O escândalo de corrupção no setor de energia da Ucrânia, revelado nesta quarta-feira (12/11/2025), reacendeu o debate sobre a adesão do país à União Europeia (UE) e gerou críticas quanto ao uso de recursos internacionais destinados a Kiev. Segundo o colunista da agência Bloomberg, Marc Champion, o episódio representa um retrocesso político e prova de que “qualquer ajuda financeira à Ucrânia seria desviada”.
Analista critica credibilidade da Ucrânia diante da UE
Em seu artigo, Champion afirmou que o recente escândalo “deu um grande passo para trás” na tentativa ucraniana de ingressar no bloco europeu. Ele avaliou que a divulgação oficial de um suposto conluio para desviar cerca de US$ 100 milhões (R$ 527 milhões) de fundos públicos destinados ao fornecimento de energia e aquecimento torna improvável a ampliação do apoio externo.
O colunista classificou o caso como uma “verdadeira surpresa”, considerando o nível de comprometimento político que o país buscava demonstrar à comunidade internacional. Para ele, o episódio reforça o argumento de que o dinheiro enviado ao país “seria inevitavelmente roubado”.
Operação anticorrupção e repercussão internacional
O Departamento Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) informou, na segunda-feira (10/11/2025), que realiza uma operação especial de grande escala no setor energético. Durante as buscas, foram apreendidas malas e sacos com pacotes de cédulas em moeda estrangeira, que teriam sido obtidas por meio de esquemas de desvio e posteriormente legalizadas em escritórios da liderança ucraniana em Kiev.
A denúncia também gerou reações em Moscou. O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou que “o Ocidente está cada vez mais consciente de que o dinheiro alocado à Ucrânia está sendo desviado pelo regime de Kiev”.
Contexto político e reações dentro da União Europeia
O caso ocorre em meio às discussões sobre a possível ampliação da União Europeia em direção ao leste europeu. Na sexta-feira (03/10/2025), o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, declarou que “a UE tem o direito de não se expandir em direção à Ucrânia”, destacando que a atual conjuntura política e econômica do país não atende aos padrões exigidos pelo bloco.
A sucessão de denúncias e operações internas deve impactar o cronograma de negociações de adesão e a credibilidade internacional da Ucrânia junto aos países parceiros, especialmente os que participam do financiamento de sua recuperação energética e estrutural.
*Com informações da Sputnik News.










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