O deputado estadual Binho Galinha (sem partido) foi preso nesta sexta-feira (03/10/2025) ao se entregar ao Ministério Público da Bahia (MPBA) em Feira de Santana, cidade onde concentra sua base política e empresarial. O parlamentar estava foragido desde 1º de outubro, data da deflagração da Operação Estado Anômico, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
Após a apresentação voluntária, uma equipe de 20 agentes policiais e promotores cumpriu o mandado de prisão preventiva e realizou a escolta de Binho Galinha até Salvador, onde o deputado foi custodiado em unidade de segurança do Estado. O MP informou que a prisão decorre de investigações que o apontam como líder de uma organização criminosa estruturada e com características milicianas, com atuação concentrada em Feira de Santana e municípios do entorno.
Investigações revelam atuação miliciana e crimes financeiros
De acordo com as investigações das operações El Patrón e Estado Anômico, o grupo chefiado por Binho Galinha é acusado de lavagem de dinheiro, obstrução da Justiça, jogo do bicho, agiotagem, receptação qualificada, comércio ilegal de armas, usurpação de função pública, embaraço a investigações e tráfico de drogas.
A apuração indica que a organização mantinha uma estrutura hierárquica com divisão de funções entre os integrantes, incluindo policiais militares supostamente cooptados para garantir proteção ao grupo. O MPBA afirma que o esquema teria movimentado grandes quantias em dinheiro vivo e bens de alto valor, usados para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas.
Denúncias anteriores e envolvimento familiar
O deputado já é réu em duas ações penais, apresentadas pelo MPBA em dezembro de 2023 e fevereiro de 2025, no âmbito da Operação El Patrón, que desarticulou um braço financeiro do grupo criminoso. Nessas denúncias, o parlamentar é acusado de lavagem de dinheiro, jogo do bicho, agiotagem e receptação qualificada.
A nova operação ampliou o cerco e resultou em dez prisões, entre elas as de João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, filho do deputado, e Mayana Cerqueira da Silva, sua esposa — ambos também denunciados por envolvimento direto nas transações ilícitas. No total, 15 pessoas já foram denunciadas pelo MPBA por participação no esquema comandado pelo parlamentar.
Operação Estado Anômico e o combate ao crime político na Bahia
A Operação Estado Anômico foi deflagrada em 01/10/2025 com o objetivo de aprofundar as investigações da El Patrón e desmontar o núcleo político e financeiro da organização criminosa. O nome da operação faz referência à distorção das funções do Estado e à cooptação de agentes públicos, caracterizando o que o MP descreve como “captura institucional por grupos criminosos com influência política”.
As investigações reforçam um quadro de interpenetração entre o crime organizado e o poder público, em que recursos ilícitos e influência política se retroalimentam, permitindo a expansão de práticas de corrupção, milícia e lavagem de ativos sob fachada legal.
A crise institucional e o desafio do combate à corrupção política
O caso de Binho Galinha representa um marco simbólico na luta contra a corrupção política e o crime organizado com base parlamentar na Bahia. Sua prisão expõe as fragilidades institucionais de fiscalização e controle no sistema político estadual, além de levantar questionamentos sobre a influência de grupos criminosos na arena eleitoral.
O avanço das investigações conduzidas pelo Gaeco e pelo MPBA indica um endurecimento na resposta judicial, mas também revela o tamanho do desafio para desarticular redes ilícitas que operam sob proteção política. A expectativa é de que os próximos desdobramentos ampliem o debate sobre reforma institucional, financiamento político e responsabilização de agentes públicos envolvidos em esquemas de corrupção sistêmica.











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