Na manhã desta quarta-feira (01/10/2025), o Ministério Público da Bahia (MPBA), por meio do Gaeco, em conjunto com a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública (SSP), deflagrou a Operação Estado Anômico. O principal alvo é o deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, investigado por chefiar uma organização criminosa de grande porte.
Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em imóveis residenciais e em uma empresa situada em Salvador, Feira de Santana e São Gonçalo dos Campos. O parlamentar, porém, não foi localizado até o momento, e permanece foragido.
Estrutura criminosa e atuação sob investigação
As apurações apontam que a organização investigada mantinha estrutura complexa, operando em diferentes frentes ilegais. Entre os crimes identificados estão:
Lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada;
Jogo do bicho e agiotagem;
Receptação qualificada e comércio clandestino de armas;
Associação para o tráfico de drogas.
Segundo o MPBA, mesmo sob medidas cautelares decorrentes de investigações anteriores, o deputado continuou liderando as operações criminosas, utilizando “laranjas” e empresas fictícias para movimentar recursos ilícitos.
Bloqueio de bens e novas medidas judiciais
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 9 milhões em bens dos investigados, além da suspensão das atividades de uma empresa envolvida no esquema de lavagem de dinheiro. Essas medidas buscam interromper o fluxo financeiro que sustentava a organização.
A atual operação é considerada um desdobramento da Operação El Patrón, realizada em dezembro de 2023. Na ocasião, o MPBA já havia denunciado 15 pessoas, incluindo o próprio deputado e familiares próximos, por participação em crimes semelhantes.
Repercussão política e institucional
A presença de um parlamentar no centro das investigações amplia a gravidade do caso. A atuação de órgãos como Gaeco, Polícia Federal, Force e Corregedoria da Polícia Militar indica um esforço integrado para enfrentar o crime organizado, especialmente quando há infiltração em estruturas políticas.
A fuga do deputado, que ainda não se apresentou às autoridades, pode ampliar a pressão sobre a Assembleia Legislativa da Bahia, onde se discutem possíveis repercussões no mandato parlamentar. Além disso, a operação evidencia os desafios no combate ao uso de poder político para encobrir atividades ilícitas.
Persistência de redes criminosas
A Operação Estado Anômico revela a persistência de redes criminosas dentro do ambiente político, reforçando a necessidade de maior transparência e mecanismos eficazes de controle institucional. A reincidência do deputado Binho Galinha, já denunciado em outra investigação recente, indica fragilidades na aplicação de medidas judiciais, que não foram suficientes para conter sua atuação. A mobilização de diferentes órgãos demonstra avanço, mas o desfecho dependerá da capacidade de o Estado não apenas prender os envolvidos, mas também desarticular financeiramente a organização. O caso expõe, ainda, a tensão entre imunidade parlamentar e responsabilização criminal.
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




