Ex-prefeito ACM Neto é criticado por discurso político durante festa religiosa em Valença

Durante a tradicional Festa de Nossa Senhora do Amparo, realizada em Valença, no domingo (09/11/2025), o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) foi alvo de críticas após usar o evento religioso para fazer comentários políticos. O deputado estadual Robinson Almeida (PT) classificou o episódio como “inconveniência política” e disse que a postura de Neto “feriu o espírito de fé e respeito do momento”.

Segundo o parlamentar, “em Valença, a fé subiu ao altar, mas o blogueirinho resolveu fazer política no meio da procissão”, em referência à presença de Neto no evento. A imprensa local também destacou o desconforto causado, apontando que o ex-prefeito “aproveitou o evento de fé para atacar adversários políticos”.

Deputado chama atitude de “vexatória” e “desesperada”

Em entrevista, Robinson Almeida afirmou que o comportamento do ex-prefeito foi “vexatório” e “retrata o desespero de quem tenta ressuscitar uma candidatura naufragada”. Para o parlamentar, ACM Neto vive “um inferno astral político” e “tenta mascarar o vazio do seu projeto com gestos teatrais”.

O deputado também relembrou a recente frase de Neto — “bandido é bandido” —, dita ao defender a operação policial no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos. Almeida afirmou que o comentário revela “ausência de sensibilidade e desprezo pela vida humana”.

“Em vez de misericórdia, o que ele prega é vingança”, criticou.

Críticas a aliados e acusações de hipocrisia política

O parlamentar ainda ressaltou a contradição entre o discurso moralista de Neto e o comportamento de figuras ligadas ao seu grupo político.

“Enquanto o blogueirinho posa de paladino da justiça, vários dos seus aliados respondem a processos e investigações graves”, disse Almeida.

Entre as acusações, o deputado citou escândalos de corrupção e obstrução de justiça envolvendo lideranças do União Brasil, partido de Neto.

“É muita seletividade: fala grosso com pobre e manso com os amigos poderosos que têm problemas com a polícia e a Justiça”, completou.

Instrumentalização religiosa

O episódio em Valença expõe uma linha tênue entre participação pública e instrumentalização religiosa. A tentativa de transformar uma celebração de fé em palco político revela uma estratégia arriscada, sobretudo em um contexto de crescente rejeição a discursos moralistas e polarizados. O gesto de ACM Neto, ao buscar visibilidade fora do eixo eleitoral direto, indica tanto uma tentativa de reconstrução de imagem quanto fragilidade estratégica dentro de seu campo político. Por outro lado, a reação dura do PT reforça o tom beligerante que deve marcar as disputas municipais e estaduais de 2026.


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