A proposta de criação de uma nova Universidade Federal em Feira de Santana voltou ao centro do debate público nesta segunda-feira (24/11/2025) após uma audiência conjunta das comissões de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa da Bahia e da Câmara Municipal de Feira de Santana. O encontro reuniu parlamentares, gestores, educadores, estudantes e representantes do setor produtivo, consolidando um movimento político e institucional em defesa da expansão do ensino superior federal na segunda maior cidade do estado.
A audiência foi proposta pelo deputado Robinson Almeida (PT) em parceria com o vereador Ivamberg Lima (PT), ambos responsáveis por articular a discussão com autoridades acadêmicas e atores econômicos da região. Segundo os organizadores, o objetivo central é consolidar subsídios técnicos e políticos para subsidiar o Governo Federal na avaliação da proposta.
A articulação política pela criação da nova instituição
Nos debates, Robinson Almeida enfatizou que o projeto já possui elementos estruturais relevantes, como doações de terrenos e estudos de viabilidade técnica elaborados pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O parlamentar lembrou que, em setembro, em visita ao Ministério da Educação, entregou documentação que defende a implantação da universidade.
Para ele, o avanço do projeto depende de uma ação conjunta entre lideranças políticas estaduais e municipais, além do engajamento dos setores produtivo e cultural. O deputado sustenta que a união dessas forças “é necessária para colocar Feira de Santana no primeiro lugar da fila quando houver decisão de expansão do ensino superior federal no Brasil”.
O debate evidenciou também o acúmulo de demandas reprimidas na região, que abriga uma população numerosa e dinâmica, mas conta com apenas duas instituições públicas de ensino superior: a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e o Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (Cetens/UFRB).
O papel estratégico de Feira de Santana no Nordeste
Com cerca de 600 mil habitantes, segundo o Censo IBGE 2022, Feira de Santana exerce influência direta sobre quase 100 municípios de seu entorno e se consolidou como polo logístico, industrial e de serviços. A cidade também desempenha papel relevante na produção científica e cultural, mas enfrenta limitações de oferta de vagas na rede pública de ensino superior.
O deputado federal Zé Neto (PT) destacou que a criação de uma universidade federal é decisiva para o desenvolvimento regional sustentado. Para ele, países que buscam competitividade dependem de investimentos consistentes em educação tecnológica e inovação.
O parlamentar afirmou que a implantação da instituição ampliaria a capacidade local de geração de emprego, renda e qualificação profissional.
“É uma estratégia de futuro, com potencial para transformar a realidade de toda a região”, disse o vice-líder do Governo Lula na Câmara.
Demandas sociais e apelos ao Governo Federal
O vereador Ivamberg Lima reforçou que Feira de Santana supera o tamanho populacional de oito capitais brasileiras e que, por esse motivo, “merece uma universidade federal”. Ele argumentou que a cidade possui condições demográficas e econômicas para receber a instituição, além de forte demanda social por ensino, pesquisa e extensão.
Em sua fala, Ivamberg fez um apelo direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lembrando a trajetória do governo federal na ampliação do acesso ao ensino superior. “Olhe para Feira”, disse, destacando o impacto social esperado com a implantação da nova universidade.
A proposta acadêmica e sua abrangência regional
Durante a audiência, as professoras Luciana Maciel e Jéssica Ribeiro apresentaram a proposta técnica de criação da universidade, que atenderia uma população estimada em 1,8 milhão de pessoas nos territórios Portal do Sertão, Sisal e Bacia do Jacuípe.
Elas ressaltaram que aproximadamente 1,5 milhão de jovens baianos entre 17 e 24 anos têm potencial de ingresso no ensino superior, constituindo uma “janela de oportunidade” para investimentos educacionais com impacto duradouro no desenvolvimento regional.
A reitora da UFRB, Georgina Gonçalves, reforçou o compromisso institucional com a expansão da oferta de vagas e com a construção de uma rede robusta de educação superior no interior do estado.
Participação institucional e próximos passos
O debate contou com a presença de lideranças da sociedade civil, como Edson Piaggio de Oliveira, presidente do Instituto Pensar Feira; o professor Josué da Silva Mello, diretor do Ined; e Elísio Santa Cruz, do Movimento em Defesa da Democracia e Contra o Fascismo. Representantes da UNE, do setor cultural municipal e da primeira-dama da Bahia, Tatiana Velloso, também participaram.
Ao final da audiência, Robinson Almeida anunciou que será elaborado um relatório detalhado, reunindo as propostas discutidas e encaminhando as demandas aos governos estadual e federal para avaliação e possível implementação.
A relevância estratégica da nova universidade
A criação de uma universidade federal em Feira de Santana apresenta dimensão estratégica para o desenvolvimento regional. A cidade possui peso demográfico e econômico suficiente para justificar a ampliação da rede pública de ensino superior, especialmente diante da demanda reprimida de jovens e da ausência de instituições federais robustas no município.
Apesar do avanço político observado, o projeto depende de decisões orçamentárias e de prioridades federais, o que pode criar tensionamentos entre expectativas regionais e limitações fiscais. Outro ponto crítico é a necessidade de definir o modelo institucional da universidade, seu foco acadêmico e sua articulação com a rede já existente, para evitar redundâncias e garantir eficiência.
A audiência reforça que a iniciativa é, ao mesmo tempo, uma reivindicação social e uma estratégia de inserção regional, mas ainda carece de definições claras sobre cronograma, financiamento e estrutura administrativa.











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