Operação USG aprofunda investigação sobre esquema milionário de corrupção na saúde pública da Bahia e do Piauí; Desvios são estimados em mais de R$ 12 milhões

 

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta terça-feira (18/11/2025), a segunda fase da Operação USG, avançando nas investigações sobre um esquema estruturado de corrupção na saúde pública que teria desviado mais de R$ 12 milhões por meio de contratos fraudados, clínicas de fachada e serviços médicos inexistentes nos estados da Bahia e do Piauí.

A ação é coordenada pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD) e pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), com apoio da 11ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Barreiras/BA) e equipes da Polícia Civil do Piauí.

Ao todo, cerca de 80 policiais civis participam do cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens dos investigados.

Estrutura do esquema e novos alvos

As diligências desta fase miram médicos, ex-secretários municipais de saúde, agentes políticos e clínicas privadas que mantinham contratos com administrações municipais. Segundo a Polícia Civil, todos são suspeitos de integrar uma organização criminosa voltada à fraude de contratos médicos, superfaturamento e desvio de verbas públicas.

Os investigadores identificaram a existência de uma rede operacional composta por clínicas de fachada, utilizadas para gerar documentação capaz de “comprovar” atendimentos que jamais ocorreram. Entre os principais indícios de fraude levantados pela operação estão:

  • Exames e procedimentos incompatíveis com a realidade local, sugerindo manipulação de dados e inserção fictícia de serviços;
  • Plantões médicos inexistentes, registrados apenas para justificar pagamentos;
  • Listas de pacientes com dados inconsistentes, usadas para inflar a demanda e validar repasses;
  • Notas fiscais emitidas para encobrir atendimentos que não ocorreram, compondo a engenharia financeira do esquema.

Avanço das investigações após primeira etapa da operação

A nova fase da Operação USG decorre da análise detalhada de documentos, equipamentos eletrônicos e registros apreendidos em dezembro de 2024, durante a etapa inicial da ação. Esse material revelou padrões de movimentação financeira, contratos suspeitos e vínculos entre profissionais e gestores públicos que sustentam a ampliação das investigações.

Os elementos coletados na primeira fase permitiram identificar novos participantes e aprofundar a investigação sobre as clínicas que davam sustentação à estrutura criminosa. Com isso, a Polícia Civil avançou para bloqueios judiciais, buscando impedir a dissipação de patrimônio e assegurar futura reparação ao erário.

Repercussão institucional e próximos passos

A Operação USG é considerada uma das ações mais relevantes recentes no combate à corrupção na saúde pública na região, dada a complexidade dos contratos e o volume de recursos desviados. As próximas etapas incluem perícia dos materiais apreendidos, análise dos fluxos financeiros e novas oitivas de investigados e testemunhas.

Vulnerabilidade de contratos terceirizados

A Operação USG expõe um problema estrutural recorrente na administração da saúde pública municipal: a vulnerabilidade de contratos terceirizados, a fragilidade de controles internos e a dependência de prestadores privados para atividades essenciais. O caso revela como estruturas paralelas podem infiltrar-se em sistemas públicos, apropriando-se de recursos destinados a serviços fundamentais para a população mais vulnerável. As investigações, embora avançadas, ainda dependem de rigor técnico para identificar a extensão total dos danos e responsabilizar gestores e empresas que se beneficiaram do esquema. A atuação integrada das polícias estaduais é um diferencial, mas evidencia também a necessidade de fortalecimento de mecanismos permanentes de auditoria e transparência.


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