O Prêmio Nobel da Paz 2025 foi concedido à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, anunciou nesta sexta-feira (10/10/2025) o Comitê Nobel norueguês. A distinção reconhece seu trabalho em defesa da democracia e dos direitos civis na Venezuela, destacando sua atuação em condições de risco e sua resistência à repressão política do governo de Nicolás Maduro.
Reconhecimento internacional
Justificativa do Comitê Nobel
O Comitê destacou que Machado foi premiada “por seu trabalho incansável em favor dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”. Segundo o órgão, “quando autoritários tomam o poder, é essencial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem”.
Histórico da premiada
María Corina Machado, de 58 anos, vive atualmente na clandestinidade na Venezuela, e se destacou nas primárias da oposição em outubro de 2023, obtendo mais de 90% dos votos. Ao longo do último ano, manteve-se no país, apesar das ameaças à sua vida, inspirando apoiadores e consolidando seu papel como líder da oposição.
Reação e repercussão
Declaração da premiada
Em vídeo enviado à agência AFP, Machado declarou estar “em estado de choque” e afirmou: “Estou certa de que venceremos”, reforçando seu compromisso com a luta pela democracia e a defesa do povo venezuelano.
Reações internacionais
A vitória foi comemorada por líderes europeus. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou: “Não se pode encarcerar o espírito da liberdade. A sede de democracia sempre prevalece”. O ex-diplomata Edmundo González Urrutia qualificou o prêmio como “um reconhecimento merecido da luta de uma mulher e de um povo pela liberdade”.
Reação dos Estados Unidos
A Casa Branca criticou a decisão, destacando que o Comitê Nobel teria priorizado a política sobre a paz. Donald Trump, que concorria informalmente ao prêmio, não foi contemplado. Steven Cheung, diretor de comunicações, afirmou: “O Comitê Nobel provou que coloca a política acima da paz”.
Perfil e trajetória política
Atuação na política venezuelana
Nascida em Caracas, María Corina Machado é engenheira e mãe de três filhos. Fundou a organização Sumate em 2002 e destacou-se ao confrontar o governo de Hugo Chávez no Parlamento, sendo alvo de perseguições políticas e ameaças de morte. Sua candidatura presidencial foi barrada em 2023 por inelegibilidade política, mas ela continuou a liderar a oposição, apoiando Edmundo González Urrutia.
Premiações anteriores
Antes do Nobel, Machado recebeu o Prêmio Václav Havel (2024) e o Prêmio Sakharov (2024), ambas distinções voltadas à defesa de direitos humanos e democracia.
*Com informações da RFI.











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