O Ministério da Saúde realiza neste fim de semana o maior mutirão de exames, consultas e cirurgias da história do Sistema Único de Saúde (SUS), com a mobilização simultânea de 188 hospitais em todo o Brasil. A ação integra a estratégia Agora Tem Especialistas e prevê mais de 11,5 mil cirurgias eletivas em todos os estados e no Distrito Federal. Na Bahia, três grandes mutirões acontecem no sábado (13/12/2025) e no domingo (14), com expectativa de mais de 20 mil atendimentos apenas no estado.
Mobilização nacional inédita do SUS
Pela primeira vez, hospitais universitários, federais, filantrópicos, Santas Casas e instituições privadas conveniadas atuam de forma conjunta em um esforço nacional coordenado pelo governo federal. A iniciativa envolve unidades da Rede Ebserh, hospitais universitários federais e instituições parceiras do programa Agora Tem Especialistas, ampliando de forma significativa a capacidade de atendimento da rede pública.
Em todo o país, os mutirões fazem parte de um pacote que soma 61,6 mil procedimentos, incluindo consultas, exames e cirurgias, distribuídos entre os 26 estados e o Distrito Federal. O foco é reduzir a demanda reprimida por atendimentos especializados, acumulada nos últimos anos em diferentes regiões do país.
Segundo o Ministério da Saúde, os pacientes atendidos já estavam previamente regulados pelas centrais municipais e estaduais, garantindo organização, segurança clínica e eficiência no uso da estrutura hospitalar disponível.
Bahia concentra três grandes mutirões neste fim de semana
Na Bahia, a programação envolve Salvador e o município de Catu, com abertura oficial em três unidades estratégicas da rede pública e filantrópica. A diretora de Cooperação Técnica e Desenvolvimento em Saúde do Ministério da Saúde, Aline Costa, participa da abertura de dois mutirões no sábado.
Às 8h, a abertura ocorre no Ambulatório da Maternidade Climério de Oliveira (MCO/UFBA), em Salvador. No local, estão previstos mais de três mil atendimentos, incluindo consultas médicas e multiprofissionais, exames laboratoriais e de imagem, como mamografia, eletrocardiograma, ultrassonografias em todas as modalidades, além do teste da orelhinha e avaliações do sistema auditivo neonatal. Também serão realizados procedimentos de média e alta complexidade e cirurgias.
Em seguida, às 11h, Aline Costa lança o mutirão na Santa Casa de Misericórdia de Catu, onde os atendimentos ocorrerão das 7h às 19h, no sábado e no domingo. A unidade realizará mais de 200 cirurgias, incluindo laqueaduras, vasectomias e cirurgias gerais, como miomectomia, colecistectomia videolaparoscópica, hernioplastias em diferentes modalidades, além de excisão e enxerto de pele. O mutirão também contempla consultas especializadas, exames e outros procedimentos clínicos.
Hospital das Clínicas amplia cirurgias e exames especializados
No Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes/UFBA), em Salvador, o mutirão será aberto às 10h30 pelo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, que visitará o Centro Cirúrgico, o setor de Bioimagem e o Hospital Dia.
No Hupes, estão previstos mais de 2,5 mil atendimentos, incluindo 78 cirurgias previamente agendadas nas áreas de urologia, pediatria, neurocirurgia, cabeça e pescoço e oftalmologia. A programação também inclui mais de 146 exames de imagem, como tomografias, raios-x, ressonância magnética e densitometria óssea, além de mais de dois mil exames laboratoriais.
Excepcionalmente no Hupes, haverá ainda a oferta de exames laboratoriais por demanda espontânea, com 100 fichas distribuídas a partir das 8h. Para esse atendimento, é necessário apresentar requisição médica, documento oficial com foto, cartão do SUS e comprovante de residência.
Redução da fila e foco em especialidades estratégicas
O objetivo central dos mutirões é reduzir o tempo de espera por cirurgias e atendimentos especializados, especialmente em áreas com maior demanda acumulada. Entre as especialidades priorizadas estão gastroenterologia, urologia, ortopedia, cardiologia, oftalmologia, ginecologia e cirurgias reparadoras, além de procedimentos de diagnóstico por imagem.
Além das cirurgias, os mutirões ampliam o acesso a consultas especializadas e exames complexos, como ultrassonografias, tomografias, endoscopias e ressonâncias magnéticas, considerados gargalos históricos no SUS.
De acordo com o Ministério da Saúde, a escolha do fim de semana busca aproveitar a maior disponibilidade dos pacientes, especialmente mulheres, para realizar exames e procedimentos que muitas vezes exigem deslocamento e organização prévia.
Agora Tem Especialistas amplia capacidade do SUS
Os mutirões integram a estratégia Agora Tem Especialistas, lançada pelo governo federal para expandir a oferta de atendimento especializado no SUS. O programa atua em sete áreas prioritárias: cardiologia, oncologia, ginecologia, otorrinolaringologia, ortopedia, oftalmologia e nefrologia, além de cirurgia geral.
Desde o início do ano, a iniciativa já promoveu dois grandes mutirões nacionais, em 13 de julho e 13 de setembro, com mais de 60 mil atendimentos realizados apenas nos hospitais universitários federais. O mutirão deste fim de semana amplia o alcance ao integrar Santas Casas e hospitais filantrópicos e privados conveniados.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ação representa um marco histórico.
“Neste sábado e domingo, vamos realizar o maior mutirão da história do SUS. É a primeira vez que todas essas redes atuam juntas em um esforço nacional coordenado”, afirmou.
Análise crítica: alcance, limites e impacto estrutural
O mutirão nacional evidencia a capacidade de mobilização do SUS quando há coordenação federativa, financiamento e planejamento integrado, reunindo diferentes redes em torno de um objetivo comum. A escala da operação reforça o papel do Estado como indutor da oferta de serviços especializados em momentos de estrangulamento da demanda.
Ao mesmo tempo, a iniciativa expõe um desafio estrutural persistente: a necessidade de ações extraordinárias para dar vazão a filas que, em condições ideais, deveriam ser absorvidas pela rotina do sistema. Mutirões ampliam o acesso no curto prazo, mas não substituem investimentos contínuos em infraestrutura, pessoal e gestão hospitalar.
O impacto imediato é positivo, sobretudo para pacientes que aguardam há meses ou anos por procedimentos. O desafio, no entanto, permanece em transformar esforços pontuais em capacidade permanente, garantindo previsibilidade, equidade regional e redução sustentável das filas no SUS.








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