Propina e fraudes: 8ª fase da Operação Overclean mira secretário que atuou em três estados e investiga desvio de recursos públicos

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (06/11/2025) a 8ª fase da Operação Overclean, cumprindo mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra Danilo de Azevedo Costa, secretário municipal de Educação de Sumaré (SP) e ex-gestor nos governos de Goiás e Tocantins.

A nova etapa aprofunda as apurações sobre um esquema interestadual de fraudes em licitações e desvio de recursos de emendas parlamentares, envolvendo pagamento de propina e contratos simulados na área da educação. Segundo a PF, a ação integra o ciclo de investigações iniciado em 2024, que já resultou em prisões, bloqueio de bens e sequestro de valores que somam mais de R$ 1,4 bilhão.

Sob coordenação da Superintendência da PF na Bahia, as investigações se expandiram para São Paulo, Tocantins e Goiás, com foco em empresas e gestores públicos suspeitos de direcionar contratos e lavar recursos ilícitos.

De acordo com reportagem do site Metrópoles, Danilo Costa é apontado como um dos beneficiários de propinas e contratos irregulares, firmados por meio de convênios educacionais superfaturados. O nome do secretário surgiu na análise de comunicações interceptadas e movimentações financeiras que indicam transferências atípicas para intermediários e empresas de fachada.

Foco da 9ª fase: fraudes e desvio de emendas parlamentares

A 9ª fase da Operação Overclean, deflagrada em 6 de novembro de 2025, dá continuidade à ofensiva iniciada em 31 de outubro, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que manipulava licitações no Tocantins e desviava emendas parlamentares para o pagamento de propinas a servidores e agentes políticos.

Na etapa anterior, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), São Paulo (SP), Palmas (TO) e Gurupi (TO). As apurações indicaram que o grupo simulava contratos de prestação de serviços educacionais e tecnológicos para legitimar o repasso de recursos ilícitos.

Prisões e alvos identificados

Durante as diligências da 8ª fase, foram presos Danilo Pinto da Silva e Éder Martins Fernandes, este último ex-secretário-executivo de Educação do Tocantins. Ambos são investigados por obstrução das investigações, suspeitos de vazar informações internas para tentar barrar o avanço das operações.

Na 9ª fase, a PF concentra as buscas em Sumaré (SP), onde atua Danilo de Azevedo Costa, investigado por corrupção e fraudes em licitações enquanto exercia cargos públicos em Tocantins, Goiás e São Paulo.

Conforme reportagem do site Metrópoles, além de Danilo, outros nomes já haviam sido identificados pela PF como parte do núcleo político e operacional do esquema, entre eles:

  • Claudinei Aparecido Quaresemin, ex-secretário extraordinário de Parcerias e Investimentos do Tocantins;
  • Éder Martins Fernandes, ex-secretário-executivo de Educação do Tocantins;
  • Itallo Moreira de Almeida, ex-diretor da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia;
  • Luiz Cláudio Freire de Souza França, advogado e secretário-geral do partido Podemos.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.

Apreensões e cooperação institucional

Na ação desta quinta-feira, os agentes da PF apreenderam dispositivos eletrônicos e documentos que serão periciados para aprofundar as investigações e rastrear fluxos financeiros suspeitos. O material apreendido será analisado por peritos especializados, com o objetivo de identificar a origem dos recursos desviados e conectar transações entre empresas e gestores públicos.

A operação é coordenada pela Superintendência da Polícia Federal na Bahia, com o apoio da Receita Federal, da Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA) e de órgãos de inteligência financeira, num esforço conjunto para apurar infrações tributárias e crimes contra a administração pública.

Contexto da Operação Overclean

A Operação Overclean foi lançada para combater esquemas de corrupção e desvio de verbas públicas em contratos firmados por diferentes órgãos de educação e infraestrutura. Desde suas primeiras fases, a investigação revelou redes criminosas formadas por servidores e empresários que atuavam em licitações fraudulentas, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro.

As fases anteriores resultaram em bloqueios de bens, sequestro de valores e prisões preventivas, consolidando a Overclean como uma das principais operações da Polícia Federal no combate à corrupção envolvendo recursos federais e estaduais. A 9ª fase amplia o escopo das apurações e evidencia a articulação interestadual do esquema, que se estende por Tocantins, Goiás e São Paulo.

Uso político e financeiro

A deflagração da 9ª fase da Operação Overclean reforça o alcance e a complexidade de uma rede que ultrapassa fronteiras estaduais e envolve gestores públicos de diferentes administrações. O fato de o principal alvo ocupar atualmente um cargo na área da Educação agrava a dimensão institucional do caso, indicando uso político e financeiro de estruturas educacionais para fins ilícitos.

O envolvimento de autoridades com histórico de atuação em múltiplos estados sugere um padrão recorrente de corrupção administrativa, exigindo maior integração entre os órgãos de controle, como Tribunais de Contas e Ministérios Públicos estaduais. Embora o inquérito tramite sob sigilo judicial, a amplitude das medidas judiciais e o acompanhamento pelo STF revelam o peso político e jurídico das investigações.

Linha do Tempo da Operação Overclean (2024–2025)

Data Fase Resumo da Ação Estados Envolvidos
10/12/2024 1ª fase Deflagração da operação; identificação de cerca de R$ 1,4 bilhão em movimentações suspeitas; prisões iniciais e buscas em empresas e prefeituras ligadas a contratos públicos. BA, SP, GO
23/12/2024 2ª fase Prisão de agente da Polícia Federal suspeito de receber propina para vazar informações sigilosas da investigação. BA, DF
03/04/2025 3ª fase Ampliação das apurações sobre fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro; atuação conjunta da PF e da CGU em órgãos públicos e empresas de fachada. BA, MG, SE
2025 (1º semestre) 4ª fase Avanço sobre operadores financeiros e intermediários; apreensão de planilhas, quebras de sigilo e identificação de vínculos com assessores parlamentares. BA, DF
2025 (2º semestre) 5ª fase Consolidação do lastro probatório; foco na engenharia financeira do esquema e no rastreamento de recursos oriundos de emendas parlamentares. BA
14/10/2025 6ª fase Cumprimento de mandados judiciais e bloqueio de bens por determinação do STF; foco em operadores financeiros e empresas contratadas. BA, DF
16/10/2025 7ª fase Afastamento de servidores públicos, novos sequestros de valores e aprofundamento da apuração de contratos fraudulentos, com ênfase na área de educação. BA, RJ
31/10/2025 8ª fase Mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Tocantins; identificação de tentativas de obstrução das investigações e expansão das frentes patrimonial e política. DF, SP, TO
06/11/2025 Desdobramento da 8ª fase Ação contra Danilo de Azevedo Costa, secretário de Educação de Sumaré; apuração de propina e fraudes em licitações financiadas por emendas parlamentares desviadas. SP, TO

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