Presidente Lula anuncia expansão da Refinaria Abreu e Lima, envolve R$ 12 bilhões, geração de 15 mil empregos e avanço na soberania energética

A Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca (PE), iniciou nesta terça-feira (02/12/2025) a expansão de sua capacidade operacional com o lançamento das obras do Trem 2, investimento de R$ 12 bilhões que prevê a criação de 15 mil empregos e fortalece a estratégia do governo federal para ampliar a soberania energética do Brasil. Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Petrobras permanece como “a mais importante empresa do país” e ressaltou que o projeto consolida a retomada da autossuficiência em combustíveis.

A cerimônia em Ipojuca simboliza o retorno do ciclo de investimentos estruturantes na indústria de refino brasileira. Lula destacou que a retomada das obras interrompidas ao longo da última década corrige um “equívoco histórico” que limitou a capacidade nacional de produzir derivados essenciais. Segundo ele, ampliar a produção interna significa devolver ao país um pilar de autonomia estratégica, reduzindo vulnerabilidades e fortalecendo a Petrobras como patrimônio público.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, apresentou os números detalhados do empreendimento e reiterou o impacto imediato da expansão sobre a oferta de combustíveis, especialmente o Diesel S-10, cuja produção aumentará em 88 mil barris por dia. Dentro do Plano Estratégico 2026–2030, a companhia prevê investimentos de US$ 109 bilhões, abrangendo exploração no Pré-Sal, modernização das refinarias e ampliação da infraestrutura logística.

A RNEST consolida-se como a refinaria mais moderna do parque de refino nacional. Quando a obra estiver concluída, em 2029, a unidade passará a processar 260 mil barris diários, atendendo sozinha a 17% de toda a demanda brasileira de diesel. O empreendimento segue padrões internacionais de eficiência energética, segurança operacional e mitigação ambiental.

Impacto econômico e geração de empregos

A Petrobras estima que o Trem 2 criará cerca de 15 mil postos de trabalho, diretos e indiretos, ao longo do projeto. Atualmente, 5.700 trabalhadores já atuam na obra. Para Lula, o efeito social dos investimentos reforça o papel da Petrobras como indutora do desenvolvimento. O presidente enfatizou que a riqueza gerada pela estatal deve se traduzir em empregos, salários e dignidade para os brasileiros.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a expansão da RNEST representa um marco na trajetória do Brasil rumo à autossuficiência e segurança energética. Ele destacou que o reforço da capacidade de refino reduzirá a necessidade de importações e permitirá ao país alcançar superávit na produção de GLP nos próximos anos.

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, ressaltou que o investimento recupera obras paralisadas e devolve dinamismo à economia estadual. A governadora salientou que mais de 400 projetos estavam interrompidos até 2023 e que a reativação dessas iniciativas simboliza a retomada do desenvolvimento regional.

Transição energética e inovação tecnológica

Além da ampliação do refino, o evento marcou a assinatura do contrato para implantação de uma usina solar fotovoltaica com investimento de R$ 80 milhões. A unidade terá capacidade de 12 MW, suficiente para abastecer uma cidade de 50 mil habitantes, liberando gás natural para outras finalidades produtivas.

Magda Chambriard reforçou que a Petrobras está preparada para liderar a transição energética brasileira, combinando produção de petróleo com tecnologias de menor impacto ambiental. O projeto da RNEST inclui sistemas modernos de redução de emissões, otimização do uso de água e menor consumo energético.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, defendeu que a modernização do parque de refino precisa caminhar junto com programas de qualificação profissional. Ele destacou histórias de trabalhadores que ingressaram no setor após cursos promovidos pela Petrobras e pelo Instituto Federal de Pernambuco, exemplificando o retorno social dos investimentos.

Programas sociais, qualificação e cultura

A Petrobras mantém projetos socioambientais e culturais que beneficiam 29 comunidades em sete municípios do entorno da refinaria. No Programa Autonomia e Renda, foram ofertadas 3.080 vagas em cursos de formação até novembro de 2025, formando 777 alunos em diversas áreas industriais.

A funcionária Suzana Maria da Silva, beneficiária dos cursos, relatou que a iniciativa transformou sua trajetória profissional ao permitir o acesso a qualificações que antes eram inacessíveis para grande parte da população de baixa renda.

Na área da cultura, a Petrobras destinou R$ 6,8 milhões para 28 projetos por meio do Programa Rouanet Nordeste, apoiando ações de formação artística, mostras fotográficas e iniciativas de valorização da cultura afro-brasileira.

Efeitos regionais e projeções para o futuro

O prefeito do Recife, João Campos, afirmou que o impacto da expansão da RNEST ultrapassa os limites de Ipojuca e alcança toda a região metropolitana e o estado. Segundo ele, os investimentos de mais de R$ 8 bilhões associados ao Trem 2 impulsionarão oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento.

O histórico recente da refinaria demonstra a mudança de orientação na política de refino. Em 2024, Lula visitou a unidade para anunciar o retorno dos investimentos, reforçando o compromisso de elevar o país à autossuficiência. Em 2025, a conclusão da Unidade SNOX e a modernização do Trem 1 criaram as condições técnicas para a expansão atual.

A reinstalação de um paradigma industrial

A expansão da RNEST representa uma inflexão na estratégia energética brasileira ao recolocar a indústria do refino no centro das prioridades públicas. O trem 2 resgata um projeto que permaneceu anos paralisado por decisões políticas que privilegiaram a importação de combustíveis, terceirizando uma etapa essencial da cadeia energética nacional. Com a retomada, o país reconstrói uma capacidade industrial que havia sido enfraquecida.

Apesar da consistência técnica do projeto, a política de expansão do refino ainda depende de fatores externos, como volatilidade do mercado internacional, preço do petróleo e eventuais restrições ambientais. A Petrobras precisará conciliar metas de eficiência e competitividade com exigências crescentes de sustentabilidade, sobretudo diante de pressões globais pela descarbonização.

Para o Nordeste, a consolidação da RNEST reforça a distribuição geográfica da infraestrutura energética e amplia a participação da região em setores de alto valor agregado. No plano institucional, os investimentos fortalecem a Petrobras como empresa integrada, capaz de atuar em toda a cadeia do petróleo. Esse movimento reacende debates sobre o papel estratégico da estatal e sua função como instrumento de desenvolvimento nacional.

Vista aérea da Refinaria Abreu e Lima (RNEST).
Vista aérea da Refinaria Abreu e Lima (RNEST).

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