Papa Leão XIV pede 24 horas de paz no Natal e lamenta recusas na Ucrânia, impasse em Gaza e lei sobre suicídio assistido nos EUA

Papa Leão XIV fala a jornalistas após sair da Villa Barberini, às vésperas do Natal, abordando guerras, cessar-fogo e defesa da vida.
Papa Leão XIV pede 24 horas de paz no Natal, comenta guerras na Ucrânia e Gaza e critica lei sobre suicídio assistido aprovada em Illinois.

Às vésperas do Natal, na noite de terça-feira, 23 de dezembro de 2025, o papa Leão XIV renovou o apelo por 24 horas de paz em todo o mundo, manifestou tristeza com a recusa da Rússia a uma trégua natalina na Ucrânia, expressou esperança pela continuidade do cessar-fogo no Oriente Médio, após contatos ligados à situação em Gaza, e declarou-se “muito decepcionado” com a aprovação de uma lei sobre suicídio assistido no estado de Illinois, nos Estados Unidos. As declarações foram dadas em Castel Gandolfo, após o Pontífice responder a perguntas de jornalistas do lado de fora da Villa Barberini, em um encontro marcado por referências humanitárias, diplomáticas e morais.

Durante o diálogo com a imprensa, Leão XIV reiterou um pedido já tradicional de seu pontificado, reforçado pelo contexto de guerras em curso. O Papa afirmou que uma das maiores tristezas destes dias é a recusa russa a aceitar uma trégua de Natal no conflito com a Ucrânia, especialmente diante da intensificação de ataques registrados nas últimas horas em diversas regiões do país.

Segundo o Pontífice, o Natal — celebrado pelos cristãos como o nascimento de Jesus Cristo — deveria ser, ao menos simbolicamente, um momento de suspensão das hostilidades. Ao renovar o apelo, destacou que “24 horas, um dia de paz em todo o mundo” representariam um gesto mínimo de humanidade, capaz de aliviar o sofrimento de civis e abrir espaço para iniciativas diplomáticas futuras.

O pronunciamento se insere na tradição histórica da Santa Sé de defender pausas humanitárias em períodos simbólicos, especialmente em datas religiosas, mesmo quando as partes em conflito demonstram resistência política ou militar.

Ucrânia: tristeza diante da recusa russa

Questionado especificamente sobre a guerra no Leste Europeu, Leão XIV foi direto ao expressar frustração e pesar diante da negativa russa a uma trégua natalina. O Papa evitou declarações de caráter político-partidário, mas enfatizou o impacto humano do conflito prolongado, sobretudo sobre populações civis submetidas a bombardeios e deslocamentos forçados.

Ao abordar o tema, o Pontífice reforçou a posição da Igreja Católica de que qualquer cessar-fogo, ainda que temporário, possui valor intrínseco quando preserva vidas e reduz o sofrimento, mesmo que não represente, de imediato, um acordo de paz definitivo.

A fala também reflete a continuidade do esforço diplomático do Vaticano, que, desde o início da guerra, busca atuar como mediador moral e facilitador de iniciativas humanitárias, ainda que com limitações práticas diante da recusa das partes envolvidas.

Oriente Médio: esperança cautelosa sobre Gaza

Voltando-se ao Oriente Médio, Leão XIV comentou o debate em torno da Fase 2 do cessar-fogo na região e destacou a recente visita do cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, à Faixa de Gaza. O Papa classificou a visita como “belíssima”, ressaltando seu caráter pastoral e humanitário em meio a um cenário ainda descrito como “muito precário”.

O Pontífice informou ter mantido contato recente com o pároco da igreja da Sagrada Família, em Gaza, que relatou esforços da comunidade local para celebrar o Natal mesmo sob condições adversas. Para Leão XIV, o gesto simboliza a resiliência das populações civis e reforça a necessidade de que o acordo de cessar-fogo avance, superando impasses políticos e militares.

A manifestação papal ocorre em um contexto de intensa pressão internacional por soluções duradouras para o conflito, ao mesmo tempo em que destaca o papel da Igreja como presença humanitária contínua em territórios afetados pela guerra.

Illinois: crítica à lei sobre suicídio assistido

Ao tratar dos Estados Unidos, Leão XIV adotou tom mais pessoal ao comentar a aprovação, no estado de Illinois, de uma lei que autoriza o suicídio assistido para adultos com doenças terminais e prognóstico de até seis meses de vida, com vigência prevista para setembro de 2026.

O Papa revelou que já havia discutido o tema de forma direta com o governador JB Pritzker, durante audiência no Vaticano, em novembro, quando o projeto ainda estava em análise. Segundo o Pontífice, a posição da Santa Sé foi clara quanto à defesa da sacralidade da vida humana, do início ao fim.

Apesar do diálogo prévio, Leão XIV lamentou a decisão final do governador, afirmando estar “muito decepcionado” com a sanção da lei. A crítica reforça a posição histórica da Igreja Católica contra práticas que, em sua doutrina, relativizam o valor intrínseco da vida humana, mesmo em contextos de sofrimento extremo.

Defesa da vida e mensagem natalina

Encerrando suas declarações, o Papa ampliou o debate ao convidar fiéis e não fiéis a refletirem, especialmente no Natal, sobre o valor da vida humana. Leão XIV recordou que, segundo a fé cristã, Deus se fez humano para revelar plenamente o sentido da existência e da dignidade humanas.

O Pontífice afirmou que sua oração e esperança são para que o respeito pela vida volte a crescer em todas as etapas da existência, desde a concepção até a morte natural. A mensagem buscou conectar temas aparentemente distintos — guerra, cessar-fogo e legislação sobre o fim da vida — sob um mesmo eixo ético: a centralidade da pessoa humana.

Paz, diplomacia moral e tensões contemporâneas

As declarações de Leão XIV evidenciam o esforço contínuo do Vaticano em exercer diplomacia moral em um cenário internacional marcado por guerras prolongadas e decisões políticas controversas. O apelo por 24 horas de paz, ainda que simbólico, reafirma o papel histórico da Santa Sé como voz humanitária, mesmo quando confrontada pela resistência de Estados e atores armados.

No caso da Ucrânia e do Oriente Médio, o discurso papal revela uma postura de esperança cautelosa, consciente das limitações práticas de sua influência, mas insistente na defesa de gestos mínimos de humanidade. Já a crítica à lei de Illinois expõe uma tensão crescente entre valores religiosos tradicionais e legislações civis em sociedades pluralistas, tema que tende a permanecer no centro do debate ético global.

A convergência desses temas, às vésperas do Natal, reforça a tentativa do Pontífice de reposicionar a data não apenas como celebração religiosa, mas como chamado universal à vida, à paz e à responsabilidade moral coletiva.


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