AFPEB aciona o TJBA contra monopólio do Credcesta e pede suspensão imediata dos descontos em folha; Caso envolve Banco Master

A Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (AFPEB) ingressou na segunda-feira (24/11/2025) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) para contestar os decretos estaduais que, na prática, instituíram um monopólio privado do Banco Master/Banco Pleno (Credcesta) sobre a margem consignável dos servidores públicos estaduais. O caso, registrado sob o número 8073008-82.2025.8.05.0000, foi distribuído ao Órgão Especial e encontra-se concluso para decisão liminar da desembargadora Gardênia Pereira Duarte, indicando a possibilidade de deliberação imediata.

A AFPEB sustenta que decretos estaduais criaram uma estrutura monopolista, sem licitação, que privilegiou o grupo financeiro ligado ao Banco Master/Banco Pleno (Credcesta), permitindo juros elevados, restrições à portabilidade de crédito e riscos agravados após a liquidação extrajudicial do conglomerado financeiro. A entidade pede a suspensão imediata dos descontos em folha, a reabertura da concorrência e a declaração definitiva de inconstitucionalidade das normas.

Tese central da ação: monopólio, juros abusivos e risco de insolvência

A AFPEB argumenta que os Decretos Estaduais 17.251/2016 e 18.353/2018 violam princípios essenciais da Livre Concorrência, da Defesa do Consumidor e da Dignidade da Pessoa Humana. Sustenta que o Estado criou uma margem consignável extraordinária e exclusiva para o programa Credcesta, beneficiando diretamente o Banco Master/Pleno.

Outros pontos críticos incluem a ausência de licitação e a concessão de um canal exclusivo para empréstimos, prática considerada inconstitucional pela associação. Segundo a entidade, a exclusividade permitiu que o grupo financeiro operasse com juros que ultrapassam 100% ao ano, condição que comprometeu a renda de milhares de servidores e contribuiu para um cenário de superendividamento generalizado.

A ação destaca ainda a existência de dispositivos que vedam a portabilidade de crédito, impedindo que os servidores migrem para instituições com taxas menores. Esse mecanismo, segundo os advogados da associação, “transformou a remuneração do servidor em garantia perpétua de um contrato desvantajoso”.

A crise se intensificou com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida recentemente, o que, segundo a AFPEB, “agrava de forma drástica o risco de continuidade dos descontos”. Os servidores, afirma a entidade, “estão obrigados a pagar uma dívida para uma instituição em colapso, sem garantia de ressarcimento ou segurança jurídica”.

O que pede a AFPEB ao Tribunal de Justiça

A ADI apresenta pedido liminar para:

  1. Suspender imediatamente todos os descontos em folha vinculados ao Credcesta, interrompendo o dano financeiro contínuo aos servidores.
  2. Restabelecer o direito à portabilidade, permitindo que os servidores busquem condições de crédito mais vantajosas.
  3. Determinar, no julgamento final, a inconstitucionalidade dos decretos, extinguindo o monopólio e devolvendo o equilíbrio ao mercado de crédito consignado.

A associação afirma que a manutenção dos decretos “é um atentado à dignidade do servidor, que tem sua verba alimentar comprometida por normas que favorecem uma única instituição financeira, hoje sob intervenção e sem estabilidade”.

A relatoria da ação está sob responsabilidade da Desembargadora Gardênia Pereira Duarte, que analisa o pedido de suspensão imediata até o julgamento definitivo.

Mobilização dos servidores: ato público contra o Decreto 18.353/2018

Paralelamente ao processo judicial, a AFPEB convocou um ato público para esta quinta-feira (27/11/2025), com o objetivo de pressionar o governo e cobrar medidas urgentes de proteção aos servidores.

Programação do ato:

  • 14h00 — Concentração na Governadoria (Centro Administrativo da Bahia)
  • 15h00 — Mobilização no Tribunal de Justiça da Bahia

Entre as reivindicações, destacam-se:

  • Revogação imediata do Decreto nº 18.353/2018.
  • Suspensão dos descontos do Credcesta.
  • Cancelamento dos convênios com Banco Master e PKL One.
  • Proteção dos dados pessoais e das remunerações dos servidores.

