técnico-Científica de São Paulo também adotou um novo protocolo de identificação de bebidas adulteradas, reduzindo o tempo de análise laboratorial e permitindo ações mais rápidas de fiscalização em bares, depósitos e pontos de venda.
Casos continuam sob monitoramento nacional
No último boletim divulgado na sexta-feira (24/10/2025), o Ministério da Justiça informou que 50 casos permanecem sob investigação. Foram descartadas 635 notificações e 32 suspeitas de óbito, enquanto nove mortes ainda estão em análise em cinco estados.
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, afirmou que as diligências continuam para rastrear a origem de todas as bebidas adulteradas e identificar possíveis conexões interestaduais.
*Com informações da Agência Brasil.








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