O Gasto Brasil, plataforma que reúne informações oficiais do Tesouro Nacional, revelou nesta segunda-feira (13/10/2025) que o país ultrapassou R$ 4 trilhões em despesas públicas — somando gastos da União, estados e municípios — a três meses do fim do ano. O dado evidencia que o Brasil está gastando mais rápido do que arrecada e reforça a preocupação com o déficit fiscal crescente.
Diferença entre gasto e arrecadação
Arrecadação menor e déficit elevado
Enquanto o Gasto Brasil registrou R$ 4 trilhões em despesas, o Impostômetro, ferramenta que acompanha a arrecadação de tributos, indicou a marca de R$ 3 trilhões em impostos recolhidos no mesmo período. A diferença de R$ 1 trilhão representa o desequilíbrio entre receitas e despesas públicas, segundo o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Ruiz de Gamboa.
De acordo com ele, o país enfrenta um desequilíbrio estrutural.
“O gasto está crescendo muito além da capacidade de arrecadação. O resultado disso é o aumento do endividamento e da inflação persistente”, avaliou.
Endividamento e impacto econômico
Gamboa afirmou que o endividamento público deve aumentar de 10% a 11% em relação ao PIB até o fim do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso a tendência continue. Ele pondera que, embora o Brasil não corra risco imediato de insolvência, a trajetória fiscal é preocupante.
“Gastar acima do que se arrecada pressiona os juros e impede uma redução mais rápida da taxa básica”, explicou.
O economista também destacou que a alta carga tributária combinada ao aumento dos gastos públicos prejudica a produtividade e desestimula o setor privado.
“O governo tenta equilibrar as contas elevando impostos, o que afeta o empreendedorismo e limita o crescimento”, completou.
Aceleração das despesas públicas
Ritmo histórico de gastos
O consultor da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e idealizador do Gasto Brasil, Cláudio Queiroz, observou que o ritmo de gastos públicos é o mais acelerado dos últimos anos.
Segundo ele, “em 2018, o país levou 104 dias para atingir R$ 1 trilhão em despesas; em 2025, essa marca foi alcançada em apenas 77 dias”.
O levantamento mostra que, em 2018, o gasto de R$ 1,5 trilhão levou 155 dias, enquanto em 2025 o mesmo valor foi alcançado em 116 dias, ou seja, quase 40 dias antes. A tendência, de acordo com Queiroz, é que o país bata novo recorde até o fim do ano, já que as despesas avançam cerca de R$ 100 bilhões por mês.
Previdência e desafios para 2026
O estudo também detalha o impacto da Previdência Social, principal componente das despesas públicas.
“Agora é possível medir o peso do regime geral e dos regimes próprios, tanto da União quanto dos estados e municípios. Essa conta exige ajustes a partir de 2026, para evitar desequilíbrios ainda maiores”, destacou o consultor.
Cenário e perspectivas
Alerta fiscal e necessidade de ajuste
Os especialistas afirmam que os dados do Gasto Brasil funcionam como um sinal de alerta para o governo federal. O país está gastando mais e mais rápido, enquanto a arrecadação cresce em ritmo menor. Segundo Cláudio Queiroz, o próximo governo precisará agir com rapidez e adotar medidas de contenção de despesas.
“O governo que assumir em 2027 — seja ele qual for — terá de cortar gastos e aprimorar a gestão pública. A conta já chegou”, concluiu.








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