Feira de Santana sedia projeto “Raízes do Samba de Roda Rural” em homenagem póstuma ao Mestre Bel da Bonita

Feira de Santana, capital do sertão baiano, sediará, entre os dias 14 e 31 de outubro, o projeto cultural “Raízes do Samba de Roda Rural: Memória e Preservação com Mestre Bel da Bonita (In Memoriam) e o Curador do Museu do Imaginário”, uma iniciativa que celebra a tradição do samba de roda do sertão e homenageia o legado de Mestre Bel da Bonita, falecido em abril deste ano. O evento acontecerá no Museu Casa do Sertão, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e incluirá oficinas gratuitas de instrumentos de percussão, cordas e dança, além de ensaio coletivo e apresentação final aberta ao público.

Homenagem a um guardião da cultura popular

O projeto foi idealizado pelo produtor musical Lerry, do Crossover Estúdio, e pelos artistas Ramiro Barbosa e Diogo Sampaio. A proposta busca preservar a memória e a influência artística de Bel da Bonita, reconhecido como um dos maiores difusores do samba de roda rural na Bahia.

Com atuação marcante à frente do grupo Africânia, o mestre contribuiu para a valorização da cultura afro-brasileira, transmitindo conhecimento a novas gerações de sambadores e sambadeiras. O projeto também se inspira no disco “O Curador do Museu do Imaginário”, lançado pelo Africânia, que une elementos do samba de roda tradicional a linguagens contemporâneas como o jazz e a música eletrônica.

Programação cultural

As atividades serão divididas em seis encontros presenciais no Museu Casa do Sertão:

  • 14/10 – Abertura do projeto com Ajeum (refeição coletiva), exibição de vídeos e depoimentos sobre a trajetória de Bel da Bonita;
  • 16 e 21/10 – Oficinas de Percussão, ministradas por Amandêra Novais, abordando instrumentos como pandeiro, conga, ganzá, cabaça, pratos de esmalte, enxadas e a prática tradicional do parmeado;
  • 23/10 – Oficinas de Cordas (violão, cavaquinho e contrabaixo) com Daniel da Quixabeira, e de Dança do Samba de Roda com Flávia Maisuma Silva;
  • 30/10 – Ensaio geral com os participantes das três oficinas;
  • 31/10Culminância do projeto, com apresentação aberta ao público e participação de mestres locais e alunos.

Formação, memória e inclusão social

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo formulário digital neste link. Cada oficina contará com até 15 participantes, que receberão certificados de extensão emitidos pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

O projeto adota um recorte inclusivo, priorizando mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência (PCDs) e indivíduos em situação de vulnerabilidade social, reafirmando o papel do samba de roda como instrumento de integração e resistência cultural.

Apoios institucionais e financiamento

A iniciativa foi contemplada pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB), com apoio financeiro da Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, e fomento do Ministério da Cultura. Conta ainda com apoio institucional da UEFS, da UFRB e do Museu Casa do Sertão, reafirmando a importância da cooperação entre Estado, universidades e sociedade civil na preservação das manifestações culturais tradicionais.

Oficineiros e trajetórias artísticas

Amandêra Novais (Amanda Novais), multi-instrumentista e professora de percussão, é brincante do samba de roda e angoleira, integrante do Grupo Cultural Samba de Roda Filhos de Nagô (São Félix-BA). Coordena o projeto Na Capoeira eu sou Angola! no CECULT-UFRB, em Santo Amaro, onde é licencianda em Música Popular Brasileira.

Daniel da Quixabeira, cantor, compositor e diretor musical, une tradição e contemporaneidade em sua obra. Lançou os álbuns Verbo Utopia, Doismilivinte e o EP Quixabeira, além de ter colaborado com Mestre Bel da Bonita no álbum O Curador do Museu do Imaginário.

Flávia Maisuma Silva, multiartista e pesquisadora das culturas afro-brasileiras, é especialista em Dança pela UFBA e artista visual pela UFRB. Integra os grupos Angoleiros do Sertão, ABW e Samba de Roda Suerdick (Samba de D. Dalva), desenvolvendo uma trajetória que conecta dança, performance e artes visuais.

Cultura, resistência e memória viva

O projeto “Raízes do Samba de Roda Rural” destaca-se como uma ação de salvaguarda da memória imaterial do sertão baiano, ao unir formação artística, pesquisa e inclusão social. A homenagem a Bel da Bonita transcende o tributo pessoal e transforma-se em gesto político e cultural de resistência, reafirmando o samba de roda como expressão viva da identidade afro-baiana.

Ao articular tradições orais com processos educativos e tecnologias contemporâneas, a iniciativa reforça o papel da educação pública e das políticas culturais descentralizadas como pilares da preservação da herança popular.

Mestre Bel da Bonita.
Mestre Bel da Bonita.

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