Durante o 1º Congresso da Associação de Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano (AMURC), o governador Jerônimo Rodrigues destacou o fortalecimento do municipalismo como elemento essencial para a boa gestão pública e o desenvolvimento regional. O evento, realizado em Itacaré, reuniu prefeitos, secretários e representantes do governo estadual e federal em torno de um debate sobre desafios e oportunidades das administrações municipais.
“Quem conhece melhor a realidade local, com um olhar próximo da comunidade, é o prefeito, com seu secretariado e com os vereadores”, afirmou Jerônimo, ao defender a descentralização das decisões e a valorização das prefeituras na formulação de políticas públicas.
União entre municípios e integração de políticas públicas
O governador elogiou a iniciativa da AMURC em promover o encontro como um espaço de articulação e diálogo institucional. Segundo ele, as associações municipais têm papel estratégico na construção de soluções conjuntas, sobretudo em temas que exigem cooperação intermunicipal, como saúde, saneamento, infraestrutura e educação.
Jerônimo lembrou que o governo estadual tem apoiado consórcios públicos para fortalecer a capacidade técnica e operacional dos municípios. “A AMURC promove a união entre os prefeitos para fortalecer a busca pelas suas pautas, seja junto ao governo federal, seja junto ao governo do Estado”, declarou. Ele citou como exemplo a expansão das policlínicas regionais de saúde, o apoio à gestão ambiental compartilhada e o estímulo a projetos consorciados de infraestrutura e desenvolvimento rural.
Fiol, cacau e turismo: eixos estratégicos do desenvolvimento regional
Durante o discurso, Jerônimo também ressaltou o caráter estratégico de obras estruturantes, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), apontada como vetor de crescimento e integração econômica do interior ao litoral baiano.
“A Fiol não é apenas uma obra logística; ela é uma linha de integração social, que vai transformar o escoamento da produção agrícola e mineral, além de estimular o turismo e o comércio regional”, disse.
Outro ponto destacado foi a revitalização da cultura cacaueira, setor tradicional do sul da Bahia, que vem sendo resgatado por meio de programas de crédito, pesquisa e inovação tecnológica. O governador lembrou que o cacau “representa não apenas uma atividade econômica, mas um patrimônio histórico e cultural do povo baiano”.
Itacaré e o papel do turismo na economia baiana
A escolha de Itacaré como sede do congresso teve caráter simbólico. O município, conhecido por suas belezas naturais e pela vocação turística, foi usado como exemplo da importância do turismo sustentável para a geração de emprego e renda. “Itacaré é um município importante no turismo da economia baiana. O turismo é uma das locomotivas do nosso desenvolvimento regional e precisa de integração com infraestrutura, cultura e meio ambiente”, destacou Jerônimo.
O governo estadual tem investido em roteiros integrados de turismo ecológico, cultural e gastronômico, ampliando parcerias com o trade turístico e com municípios do Litoral Sul e da Chapada Diamantina. A Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) e a Bahiatursa também participaram do evento, reforçando o compromisso de estruturar a Bahia como destino competitivo no cenário nacional e internacional.
Municipalismo e governança cooperativa
A defesa de Jerônimo Rodrigues pelo fortalecimento do municipalismo reflete uma tendência nacional de descentralização administrativa, mas também expõe os desafios de coordenação federativa entre Estado e municípios. Na prática, o êxito dessa agenda depende da autonomia financeira das prefeituras, ainda limitada por repasses federais irregulares e pela concentração de receitas tributárias na União.
O discurso do governador dialoga com a necessidade de modernizar o pacto federativo, tornando as administrações locais mais autônomas e capacitadas. Contudo, o avanço desse modelo exige gestão técnica, transparência e cooperação institucional. A valorização do turismo e das economias regionais, como a cacaueira, reforça o foco em desenvolvimento sustentável e na identidade econômica da Bahia, mas requer continuidade e integração das políticas públicas entre as três esferas de governo.








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