Um novo estudo do Instituto Trata Brasil, divulgado no fim de outubro de 2025, acendeu o alerta para o aumento da demanda por água tratada nas próximas décadas. O relatório “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, elaborado em parceria com a consultoria Ex Ante, projeta um crescimento de 59,3% na demanda até meados do século, impulsionado pela expansão urbana, pelo avanço econômico e pelo aquecimento global.
Apesar do cenário preocupante, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) assegura que não há risco de desabastecimento nos 368 dos 417 municípios em que opera. O presidente da companhia, Gildeone Almeida, destacou que a Bahia vem adotando políticas de segurança hídrica há décadas, combinando planejamento, obras estruturantes e uso racional dos recursos hídricos. “A Embasa tem atuado conforme as diretrizes da Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), com investimentos contínuos em tecnologia e ampliação dos sistemas de abastecimento”, afirmou.
Infraestrutura hídrica: adutoras e sistemas integrados consolidam rede estadual
Dois dos maiores empreendimentos em operação no semiárido baiano são exemplos da política de prevenção ao racionamento. A Adutora do São Francisco, inaugurada em 2013 com investimento de R$ 1 bilhão do PAC, capta e distribui água do rio para 350 mil pessoas na região de Irecê. Já a Adutora do Algodão, concluída em 2012 com R$ 196,7 milhões, garante abastecimento a 280 mil moradores de cidades como Guanambi, Caetité e Malhada.
Esses sistemas integram um plano de longo prazo que busca estabilizar o fornecimento de água em áreas historicamente atingidas pela seca. A estratégia estadual combina integração regional, ampliação de reservatórios e automação de estações de tratamento, ampliando a resiliência frente às mudanças climáticas.
Capital e Região Metropolitana: expansão do sistema Pedra do Cavalo–Joanes
Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), a Embasa investe R$ 109,9 milhões — com recursos do PAC 2/OGU — na ampliação do sistema que capta água das barragens de Pedra do Cavalo e Joanes. A obra inclui a duplicação da adutora entre Candeias e Salvador, aumentando o volume transportado e a segurança hídrica para a capital e municípios vizinhos.
Outros R$ 11,3 milhões foram aplicados para reforçar em 25% o abastecimento de Candeias, São Francisco do Conde, Madre de Deus e das ilhas de Bom Jesus dos Passos, Frades e Maré. Intervenções complementares em Simões Filho (R$ 24,8 milhões) e Camaçari (R$ 17,4 milhões) também estão em andamento, com foco em garantir regularidade no fornecimento durante o verão, período em que o consumo triplica.
Feira de Santana e interior: novas obras ampliam cobertura de abastecimento
No eixo Feira de Santana–Recôncavo, a Embasa aplica R$ 113,5 milhões, com recursos próprios e do FGTS/Selesan, na expansão do sistema produtor que atenderá 37 localidades distribuídas entre Conceição da Feira, São Gonçalo, Feira, Santanópolis, Santa Bárbara e Tanquinho. A meta é beneficiar cerca de 881 mil pessoas com aumento da capacidade de produção e distribuição de água tratada.
Em Vitória da Conquista, estão em curso R$ 344 milhões em obras da Barragem do Rio Catolé, que garantirá abastecimento para 347 mil moradores de 60 localidades, além de R$ 78,9 milhões para ampliação do sistema integrado. Outras frentes, como a Ampliação do SAA de Nazaré (R$ 25,1 milhões), reforçam o esforço descentralizado de modernização da rede.
Semiárido baiano: projetos garantem estabilidade a longo prazo
Em regiões de maior vulnerabilidade, o governo vem consolidando projetos de grande porte. O Sistema Integrado de Abastecimento de Água de Anagé, entregue em junho com R$ 99,6 milhões de recursos próprios, capta água do Rio Gavião e abastece cinco municípios — entre eles Anagé, Caraíbas e Maetinga —, com previsão de atender 40 mil pessoas pelos próximos 30 anos.
Já em Planaltino, o novo sistema integrado, com R$ 177,9 milhões em investimentos, está na fase final de implantação e levará água do Rio Paraguaçu para 90 mil habitantes de Planaltino, Maracás e Lajedo do Tabocal. No conjunto, os empreendimentos consolidam um modelo de segurança hídrica que combina sustentabilidade, regionalização e eficiência operacional.
