O deputado estadual Marcelino Galo (PT) rebateu nesta sexta-feira (22/11/2025) os ataques proferidos pelo deputado Robinho (União Brasil) contra o Partido dos Trabalhadores. Em pronunciamento na Assembleia Legislativa da Bahia, o petista afirmou que o oposicionista “omitiu fatos relevantes” sobre integrantes de sua própria sigla ao acusar o PT de irregularidades e condutas antiéticas.
Segundo Galo, a crítica de Robinho ignora que o União Brasil abriga, em sua Executiva Nacional, um dirigente investigado por chefiar uma organização criminosa responsável por desviar R$ 1,4 bilhão, conforme apurações da Operação Overclean, da Polícia Federal. O parlamentar classificou como “incoerência” o fato de opositores apontarem supostos desvios em outros partidos enquanto desconsideram investigações graves envolvendo seus quadros internos.
O deputado ampliou as acusações ao mencionar que o presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, é alvo de investigação sob suspeita de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com Galo, trata-se de uma contradição que precisa ser esclarecida pelo grupo oposicionista, sobretudo diante da postura de enfrentamento apresentada por Robinho no plenário.
Episódio envolvendo helicóptero e prisão no caso Banco Master
Marcelino Galo destacou ainda o episódio em que ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil, desembarcou em Coité utilizando um helicóptero pertencente ao banqueiro Augusto Lima, preso dois dias depois pela Polícia Federal por envolvimento no escândalo do Banco Master, caso que mobiliza investigações sobre fraudes financeiras e operações irregulares no sistema bancário.
O parlamentar considerou o fato emblemático para ilustrar o que descreveu como “silêncio seletivo” dentro da oposição. Para ele, Robinho ignora acontecimentos internos enquanto direciona críticas estruturadas exclusivamente contra o PT.
Acusação de invasão de fazenda no sul da Bahia
Galo também provocou o deputado Robinho ao relembrar a invasão de uma fazenda no extremo sul da Bahia, episódio atribuído ao parlamentar do União Brasil. Para o petista, há um descompasso entre o discurso e a prática:
“Na tribuna, ele condena invasões de terra; fora dela, protagoniza ações que contrariam aquilo que prega.”
O deputado afirmou que o caso mancha a coerência política e “envergonha o Poder Legislativo”, ressaltando que cabe ao sistema de Justiça impor limites a condutas incompatíveis com o exercício do mandato parlamentar.
Debate político e tensões entre PT e União Brasil
O episódio reacendeu a tensão entre PT e União Brasil no Legislativo baiano. As trocas de acusações refletem o ambiente polarizado, especialmente em um cenário nacional marcado por investigações de grande repercussão, prisões recentes e disputas internas dentro das siglas envolvidas.
Nos bastidores da Assembleia, parlamentares avaliam que a fala de Galo deve elevar o tom das próximas sessões, uma vez que integrantes do União Brasil prometem responder às menções públicas e contestar as acusações envolvendo seus dirigentes.
Tensões partidárias e o peso das investigações nacionais
A reação de Marcelino Galo revela um quadro político em que acusações cruzadas se tornaram instrumento constante do debate parlamentar. Ao trazer para o plenário casos como a Operação Overclean, suspeitas de ligação com o PCC e o escândalo do Banco Master, o deputado retira o conflito do plano local e o insere no eixo das grandes investigações nacionais que moldam o ambiente político brasileiro.
A crítica expõe fragilidades no discurso moralizante de setores da oposição, mas também evidencia um padrão recorrente do Legislativo: o uso de investigações em curso como munição retórica, antes mesmo de eventuais conclusões judiciais. Esse movimento, embora frequente, contribui para a deterioração do debate qualificado e reforça a lógica de embates personalistas.
A controvérsia envolvendo a suposta invasão de terras por Robinho adiciona um elemento delicado ao confronto, pois toca na coerência entre discurso público e conduta privada — um ponto sensível em um país marcado por disputas fundiárias e por debates sobre segurança jurídica no campo. A depender dos desdobramentos, o episódio pode reacender discussões sobre limites éticos, responsabilidade parlamentar e o papel da Justiça no controle de excessos.








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