Nesta terça-feira (30/09/2025), os 18 maiores municípios da Bahia em número de matrículas na rede municipal de ensino participaram da Reunião Estratégica de Enfrentamento ao Analfabetismo, promovida no âmbito do Programa Bahia Alfabetizada. O encontro reuniu gestores municipais, representantes do Ministério Público da Bahia (MP/BA), da Secretaria de Educação do Estado (SEC) e de instituições parceiras para debater estratégias de alfabetização até os 7 anos e reduzir o déficit educacional no estado.
O evento teve como foco o fortalecimento de políticas públicas voltadas à alfabetização na idade certa, considerada essencial para o desenvolvimento educacional e social das crianças. Os gestores foram incentivados a adotar práticas que ampliem a qualidade do ensino e a aprendizagem, colocando a alfabetização como prioridade estratégica.
Programa Bahia Alfabetizada e a urgência da alfabetização
O Comitê Bahia Alfabetizada apresentou as diretrizes que norteiam as ações do programa, destacando que a alfabetização precoce é fundamental para garantir a continuidade dos estudos e reduzir desigualdades. A superintendente de Políticas Públicas para a Educação Básica da SEC, Helaine Souza, reforçou a urgência da pauta. Segundo ela, cada ano perdido compromete a trajetória das crianças.
A superintendente também ressaltou que, embora o protagonismo da alfabetização seja dos municípios, a política só se sustenta em regime de colaboração entre governo estadual, redes municipais e instituições parceiras. Para ela, a iniciativa deve ser encarada como política de Estado, com continuidade de longo prazo, para gerar resultados estruturantes na educação baiana.
O papel das instituições e o monitoramento da alfabetização
Durante a reunião, foi apresentado o Painel da Alfabetização, criado pelo Ministério Público da Bahia para acompanhar a execução das políticas educacionais no estado. A ferramenta permite monitorar indicadores de desempenho, apontar desafios e propor soluções conjuntas para elevar os índices de alfabetização.
O encontro contou ainda com a participação do Superintendente do SESI, Armando Costa Neto, além de gestores e promotores. Os trabalhos foram conduzidos por Adriano Marques, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Educação (CEDUC/MPBA), que defendeu a importância da cooperação entre instituições e da adoção de medidas pactuadas, mas também firmes, para assegurar o direito à educação de qualidade.
Persistem desafios
A iniciativa de reunir os maiores municípios baianos para discutir a alfabetização reflete um movimento estratégico de enfrentamento a um dos principais gargalos educacionais do estado. A presença de diferentes esferas institucionais indica preocupação coletiva, mas a efetividade dependerá de continuidade, financiamento e mecanismos de avaliação. Persistem desafios, como a alta desigualdade regional, a insuficiência de infraestrutura escolar e a carência de professores capacitados. Sem enfrentar tais questões estruturais, o risco é que o esforço se limite a um pacto simbólico, sem impacto real sobre os índices de alfabetização.








Deixe um comentário