Exibição de “Malês” abre programação do Novembro Negro na Bahia e reforça valorização da história e da cultura afro-brasileira

A Sala de Cinema Walter da Silveira recebeu, na noite desta terça-feira (12), a sessão especial de “Malês” (2025), longa dirigido por Antônio Pitanga, que marcou o início da programação do Novembro Negro e do Novembro das Artes Negras do Governo da Bahia. O evento contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do secretário estadual de Cultura Bruno Monteiro e do próprio diretor, em uma celebração dedicada à memória, à resistência e à valorização da história afro-brasileira.

A exibição integra as iniciativas promovidas pelo Governo do Estado em homenagem ao Dia da Consciência Negra, reafirmando o compromisso com políticas públicas de valorização da identidade negra e de fortalecimento da produção cultural na Bahia. O evento reuniu autoridades, artistas, líderes de movimentos negros e representantes de comunidades tradicionais, reforçando a centralidade da cultura afro-brasileira no calendário institucional do Estado.

A escolha de “Malês” como obra de abertura do ciclo cultural ressalta o símbolo de resistência representado pela Revolta dos Malês, episódio fundamental da história baiana e brasileira, frequentemente sub-representado no debate público e no ensino formal.

Um filme sobre resistência, identidade e memória

Malês” reconstrói o maior levante organizado por pessoas escravizadas no Brasil, ocorrido em 1835, em Salvador, liderado por africanos muçulmanos. Filmado em Salvador e Cachoeira, o longa explora temas como racismo estrutural, identidade religiosa, laços comunitários e luta por liberdade. Com roteiro de Manuela Dias, o elenco reúne atores como Rocco Pitanga, Camila Pitanga, Edvana Carvalho, Heraldo de Deus e Patrícia Pillar.

A trama acompanha dois jovens africanos muçulmanos separados pela escravidão e reunidos pela resistência, iluminando dimensões humanas e políticas de um episódio ainda pouco conhecido por parte da população brasileira.

Além de dirigir o filme, Antônio Pitanga interpreta Pacífico Licutan, líder da revolta que articulava diferentes etnias e tradições em torno da causa comum pela liberdade. O diretor destaca que a obra busca “levar luz a uma história invisibilizada, construída por povos originários e negros”, ressaltando a importância da memória como instrumento político e pedagógico.

Incentivos públicos e fortalecimento do audiovisual baiano

A realização de “Malês” contou com apoio do Governo da Bahia por meio da Lei Paulo Gustavo Bahia (LPGBA), que destinou R$ 350 mil ao projeto. A produção também recebeu aportes da Embasa (R$ 350 mil) e da BahiaGás (R$ 70 mil), reforçando o alinhamento institucional em torno do fortalecimento do audiovisual.

Esse esforço se insere em um cenário de expansão do setor no Estado, impulsionado pela criação da Bahia Filmes, empresa pública dedicada ao fomento de produções audiovisuais, à profissionalização de equipes e à ampliação da visibilidade das obras baianas no mercado nacional.

A diretora da Funceb, Sara Prado, destacou que o filme é exemplo direto de como políticas públicas estruturadas fortalecem o ecossistema audiovisual. Segundo ela, o setor movimenta a economia criativa, gera empregos qualificados e amplia a presença da Bahia no circuito cultural brasileiro.

Declarações das autoridades e significado do evento

Governador Jerônimo Rodrigues: cinema como instrumento de igualdade

O governador Jerônimo Rodrigues afirmou que obras como “Malês” contribuem para fortalecer a educação, a memória histórica e o combate ao preconceito, ao afirmar que “o filme inspira coragem e reafirma a necessidade de ações articuladas entre governos para garantir igualdade e valorização do povo negro”.

Cultura como ferramenta política e histórica

O secretário de Cultura Bruno Monteiro ressaltou o papel transformador da arte ao afirmar que o Estado vive um momento decisivo no resgate das narrativas históricas e na devolução do protagonismo ao povo negro. Ele destacou ainda a importância de promover obras que confrontem apagamentos históricos.

Já a secretária Ângela Guimarães celebrou a figura de Antônio Pitanga, definiu-o como “griô contemporâneo” e enfatizou sua trajetória como referência para as novas gerações na militância antirracista.

Sala Walter da Silveira: espaço histórico e popular

A exibição ocorreu na tradicional Sala Walter da Silveira, cinema público administrado pela Diretoria de Audiovisual da Funceb, com capacidade para 192 pessoas. O espaço é reconhecido por sua atuação na difusão do cinema baiano e por sua programação híbrida, que inclui mostras, festivais, estreias e pré-estreias.

Ao longo dos anos, a sala se consolidou como plataforma de formação de público, valorização da memória cinematográfica e incentivo a novos realizadores.


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