Outros investimentos expressivos incluem Amélia Rodrigues (R$ 17,3 milhões), Jequié (R$ 54,2 milhões), Uauá (R$ 43,5 milhões), Tanhaçu (R$ 21,7 milhões), Miguel Calmon (R$ 19 milhões) e Serrolândia (R$ 27,5 milhões), totalizando mais de R$ 380 milhões em obras no semiárido, com recursos próprios e do Novo PAC.
Políticas estruturantes garantem segurança hídrica duradoura na Bahia
A política hídrica baiana consolida um modelo de governança preventiva e planejamento de longo prazo, voltado a evitar crises de racionamento como as registradas em outros estados. A combinação entre investimentos contínuos, diversificação de mananciais e gestão regionalizada dos sistemas coloca a Bahia em posição de destaque no enfrentamento à escassez de água.
Mais do que ampliar a infraestrutura, o programa estadual busca assegurar a sustentabilidade hídrica com ações que envolvem educação ambiental, modernização tecnológica e eficiência operacional. O conjunto de obras implantadas no semiárido, na Região Metropolitana de Salvador e em polos estratégicos do interior fortalece o abastecimento e antecipa soluções diante do crescimento da demanda e dos efeitos das mudanças climáticas.
A efetividade dessas políticas, contudo, dependerá da continuidade dos investimentos públicos e da integração entre planejamento, gestão e conscientização social, pilares indispensáveis para garantir a estabilidade do sistema até 2050.
Panorama Geral
- Estudo do Instituto Trata Brasil prevê aumento de 59,3% na demanda nacional por água tratada até 2050.
- Nordeste é uma das regiões mais vulneráveis à escassez hídrica.
- Embasa opera em 368 dos 417 municípios baianos, sem risco atual de desabastecimento.
- Investimentos realizados pelo Governo da Bahia e Embasa superam R$ 1 bilhão, com recursos do PAC, FGTS/Selesan e fundos próprios.
Grandes Obras e Adutoras
- Adutora do São Francisco — R$ 1 bilhão (PAC) — beneficia 350 mil pessoas na região de Irecê.
- Adutora do Algodão — R$ 196,7 milhões (PAC) — abastece 280 mil habitantes em Guanambi, Caetité, Malhada e região.
- Barragem do Rio Catolé (Vitória da Conquista) — R$ 344 milhões (PAC OGU) — atende 347 mil pessoas em 60 localidades.
Região Metropolitana de Salvador (RMS)
- Ampliação do sistema Pedra do Cavalo–Joanes: R$ 109,9 milhões (PAC 2/OGU).
- Reforço de abastecimento em Candeias, São Francisco do Conde e Madre de Deus: R$ 11,3 milhões.
- Obras complementares em Simões Filho: R$ 24,8 milhões.
- Ampliação do SIAA de Camaçari: R$ 17,4 milhões.
- Meta: garantir regularidade no fornecimento durante o verão, quando o consumo triplica.
Feira de Santana e Região
- Sistema Produtor Feira de Santana: R$ 113,5 milhões (recursos próprios + FGTS/Selesan).
- Benefício direto para 881 mil pessoas em 37 localidades.
- Municípios atendidos: Conceição da Feira, São Gonçalo, Feira de Santana, Santanópolis, Santa Bárbara e Tanquinho.
Semiárido Baiano
- Anagé: R$ 99,6 milhões — captação no Rio Gavião, abastecendo 5 municípios e 40 mil pessoas.
- Planaltino: R$ 177,9 milhões — captação no Rio Paraguaçu, beneficiando 90 mil habitantes.
- Amélia Rodrigues: R$ 17,3 milhões.
- Jequié: R$ 54,2 milhões.
- Uauá: R$ 43,5 milhões.
- Tanhaçu: R$ 21,7 milhões.
- Miguel Calmon: R$ 19 milhões.
- Serrolândia: R$ 27,5 milhões.
- Total de R$ 380 milhões em obras no semiárido com recursos do Novo PAC e próprios.
Governança e Planejamento
- A Embasa atua vinculada à Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS).
-
Estratégia de longo prazo com foco em:
- Automação de estações de tratamento.
- Regionalização dos sistemas integrados.
- Educação ambiental e uso racional da água.
-
Prevenção a colapsos de abastecimento.
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