Nesta segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas atingiram uma área portuária na Venezuela supostamente utilizada para o embarque de drogas, em meio à escalada das tensões entre Washington e Caracas. Caso confirmada, a ação representaria o primeiro ataque direto dos EUA em solo venezuelano desde o início da atual ofensiva militar americana no Caribe, iniciada em agosto, sob o argumento de combate ao narcotráfico internacional e de pressão direta sobre o regime de Nicolás Maduro.
Trump fez a declaração ao receber o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida. Segundo o presidente, houve uma “grande explosão na área de docas onde eles carregam os barcos com drogas”, seguida da destruição das embarcações e da própria infraestrutura portuária.
Apesar da gravidade da afirmação, nenhum detalhe técnico foi apresentado. Trump não informou a localização exata do suposto ataque, o método utilizado nem o alcance da operação militar. Questionadas, autoridades do governo americano evitaram comentar, e não houve confirmação por parte das Forças Armadas, da Casa Branca ou de agências de inteligência.
A declaração reforça um padrão observado desde setembro, quando a Casa Branca passou a anunciar ações militares contra embarcações suspeitas de transportar cocaína no Caribe e no Pacífico, sem divulgação sistemática de dados operacionais ou comprovação independente.
Entrevistas anteriores e referência a “instalação destruída”
Na sexta-feira (26/12/2025), Trump já havia mencionado, em entrevista a uma rádio de Nova York, a destruição de uma “grande instalação” ligada ao tráfico de drogas, supostamente localizada na Venezuela. Na ocasião, autoridades americanas confirmaram apenas que o presidente se referia a um alvo associado ao narcotráfico, sem fornecer qualquer informação adicional.
Oficiais militares afirmaram não ter dados a compartilhar, enquanto a CIA e a Casa Branca mantiveram silêncio. Até o momento, não há registros públicos de reações do governo venezuelano, nem de comunicados oficiais de países da região confirmando um ataque em território venezuelano.
Venezuela no contexto do tráfico internacional
Embora seja frequentemente apontada como rota estratégica do narcotráfico, especialmente para a cocaína produzida na Colômbia, a Venezuela não é considerada um grande centro de produção de drogas. Especialistas costumam destacar o uso de portos, pistas clandestinas e rotas marítimas como pontos de escoamento, mais do que instalações industriais de grande porte.
A ambiguidade nas declarações oficiais levanta dúvidas sobre qual seria, de fato, a função da instalação supostamente atingida, descrita por algumas autoridades como local de produção e por outras apenas como ponto logístico.
Escalada militar e pressão sobre o regime Maduro
Trump tem reiterado acusações diretas contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem classifica como ditador e integrante de redes de narcotráfico. Há semanas, o presidente americano sinaliza a possibilidade de ataques terrestres como parte de uma campanha de pressão ampliada.
Fontes do governo confirmaram que Trump autorizou a CIA a planejar operações secretas dentro da Venezuela, que podem incluir ações de sabotagem e operações psicológicas destinadas a desestabilizar o regime. Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram o que chamam de bloqueio da Venezuela, com tentativas de interceptar petroleiros para restringir a principal fonte de receita do governo Maduro.
Operações no Caribe e controvérsias legais
Desde setembro, operações militares americanas contra embarcações suspeitas já resultaram na morte de pelo menos 105 pessoas, segundo balanços divulgados por organizações independentes. Críticos classificam as ações como assassinatos extrajudiciais, argumentando que não há base legal clara para ataques letais contra civis em águas internacionais ou próximas a territórios soberanos.
O governo dos Estados Unidos sustenta que está em conflito direto com narcoterroristas, defendendo o uso da força militar como única forma eficaz de interrupção das redes de tráfico. Segundo pessoas familiarizadas com o planejamento, as ações contra navios seriam apenas a primeira fase de uma operação mais ampla, que incluiria ataques a instalações em terra — etapa que ainda não foi oficialmente anunciada.








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