A arroba do boi gordo permanece em R$ 330,00 na Bahia, segundo levantamento da Cooperfeira, mantendo a estabilidade registrada na semana anterior e consolidando o maior valor do ano. Mesmo sem novos avanços, o setor segue com cenário positivo, sustentado pela oferta controlada e pela demanda firme, com expectativa de reajustes até o fim de 2025.
O monitoramento semanal da Cooperfeira indica que o atual patamar de preço decorre de uma combinação de fatores estruturais do mercado pecuário. A oferta de animais terminados segue limitada em diversas regiões, consequência direta do fim do ciclo de confinamento e da dependência das chuvas para a entrada do gado de pasto. A restrição de oferta tem sido determinante para a manutenção dos preços em nível elevado.
A entressafra, período tradicionalmente marcado pela menor disponibilidade de animais para abate, confirma neste ano sua influência sobre o comportamento do mercado. Em agosto, a arroba estava a R$ 280,00; em outubro, atingiu R$ 300,00; e, em novembro, chegou a R$ 330,00, o maior valor de 2025 até o momento. Essa trajetória gradual consolida um movimento de valorização típico do segundo semestre.
A demanda interna tem contribuído para sustentar esse cenário. O consumo doméstico de carne bovina permanece estável, enquanto as exportações continuam em ritmo satisfatório, mesmo com um câmbio menos pressionado. Segundo a Cooperfeira, o dólar exerce influência indireta na competitividade internacional do produto brasileiro, mas o fator decisivo segue sendo a escassez de oferta aliada ao bom desempenho da indústria frigorífica.
O diretor da Cooperfeira, Agenor Campos, reforçou que o mercado apresenta condições favoráveis para manter a firmeza nos preços nas próximas semanas. Segundo ele, “a arroba se manteve estável, mas dentro de um cenário de valorização. A oferta segue controlada e o produtor está cauteloso. Se as condições de mercado se mantiverem, ainda podemos ter reajustes pontuais até o fim do ano”.
A Cooperfeira, que reúne cerca de 800 cooperados e desempenha papel central na pecuária baiana, mantém acompanhamento sistemático dos preços e das condições de mercado, oferecendo análises atualizadas para produtores, investidores e parceiros do setor. A instituição destaca que o cenário deve ser monitorado de perto, sobretudo em função da irregularidade das chuvas e da chegada do gado de pasto às escalas de abate.
Tendências para as próximas semanas
O comportamento do mercado dependerá, em grande medida, da regularização das chuvas e da transição do gado de confinamento para o gado de pasto. Se a oferta permanecer restrita, há espaço para avanços moderados nos preços, especialmente em dezembro, período de maior movimentação no mercado físico.
A indústria frigorífica também atua com maior cautela, ajustando escalas de abate à disponibilidade de animais. Esse alinhamento entre oferta e demanda, comum no fim do ano, tende a manter os preços firmes e próximos do teto registrado até o momento.
Fundamentos e limites da valorização
A firmeza atual da arroba reflete um equilíbrio sustentado mais pela escassez de oferta do que por um aumento expressivo da demanda. Esse tipo de movimento costuma ser sensível a qualquer mudança climática ou sanitária. Além disso, a dependência das indústrias frigoríficas em relação ao mercado externo indica que o setor segue vulnerável a variações no câmbio e a barreiras comerciais.
Por outro lado, a Cooperfeira demonstra capacidade de leitura técnica do cenário e fornece ao produtor um norte de estabilidade em um mercado tradicionalmente volátil. O maior desafio, porém, continuará sendo equilibrar o ciclo pecuário com condições climáticas cada vez mais irregulares.








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