“Gestão está de mal a pior em Salvador, como carreta desgovernada”, afirma Robinson Almeida após prefeito Bruno Reis cair sete posições em ranking nacional

A queda do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), no ranking nacional de avaliação dos prefeitos das capitais, divulgado nesta sexta-feira (19/12/2025) pelo instituto AtlasIntel, reacendeu críticas à condução da gestão municipal. Para o deputado estadual Robinson Almeida (PT), os dados evidenciam desgaste acelerado, perda de apoio popular e esgotamento do modelo administrativo, refletindo problemas estruturais persistentes na capital baiana.

Segundo a pesquisa AtlasIntel, Bruno Reis registra atualmente 56% de aprovação e 30% de reprovação, ocupando a 10ª colocação entre os prefeitos das capitais brasileiras. Em janeiro deste ano, levantamento do mesmo instituto colocava o gestor como o terceiro mais bem avaliado do país, com 79% de aprovação. Em menos de 12 meses, o prefeito caiu sete posições e perdeu quase 30 pontos percentuais de apoio popular.

Para Robinson Almeida, a trajetória descendente não é pontual nem circunstancial. O parlamentar avalia que os números refletem falhas estruturais acumuladas e um modelo de gestão incapaz de responder aos desafios cotidianos de Salvador.

“A avaliação de Bruno Reis despencou sete posições. Um prefeito eleito com quase 80% dos votos hoje tem apenas 56% de aprovação. Se a população avaliar mais profundamente os problemas do dia a dia, esse número pode ser ainda menor”, afirmou.

Críticas à capacidade administrativa da prefeitura

Ao analisar o levantamento, Robinson Almeida foi direto ao classificar o desempenho da atual administração municipal. Segundo ele, a inoperância da gestão explica a perda acelerada de apoio popular.

“A inoperância da gestão fez o prefeito perder quase 30% de apoio. A pesquisa desmascara a gestão de Bruno Reis. Está de mal a pior, uma carreta desgovernada”, declarou o deputado estadual.

O parlamentar sustenta que a deterioração da avaliação pública é percebida pela população nos serviços básicos, na infraestrutura urbana e na ausência de respostas efetivas aos problemas históricos da capital.

Indicadores socioeconômicos reforçam diagnóstico

Robinson Almeida também citou dados de outros levantamentos que, segundo ele, corroboram o cenário de desgaste administrativo. Em maio, Salvador apareceu apenas na 7ª posição no ranking de desenvolvimento socioeconômico da Bahia, elaborado pela Firjan.

O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), que avalia saúde, educação, emprego e renda, colocou a capital baiana atrás de municípios como Luís Eduardo Magalhães, Irecê, Brumado, Barreiras, Mata de São João e Mucuri.

Para o deputado, o resultado tem forte peso simbólico.

“Salvador deveria liderar o estado em qualidade de vida e infraestrutura, mas virou exemplo do fracasso de um modelo de gestão excludente e ineficaz”, avaliou.

Desemprego, urbanismo e mobilidade urbana

O parlamentar também destacou indicadores negativos relacionados ao mercado de trabalho e ao planejamento urbano. Segundo dados do IBGE, Salvador apresenta atualmente a maior taxa de desemprego entre as capitais do Nordeste.

Além disso, a cidade é apontada como a segunda capital menos arborizada do Brasil e lidera o ranking nacional de moradores em ruas sem calçadas, evidenciando deficiências graves em infraestrutura urbana e mobilidade.

Problemas como transporte público precário nos bairros populares, engarrafamentos recorrentes em corredores estratégicos, como a Avenida Paralela, e a ausência de ações estruturantes para reorganizar o deslocamento urbano também foram citados como fatores que impactam diretamente a qualidade de vida.

Indicadores sociais e de saúde preocupam

Na área social, Robinson Almeida chamou atenção para a baixa cobertura da atenção básica em saúde, o crescimento da população em situação de rua e os índices de insegurança alimentar. Como exemplo, o deputado recordou que, em 2021, 4,03% das crianças de até cinco anos estavam em situação de desnutrição, o pior percentual entre as capitais brasileiras à época.

O parlamentar também criticou a insuficiência de investimentos em creches e a falta de ampliação da educação em tempo integral nos bairros populares, apontando o aprofundamento de desigualdades históricas na cidade.

“É um conjunto de indicadores que revela um projeto de cidade que exclui, não promove desenvolvimento e não melhora a vida de quem mais precisa”, afirmou.

Desgaste político e limites do modelo de gestão

Os dados da AtlasIntel, somados aos levantamentos da Firjan e do IBGE, indicam um ponto de inflexão na avaliação da gestão municipal de Salvador. A queda abrupta de popularidade em menos de um ano sugere que a aprovação elevada registrada no início do mandato não se sustentou diante dos problemas estruturais da cidade.

Do ponto de vista político, o cenário impõe desafios ao prefeito Bruno Reis e ao União Brasil, especialmente em um contexto de maior cobrança por resultados concretos em áreas sensíveis como mobilidade, emprego, saúde e políticas sociais. A oposição, liderada por parlamentares como Robinson Almeida, tem explorado esses indicadores para consolidar o discurso de esgotamento administrativo.

Mais do que números isolados, os levantamentos revelam tensões entre expectativa e entrega, apontando para a necessidade de revisão de prioridades e de um planejamento urbano e social mais consistente para a capital baiana.


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