O reencontro entre o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), durante agenda do governador Jerônimo Rodrigues (PT) nesta sexta-feira (24/10/2025), consolidou um movimento de reaproximação política entre antigos aliados que se afastaram em 2022. O gesto simbólico, marcado por sorrisos, conversas reservadas e apertos de mão, causou preocupação na base de apoio de ACM Neto (União Brasil), que vinha tratando Cocá como liderança consolidada no interior.
Clima amistoso marca reencontro após três anos de afastamento
O clima no evento surpreendeu observadores e lideranças regionais. Entre discursos e homenagens, Rui Costa e Zé Cocá trocaram risadas, gestos de camaradagem e longas conversas ao pé do ouvido, evidenciando o fim de um ciclo de tensões iniciado nas eleições de 2022.
A aproximação foi resultado de articulação direta do governador Jerônimo Rodrigues e do secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, que vêm atuando para recompor pontes com lideranças municipais que se afastaram do Partido dos Trabalhadores.
Ruptura em 2022 e derrota de ACM Neto em Jequié
A ruptura entre Cocá e Rui Costa ocorreu quando o prefeito decidiu apoiar ACM Neto na disputa ao governo estadual contra Jerônimo Rodrigues. A decisão foi vista como um rompimento pessoal com o então governador e provocou isolamento político temporário de Cocá dentro do grupo petista.
Mesmo com o apoio de Cocá, ACM Neto foi derrotado em Jequié, obtendo 48,59% dos votos, contra 51,41% de Jerônimo — resultado interpretado como um revés político local para o ex-prefeito de Salvador e um sinal de enfraquecimento de sua influência no interior.
Movimento pode redesenhar alianças regionais em 2026
A reaproximação entre o prefeito e o ministro pode alterar o tabuleiro político regional, especialmente no contexto das eleições de 2026. Zé Cocá, que preside a União dos Municípios da Bahia (UPB), é visto como uma figura estratégica no interior e sua relação com o governo federal pode resultar em maior acesso a recursos e obras estruturantes para Jequié e municípios aliados.
Nos bastidores, aliados de ACM Neto avaliam o gesto como um sinal de realinhamento do grupo de Cocá ao campo governista, o que enfraqueceria o projeto oposicionista no sudoeste baiano.
Rui Costa e Jerônimo reforçam articulação política no interior
Desde o início de 2025, o ministro da Casa Civil tem intensificado agendas na Bahia, especialmente em regiões estratégicas para o fortalecimento do PT e de aliados. A presença conjunta de Rui e Jerônimo em eventos municipais reforça o discurso de unidade interna e de reestruturação das bases políticas após os atritos da campanha passada.
Fontes próximas ao governo indicam que a estratégia busca ampliar alianças com prefeitos de partidos de centro e centro-direita, priorizando resultados administrativos e pragmatismo político sobre alinhamentos ideológicos rígidos.
Alianças tendem a seguir o fluxo de poder
A cena pública do reencontro entre Rui Costa e Zé Cocá ultrapassa o simbolismo pessoal e revela uma estratégia coordenada de reconstrução de alianças políticas na Bahia. Em um cenário de fragmentação partidária, o PT busca recompor pontes com líderes locais que garantem capilaridade eleitoral e influência em pautas municipais.
Ao mesmo tempo, o episódio acende o alerta na oposição, especialmente para ACM Neto, cuja base no interior depende de prefeitos pragmáticos e sensíveis à relação com o governo federal. O gesto em Jequié reforça o movimento de retorno gradual de antigos aliados ao campo petista, consolidando o poder político de Rui Costa como articulador nacional e líder regional.
Contudo, o reencontro também expõe a fluidez das lealdades políticas no interior baiano, onde as alianças tendem a seguir o fluxo de poder e de recursos, e não necessariamente convicções ideológicas duradouras.








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