Nascido em 25 de agosto de 1938, na Fazenda São Bento, município de Ipirá (BA), Joaci Fonseca de Góes , conhecido como Joaci Góes, é filho de João de Souza Góes e Mariana Fonseca de Góes. Desde a infância, foi exposto ao valor do trabalho e à tradição familiar ligada à terra e à educação. Realizou os primeiros estudos nos povoados de Ponto Alegre e Pau de Ferro, antes de transferir-se, aos 12 anos, para Salvador, onde cursou o Colégio Severino Vieira e o Colégio Central da Bahia, referências da formação humanista e cívica no pós-guerra.
Em 1963, concluiu o curso de Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, mais tarde, aperfeiçoou-se nos Estados Unidos, integrando o Stanford Executive Program, da Stanford University (1975). A formação jurídica e empresarial consolidou uma base sólida que marcaria toda a sua trajetória.
Casado com Lídice Ferraz de Góes, é pai de Joaci Filho, empresário, e de Alex Góes, cantor e compositor reconhecido nacionalmente. Avô de Daniel e Maria Eduarda, mantém a convivência familiar como centro moral e afetivo de sua vida, que sempre expressou em discursos e textos voltados à importância da vocação e da família na formação do caráter.
Empreendedor, educador e promotor do desenvolvimento baiano
A partir de 1959, fundou e presidiu o grupo Góes-Cohabita, que se tornou um dos complexos empresariais mais diversificados do Nordeste. O conglomerado atuou em construção civil e rodoviária, mercado imobiliário, indústria, hotelaria, transporte, comunicação e energia elétrica, simbolizando o dinamismo do empresariado baiano da segunda metade do século XX.
Góes liderou a construção de estradas, edifícios e empreendimentos agrícolas e industriais que impulsionaram o crescimento da Bahia, especialmente na Região Metropolitana de Salvador e no Litoral Sul. O grupo também foi pioneiro na incorporação de tecnologias em obras públicas e privadas, projetando o nome da Bahia no cenário nacional.
No campo educacional, fundou as Faculdades do Descobrimento (FACDESCO), em Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, instituições voltadas à formação superior de jovens do extremo sul baiano. Também atua como consultor educacional das Obras Sociais Irmã Dulce, reforçando seu compromisso com a responsabilidade social e a educação inclusiva.
Da imprensa à política: um intelectual na vida pública
O ingresso de Joaci Góes no jornalismo marcou época. Entre 1970 e 1997, foi diretor e principal dirigente do jornal Tribuna da Bahia, veículo que consolidou a imprensa moderna no Estado e abriu espaço para debates democráticos em momentos de transição política. Também foi coproprietário da Rádio e TV Aratu, consolidando-se como uma das figuras mais influentes da comunicação baiana.
No jornalismo, defendeu com veemência a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e a valorização da cultura baiana. Em suas colunas e artigos, destacou-se pela erudição e pela capacidade de conectar filosofia, economia e política, buscando sempre uma leitura ética e construtiva da realidade.
Na política, foi eleito deputado federal constituinte (1987–1991) pelo PMDB, tendo papel decisivo na Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Presidiu a Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, foi relator do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) e autor do Artigo 165, §7º da Constituição Federal, que determina a distribuição equitativa dos recursos da União conforme a população regional — uma contribuição de grande impacto no equilíbrio federativo.
Durante o mandato, também foi coordenador da bancada da Bahia e vice-líder do PMDB, destacando-se por sua postura conciliadora e racional. Em 1990, concorreu ao Senado pelo PSDB, defendendo uma plataforma voltada ao desenvolvimento sustentável, à transparência administrativa e à ética pública.
Pensador, conferencista e autor de obras fundamentais
A produção intelectual de Joaci Góes reflete o olhar crítico de um humanista que alia filosofia moral, economia e comportamento social. Seus livros abordam temas universais — inveja, ódio, vocação e liderança — sob uma perspectiva psicológica e ética. Entre suas principais obras estão:
- A Inveja Nossa de Cada Dia e Como Lidar com Ela (2001);
- Anatomia do Ódio (2004);
- A Força da Vocação no Desenvolvimento das Pessoas e dos Povos (2009);
- As 51 Personalidades Mais Marcantes do Brasil (2014);
- As 7 Pragas do Brasil Moderno (2015);
- Como Governar um Estado – O Caso da Bahia (2018).
Essas publicações consolidaram sua reputação como pensador contemporâneo da ética pública e da liderança. Em suas palestras — realizadas em universidades, câmaras de comércio e academias —, defende que o desenvolvimento humano precede o econômico e que a vocação é o núcleo da realização pessoal e coletiva.
Reconhecimento acadêmico e vida institucional
Joaci Góes é membro efetivo de instituições que simbolizam a memória e a cultura da Bahia. É titular da cadeira nº 7 da Academia de Letras da Bahia, patrono Visconde de Cairu, além de membro da Academia de Letras e Artes do Salvador, da Academia Baiana de Educação, do Instituto Genealógico da Bahia e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), o qual preside.
Entre 2018 e 2020, exerceu a presidência da Academia de Letras da Bahia, período em que promoveu ciclos de conferências, debates sobre Ruy Barbosa e Castro Alves, e a integração de jovens intelectuais à tradição literária baiana. Também atua como comentarista da Rádio Metrópole, mantendo presença constante no debate público sobre política, educação e cultura.
Sua carreira é marcada por centenas de conferências, entre elas, participações no I Fórum Internacional de Debates sobre o Futuro do Brasil (1994), no Seminário sobre o Código de Defesa do Consumidor (1990–2013) e em eventos da Associação Comercial da Bahia, OAB, TRE-BA e Ministério Público do Estado.
A homenagem do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA)
Em 5 de novembro de 2025, data simbólica do nascimento de Ruy Barbosa (1849–1923), o Tribunal de Justiça da Bahia prestou homenagem a Joaci Góes com a Medalha do Mérito Jurídico Ruy Barbosa, criada pela Resolução nº 04/1999 e atualizada em 2024.
O evento, realizado no Auditório Desembargadora Olny Silva, contou com a presença do Ministro Kassio Nunes Marques (STF), da presidente do TJBA, Desembargadora Cynthia Maria Pina Resende, do Desembargador Cássio Miranda (Comissão de Memória) e do Desembargador Jatahy Júnior (Unicorp-TJBA).
O Desembargador Cássio Miranda, autor da proposta, destacou que a escolha foi unânime no Tribunal Pleno, “em reconhecimento ao cabedal intelectual e moral de uma personalidade que tem contribuído para o engrandecimento da Bahia e do Brasil”.
Durante o discurso, Nunes Marques exaltou a trajetória de Góes:
“Joaci é a síntese do homem que soube construir, legislar e interpretar o legado de seu povo. Sua vida é um tributo à razão e ao humanismo.”
Em resposta, Góes citou seu apreço pela figura de Ruy Barbosa, a quem considera “o maior brasileiro de todos os tempos”.
Síntese do pensamento e contribuição cívica
A biografia de Joaci Góes atravessa seis décadas de transformações no Brasil. Seja como empresário, legislador ou pensador, manteve um mesmo eixo de valores: a ética, a liberdade e a vocação como instrumentos do progresso humano.
Ao longo da vida, conciliou teoria e prática, razão e sensibilidade — princípios que sustentam seu pensamento humanista e a sua defesa da cultura baiana como patrimônio da civilização brasileira. Sua figura representa a permanência da intelectualidade clássica em um tempo de superficialidade e fragmentação.
O legado de uma consciência pública
A trajetória de Joaci Góes reafirma a importância da erudição aliada ao compromisso público. Em tempos de crise ética e de desvalorização da cultura, sua biografia resgata a ideia de que o verdadeiro intelectual deve servir à sociedade, e não ao poder.
Ao valorizar o estudo, a moral e a liberdade, Góes ocupa um lugar singular no pensamento brasileiro contemporâneo: o do intelectual comprometido com o bem comum, que compreende o desenvolvimento como fenômeno integral — moral, econômico e cultural.












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