A AFPEB alerta para um quadro descrito como “gravíssimo”, citando “fraudes massivas, empréstimos não contratados, compartilhamento ilegal de dados e a prisão de dirigentes”, além da instabilidade decorrente da intervenção no Banco Master.

Segundo a entidade, “servidores estão falindo enquanto instituições financeiras em insolvência continuam descontando juros extorsivos”.

Fragilidade dos mecanismos de controle

A disputa judicial envolvendo o Credcesta expõe a fragilidade dos mecanismos de controle sobre operações financeiras realizadas por meio de convênios públicos. A concessão de exclusividade sem licitação, somada à ausência de fiscalização sistemática, abriu espaço para práticas consideradas abusivas e para o acúmulo de dívidas que comprometem a subsistência de milhares de famílias de servidores estaduais.

A ADI no TJBA pode redefinir o modelo de consignados no Estado e se tornar um precedente relevante para outras unidades da federação que enfrentam problemas semelhantes. A liquidação extrajudicial do Banco Master adiciona um elemento de urgência que pressiona o Judiciário a atuar com celeridade em defesa da segurança financeira dos servidores.

O caso também revela a necessidade de revisão das políticas de crédito consignado no setor público, especialmente no tocante à proteção de dados, à transparência dos contratos e à prevenção do superendividamento. A presença de fraudes relatadas e de estruturas monopolistas reforça a importância de mecanismos de auditoria independentes.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



6 responses to “AFPEB aciona o TJBA contra monopólio do Credcesta e pede suspensão imediata dos descontos em folha; Caso envolve Banco Master”

  1. Maria das Graças G Penna

    Eu tenho desconto consignado da Credcesta, que nunca acaba. Sou funcionária pública aposentada.

  2. Eu tenho consignado de 120 meses que nunca acaba, eu tenho CDX blue-assist,em S.paulo e moro na Bahia, compras em 3 estados diferentes. Como Minas gerais. Rio de janeiro s. Paulo
    E nunca fui nesses estados. Tenho compras e credito em shopping desses estados, meu contracheque praticamente só vem meu nome bem grande !! Meus proventos está no banco master e credcesta . Sou funcionário pública da Bahia. E essas dividas feitos em outros estados. Só Deus na causa.

  3. Juros absurdos, escorchantes, e no contra cheque não vem definindo quantas parcelas já foram pagas nem quantas faltam. Absurdo!!!

  4. Pior de tudo é saber que existe um decreto como esse que está acabando com a vida dos Servidores. Juros exorbitantes e uma justiça que favorece esses ladrões. A associação agiu muito bem e esperamos que essa desembargadora esteja do nosso lado, dos justos.

  5. O Credicesta está descontando $1.500,00 2 contratos que teve o término em 2019 , eles continuam descontando até hj. Não temos para onde apelar, o Governador do Estado da Bahia não se manifesta.

  6. lourival aguiar dos santos

    , venho, por meio desta, contestar o desconto indevido que vem sendo realizado em meu contracheque referente ao contrato de empréstimo consignado mantido com este Banco.
    O referido empréstimo, cujas parcelas eram descontadas no valor de R$ 1.315,65 (um mil trezentos e quinze reais e sessenta e cinco centavos), já se encontra integralmente quitado.
    Apesar disso, o Banco Master continua realizando descontos mensais, sem qualquer justificativa legal, o que configura cobrança indevida e afronta ao Código de Defesa do Consumidor, especialmente o art. 42, parágrafo único.
    Diante disso, solicito:
    SUSPENSÃO IMEDIATA de qualquer desconto relativo ao contrato em questão;
    RESTITUIÇÃO DOS VALORES DESCONTADOS APÓS A QUITAÇÃO, em dobro, conforme prevê o CDC (art. 42, parágrafo único), ou apresentação formal de justificativa que comprove a regularidade da cobrança;
    Envio do extrato detalhado do contrato, incluindo data de quitação, número de parcelas efetivamente pagas e saldo final;
    Confirmação por escrito desta solicitação.
    Ressalto que, não sendo solucionado o problema em prazo razoável, levarei o caso à Ouvidoria, Banco Central, Procon, Consumidor.gov.br e demais órgãos competentes.


Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner do TJBA Campanha ZELA 728x90px.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading