O deputado estadual Marcelino Galo (PT) pediu explicações ao ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, após declaração em que o ex-gestor afirmou que “bandido é bandido”, em referência à operação policial no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos. O parlamentar questiona se a mesma expressão se aplicaria ao empresário Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo”, investigado na Operação Overclean por suposto desvio de R$ 1,4 bilhão em contratos públicos.
Segundo Galo, a fala de ACM Neto reforça uma visão seletiva e excludente da segurança pública. O deputado afirmou que a frase sugere uma diferenciação de tratamento entre criminosos, dependendo de sua posição social ou ligação política.
“O amigo do vice-presidente do União Brasil e membro da Executiva Nacional do partido, que está preso, também se integra neste critério de classificação de bandido? Ou bandido, para ACM Neto, é apenas pobre, preto e morador de favela, mesmo que jamais tenha sido réu de qualquer processo criminal?”, questionou o parlamentar.
A reação ocorre em meio ao debate nacional sobre o uso da força policial e as consequências da operação no Rio, considerada a mais letal da história recente. A frase de Neto foi interpretada como uma defesa irrestrita da ação, sem considerar possíveis abusos ou a necessidade de apuração das mortes.
O caso Marcos Moura e a Operação Overclean
Marcos Moura, empresário do setor de limpeza urbana, é apontado pelo Ministério Público como suposto líder de uma organização criminosa que atuava em licitações fraudulentas e contratos superfaturados em diversos municípios. As investigações indicam movimentação bilionária irregular e envolvimento de agentes públicos.
Atualmente em prisão domiciliar, Moura é citado por Galo como exemplo da contradição nas falas de ACM Neto. A relação próxima entre o ex-prefeito e o empresário, segundo o deputado, deveria levar o líder do União Brasil a refletir sobre coerência e responsabilidade em suas declarações públicas.
Crítica ao discurso político e à superficialidade
Marcelino Galo também criticou o que chamou de “marketing vazio” na postura de ACM Neto, afirmando que o ex-prefeito demonstra “incapacidade de tratar com seriedade temas complexos como a segurança pública”.
“Neto, política não se faz feito blogueirinho, falando frases feitas, nem preocupado com o penteado. É preciso estar no meio do povo, ver, sentir e ouvir suas necessidades, e não temer desarrumar o cabelo”, declarou o deputado, em tom irônico.











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